Eduardo Bolsonaro nega ter recebido dinheiro de filme sobre o pai para ficar nos EUA
Ex-deputado federal disse que não recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro, do Banco Master, para bancar sua permanência no país
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) negou que teria recebido dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que teria como objetivo financiar um filme sobre a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele também negou que o dinheiro teria servido para bancar sua estadia nos Estados Unidos.
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A Polícia Federal (PF) apontou Eduardo como suspeito de usar dinheiro de Vorcaro para custear sua ida aos EUA. Uma das linhas de apuração a ser verificada é se os recursos foram desviados para um fundo sediado no Texas ligado ao ex-deputado e usado para custear a permanência dele no país, já que o Supremo Tribunal Federal (STF) havia bloqueado contas e dificultado o recebimento de recursos nos EUA.
Nesta quinta-feira, 14, mensagens divulgadas pelo Intercept mostraram que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar a produção cinematográfica Dark Horse, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. Ele pediu R$ 134 milhões e confirmou a negociação com Vorcaro, mas afirmou que não ofereceu vantagens em troca do patrocínio.
Eduardo, por outro lado, usou seu perfil na rede social X para dizer que o governo dos Estados Unidos não permitiria que ele recebesse dinheiro do fundo. Segundo ele, foi explicado às autoridades norte-americanas qual seria a origem de todos os seus recursos.
“Meu status migratório não permitiria, se isso tivesse acontecido o próprio governo americano me puniria”, escreveu. “No meu processo migratório expliquei às autoridades americanas toda a origem dos meus recursos e não tive qualquer problema, porque aqui não vigora um regime de exceção”, continuou.
1- A história que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Meu status migratório não permitiria, se isso tivesse acontecido o próprio governo americano me puniria. No meu processo migratório expliquei as autoridades americanas toda a origem dos meus… pic.twitter.com/bYIHvSsRyu
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) May 15, 2026
Parte do dinheiro teria sido transferida pela empresa Entre Investimentos e Participações, que tinha parceria com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas (EUA) e controlado por aliados do ex-deputado. Segundo Flávio, o advogado que controla o fundo é uma pessoa de confiança de Eduardo.
O advogado não faz parte de um “mero escritório de migração”, segundo o ex-deputado. "O escritório cuida apenas da gestão burocrática, financeira e legal dos recursos. Apresentei ele ao Mário, que estava procurando investidores para o filme, por saber da sua competência", disse.
Os investimentos foram feitos nos Estados Unidos porque o filme é norte-americano, com atores do país, justificou. "Ninguém se arriscaria investir num filme do Bolsonaro no Brasil, pois seria devidamente perseguido pelo regime e atrelado como financiador de golpe, como faziam. Investimento nos Estados Unidos garantem segurança jurídica em uma jurisdição séria”, seguiu Eduardo.
Flávio também reforçou que o dinheiro não serviu para financiar a estadia de Eduardo nos Estados Unidos em entrevista à GloboNews. "Não é algo, como querem induzir, um investimento que faz um caminho para financiar Eduardo Bolsonaro. Isso é mentira. Isso é ilação”, pontuou.
Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar filme
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato nas eleições presidenciais deste ano, trocou mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro pedindo dinheiro para ajudar bancar a produção de um filme sobre a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Mensagens por escrito e áudio dos contados de Flávio com o dono do Banco Master foram reveladas nesta quarta-feira, 13, pelo Intercept Brasil.
Os diálogos de Flávio Bolsonaro com Vorcaro divulgados pelo site são autênticos. Eles fazem parte da extração do conteúdo do primeiro telefone celular do banqueiro, apreendido pela Polícia Federal (PF) na primeira fase da Operação Compliance Zero.
Segundo o site, teria havido uma negociação para que Vorcaro ajudasse com uma contribuição equivalente a US$ 24 milhões e que já teriam sido feitos pagamentos até 2025 no valor de US$ 10 milhões.
No final da manhã desta quarta-feira, 13, o senador foi questionado por repórter do Intercept quando o político deixava o STF após encontro com o presidente da Corte, Edson Fachin. O parlamentar disse ser "mentira" que o filme Dark Horse, que conta a história de Jair Bolsonaro, tenha tido o financiamento do banqueiro Daniel Vorcaro.
Depois, por meio de nota, Flávio admitiu que pediu o dinheiro e defendeu que tratava-se de financiamento privado. Vorcaro está preso, e sua defesa não esclareceu as doações até o momento.
O que dizem as mensagens entre Flávio e Vorcaro
O Intercept Brasil divulgou áudio em que o senador pede dinheiro para o dono do Banco Master para pagar despesas com o filme Dark Horse.
"Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está em um momento muito decisivo do filme e como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, preocupado", diz Flávio no áudio divulgado.
Nas mensagens, Flávio escreve ainda a Vorcaro: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs".
A mensagem teria sido enviada no dia 16 de novembro de 2025. No dia seguinte, Vorcaro foi preso por suspeita de operações fraudulentas envolvendo o banco. O Master foi liquidado no dia 18 de novembro de 2025.
O pôster do filme Dark Horse foi divulgado em abril e tem data de estreia marcada: 11 de setembro deste ano, em meio ao calendário eleitoral brasileiro. (*Com informações do Estadão Conteúdo)

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