ONG ligada a filme de Bolsonaro que recebeu R$ 111 milhões em recursos públicos vira alvo de investigação aberta por Dino
Decisão do ministro Flávio Dino coloca sob lupa repasses que somam R$ 111 milhões e envolvem produtora de cinebiografia
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta sexta-feira (15) a abertura de uma investigação sigilosa para apurar o possível direcionamento de emendas parlamentares para projetos culturais vinculados a uma organização específica. O ponto central da controvérsia envolve a produção do filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado "Dark Horse". A medida surge após denúncias que apontam uma complexa rede de empresas e organizações que teriam recebido montantes expressivos, chegando à marca de R$ 111 milhões em recursos públicos, contrariando afirmações anteriores de que a obra seria financiada exclusivamente por capital privado.
Entenda a origem das investigações no Supremo
A origem deste processo remonta a uma denúncia detalhada apresentada pela deputada federal Tabata Amaral. Segundo a parlamentar, existe um grupo de empresas que, apesar de possuírem nomenclaturas distintas, operam como uma unidade estrutural, compartilhando infraestrutura, endereços e o comando da empresária Karina Gama. A suspeita é que emendas parlamentares, incluindo as chamadas "emendas pix", tenham sido utilizadas para finalidades de marketing eleitoral e para viabilizar a cinebiografia. O ministro Flávio Dino, ao analisar os documentos, decidiu desmembrar a denúncia do processo geral sobre transparência de emendas para criar uma frente investigativa dedicada e protegida pelo sigilo de justiça, visando aprofundar os indícios de irregularidades.
Os valores milionários e a estrutura da organização
A análise financeira revela cifras impressionantes. A empresária Karina Gama, que administra a produtora Go Up Entertainment, também preside instituições como o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura. Somente do Instituto Conhecer Brasil, foi pactuado um termo de colaboração com a Prefeitura de São Paulo no valor de R$ 108,8 milhões para serviços de internet em comunidades. Além disso, parlamentares do PL destinaram cerca de R$ 2,8 milhões em emendas para projetos variados. Entre os nomes citados como autores dos repasses estão Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis, Marcos Pollon e Mário Frias. Este último, além de deputado, é o produtor executivo do filme, o que aumenta a necessidade de esclarecimentos sobre possíveis conflitos de interesse.
O posicionamento dos envolvidos sobre os recursos
A defesa dos entusiastas da produção cinematográfica sustenta a tese da iniciativa privada. Flávio Bolsonaro chegou a afirmar que a obra possui "zero de dinheiro público", justificando que buscou investimentos com o empresário Daniel Vorcaro para cobrir os custos de uma "superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional". Por outro lado, a deputada Bia Kicis negou categoricamente o desvio de finalidade. Em nota oficial, ela declarou que "em momento algum, destinou emenda parlamentar para a produção de filme ou qualquer conteúdo audiovisual relacionado à vida de Bolsonaro". Segundo a parlamentar, os R$ 150 mil indicados por ela visavam um projeto educativo sobre a história nacional, destacando que "o valor indicado sequer foi pago até o presente momento".
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