Quem é Ricardo Magro, dono da Refit e alvo de operação da Polícia Federal
Ação deflagrada nesta sexta-feira, 15, determinou a inclusão do nome do empresário na Difusão Vermelha da Interpol
Alvo de uma nova operação da Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira, 15, Ricardo Andrade Magro, de 51 anos, é ex-advogado e o empresário que comanda o Grupo Refit --antiga Refinaria de Manguinhos-- no Rio de Janeiro. Na ação de hoje, também foi determinada a inclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol.
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A Operação Sem Refino investiga a atuação do Grupo Refit, conglomerado do ramo de combustíveis suspeito de utilizar estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior. O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) também foi alvo de busca e apreensão.
Magro é formado em Direito pela Universidade Paulista (Unip) e ganhou destaque no noticiário em 2008, quando adquiriu a Refinaria de Manguinhos, já envolvida em dívidas de ICMS e disputas judiciais. Hoje, o grupo é apontado como um dos maiores devedores de impostos do Brasil, com acusações de sonegação que somam R$ 26 bilhões, segundo operações recentes da Receita Federal e do Ministério Público.
Ao longo dos anos, Magro se tornou figura recorrente em investigações ligadas à evasão fiscal, lavagem de dinheiro e irregularidades no setor de combustíveis. Seu nome apareceu em operações como a Carbono Oculto, que apurou possível ligação da Refit com redes de postos associados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), e em outras ações que investigam o uso de dezenas de empresas para cometer crimes fiscais.
Em 2024, foi alvo de uma operação que investigava um suposto esquema de sonegação e lavagem de dinheiro. Na ocasião, a suspeita da Polícia Civil é que ele tenha utilizado 188 empresas para cometer crimes fiscais. Em novembro de 2025, também foi alvo de uma megaoperação contra devedores da Receita Federal.
Ele também esteve envolvido em casos de grande repercussão, como os Panama Papers, no qual foi listado por manter offshores em paraísos fiscais.
Além das denúncias no campo empresarial, Magro tem histórico de envolvimento direto com figuras da política. Ele foi advogado e aliado do ex-deputado federal Eduardo Cunha e já foi preso em 2016, acusado de fraudes em fundos de pensão, em um caso que desviou pelo menos R$ 90 milhões, segundo o Ministério Público Federal (MPF). Posteriormente, foi absolvido. Há 10 anos, Magro mora em Miami, nos Estados Unidos.
O Terra entrou em contato com o Grupo Refit a respeito da operação e aguarda retorno. A reportagem também tenta localizar a defesa de Ricardo Magro.
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