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Polícia

Arcebispo do Rio celebra missa de 7º dia na escola de Realengo

13 abr 2011 - 09h51
(atualizado às 16h14)
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Luís Bulcão Pinheiro
Direto do Rio de Janeiro

Uma missa ecumênica pelo sétimo dia em memória dos alunos mortos na Escola Municipal Tasso da Silveira teve início por volta das 9h numa rua próxima ao colégio, em Realengo, zona oeste da capital fluminense. A homenagem foi conduzida pelo arcebispo do Rio, don Orani Tempesta, e contou ainda com as presenças de representantes das comunidades islâmica, judaica, evangélica e do candomblé. O governador Ségio Cabral e o prefeito Eduardo Paes também participaram.

13 de abril - Arcebispo do Rio, don Orani Tempesta celebra missa de sétimo dia das vítimas do ataque em Realengo
13 de abril - Arcebispo do Rio, don Orani Tempesta celebra missa de sétimo dia das vítimas do ataque em Realengo
Foto: Jadson Marques / Futura Press

Veja como foi o ataque aos alunos em Realengo

Veja localização de escola invadida por atirador

A decisão de transferir a missa - anteriormente programada para o pátio da escola - para um local público levou em consideração o grande número de pessoas que demonstraram vontade de participar "deste momento de solidariedade e fé", informou a arquidiocese. O palco utilizado para a realização da missa começou a ser montado ainda na tarde de terça-feira, um dia muito movimentado no colégio.

Às 10h45, chegou o sargento Márcio Alves, que imobilizou o atirador no dia do ataque, impedindo que ele continuasse o massacre. Ele foi recebido com aplausos, flores e homenagens. Muitas famílias de alunos foram até ele, agradecer o ato de bravura - pelo qual foi condecorado ontem pelo comando-geral da Polícia Militar. Entre elas, a de Milena dos Santos Nascimento, 14 anos, morta na tragédia.

Helena, 12 anos, e Tainá dos Santos Nascimento, 15 anos, que perderam a irmã, abraçaram o sargento e choraram, agradecendo por estarem vivas. Elas estavam na escola no dia do ataque, mas em outra sala de aulas. O pai, Valdir dos Santos Nascimento, disse que a dor é grande: "Mas tenho que me agarrar às minhas duas meninas que ficaram." Ele contou que as filhas estão indo para Ilhéus, a 210 km de Salvador, passar umas semanas com a tia. A família é baiana. Eles contaram que têm se apoiado no carinho dos amigos.

"Tenhamos força para superar as dificuldades. Aos pais e alunos, peço que continuem na escola, não a abandonem, é aqui que vão encontrar forças para superar a tragédia. Não percam a esperança na nossa polícia, Civil ou Militar. Estamos aqui para servi-los", pediu Alves. "A minha dor não chega aos pés das que você sentenm, mas também sinto, tenho filhos e me coloca no lugar de vocês."

O arcebispo disse que a comunidade deve "deixar a escola viver e ser símbolo de confiança e esperança". Um helicóptero da polícia fez rasantes sobre a tenda montada para a missa, jogando pétalas de rosa sobre as pessoas. A cerimônia encerraria com um abraço simbólico à escola.

Retorno à escola

Pais e alunos voltaram ao local para buscar o material deixado no dia do ataque e também para uma reunião com a secretária municipal de Educação, Claudia Costin. Após uma reunião feita com diretores da unidade, psicólogos, assistentes sociais, professores, funcionários e pais de alunos, Costin afirmou que a readaptação das crianças deve demorar três semanas.

Por sugestão dos psicólogos, um trabalho mais individualizado será feito com as crianças, e não uma "reinvenção da escola", evitando assim uma superexposição dos alunos. Dessa forma, o retorno dos estudantes seria por grupos e de forma gradativa.

Para a recepção dos alunos, os professores foram orientados a realizar atividades artísticas e lúdicas - como pintura e poesia -, para que o trauma das crianças seja aliviado. O prédio passará por reparos e obras, a mobília será trocada e o espaço sofrerá modificações. A secretária disse também que a escola precisa "renascer das cinzas", mas a decisão dos alunos de deixar a unidade será respeitada.

Atentado

Um homem matou pelo menos 12 estudantes a tiros ao invadir a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, na manhã do dia 7 de abril. Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, era ex-aluno da instituição de ensino e, segundo a polícia, se suicidou logo após o atentado. O atirador portava duas armas e utilizava dispositivos para recarregar os revólveres rapidamente. As vítimas tinham entre 12 e 14 anos. Outras 18 ficaram feridas.

Wellington entrou no local alegando ser palestrante. Ele se dirigiu até uma sala de aula e passou a atirar na cabeça de alunos. A ação só foi interrompida com a chegada de um sargento da Polícia Militar, que estava a duas quadras da escola quando foi acionado. Ele conseguiu acertar o atirador, que se matou em seguida. Numa carta, Wellington não deu razões para o ataque - apenas pediu perdão a Deus e que nenhuma pessoa "impura" tocasse em seu corpo.

Com informações da Agência O Dia.

Fonte: Especial para Terra
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