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Quem é Ricardo Magro, dono da Refit e alvo de operação da Polícia Federal

Ação deflagrada nesta sexta-feira, 15, determinou a inclusão do nome do empresário na Difusão Vermelha da Interpol

15 mai 2026 - 09h07
(atualizado às 12h30)
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Ex-governador Cláudio Castro é alvo de operação da PF contra grupo Refit:

Alvo de uma nova operação da Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira, 15, Ricardo Andrade Magro, de 51 anos, é ex-advogado e o empresário que comanda o Grupo Refit --antiga Refinaria de Manguinhos-- no Rio de Janeiro. Na ação de hoje, também foi determinada a inclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol.

A Operação Sem Refino investiga a atuação do Grupo Refit, conglomerado do ramo de combustíveis suspeito de utilizar estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior. O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) também foi alvo de busca e apreensão.

Magro é formado em Direito pela Universidade Paulista (Unip) e ganhou destaque no noticiário em 2008, quando adquiriu a Refinaria de Manguinhos, já envolvida em dívidas de ICMS e disputas judiciais. Hoje, o grupo é apontado como um dos maiores devedores de impostos do Brasil, com acusações de sonegação que somam R$ 26 bilhões, segundo operações recentes da Receita Federal e do Ministério Público.

Ao longo dos anos, Magro se tornou figura recorrente em investigações ligadas à evasão fiscal, lavagem de dinheiro e irregularidades no setor de combustíveis. Seu nome apareceu em operações como a Carbono Oculto, que apurou possível ligação da Refit com redes de postos associados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), e em outras ações que investigam o uso de dezenas de empresas para cometer crimes fiscais. 

Dono da Refit, Ricardo Magro também já atuou como advogado
Dono da Refit, Ricardo Magro também já atuou como advogado
Foto: Reprodução

Em 2024, foi alvo de uma operação que investigava um suposto esquema de sonegação e lavagem de dinheiro. Na ocasião, a suspeita da Polícia Civil é que ele tenha utilizado 188 empresas para cometer crimes fiscais. Em novembro de 2025, também foi alvo de uma megaoperação contra devedores da Receita Federal

Ele também esteve envolvido em casos de grande repercussão, como os Panama Papers, no qual foi listado por manter offshores em paraísos fiscais.

Além das denúncias no campo empresarial, Magro tem histórico de envolvimento direto com figuras da política. Ele foi advogado e aliado do ex-deputado federal Eduardo Cunha e já foi preso em 2016, acusado de fraudes em fundos de pensão, em um caso que desviou pelo menos R$ 90 milhões, segundo o Ministério Público Federal (MPF). Posteriormente, foi absolvido. Há 10 anos, Magro mora em Miami, nos Estados Unidos.

Com a palavra, a Refit

Em nota, a Refit nega ter falsificado declarações fiscais para ter vantagens tributárias e ter fornecido combustíveis para o crime organizado. Veja o comunicado, na íntegra:

"A Refit esclarece que as questões tributárias envolvendo a companhia estão sendo discutidas no âmbito judicial e administrativo, como fazem diversas companhias do setor, incluindo a própria Petrobras, atualmente uma das maiores devedoras de tributos do Estado do  Rio de Janeiro.

Importante ressaltar que a atual gestão da Refit herdou passivos tributários acumulados por administrações anteriores e, desde então, vem adotando medidas para regularização dessas obrigações. Somente ao Estado do Rio, a empresa realizou pagamentos da ordem de R$ 1 bilhão no último exercício.

As operações contra a Refit prejudicam a concorrência no setor de combustíveis e privilegiam a atuação de um cartel formado por três grandes empresas já condenadas pelo CADE por controlarem o preço do combustível nos postos, prejudicando a população e contribuindo para o aumento da inflação no país.  

A Refit jamais falsificou declarações fiscais para ter vantagens tributárias. Laudos científicos da carga apreendida nas últimas operações comprovam que o produto importado é óleo bruto de petróleo, conforme devidamente declarado no documento de importação. Causa estranheza a Receita Federal impedir a realização da perícia judicial que possa corroborar os laudos de profissionais já apresentados em juízo.

A Refit nega veementemente ter fornecido combustíveis para o crime organizado. Ao contrário, sempre atuou como denunciante de postos ligados a facções criminosas, incluindo aqueles de bandeiras renomadas que integram o Instituto Combustível Legal (ICL) e foram alvos de operações policiais. Ressalta-se ainda que o fechamento da Copape, em meados de 2024, formuladora ligada ao PCC, também foi resultado de denúncias que partiram da Refit às autoridades e à ANP."

O Terra também busca contato com a defesa de Ricardo Magro. O espaço segue aberto para manifestações.

Fonte: Portal Terra
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