Foi mais difícil vencer preconceito com Bolsa Família do que a fome, diz Lula
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou nesta quarta-feira críticos do Bolsa Família, durante cerimônia que comemorou os 10 anos do programa, em Brasília. Para Lula, o mais difícil foi vencer o preconceito de pessoas que acreditavam que o governo estimulava a preguiça e a vagabundagem dos mais pobres com o auxílio.
“Certas reações, no entanto, levam a crer que é mais difícil vencer o preconceito do que vencer a fome. De todas as críticas, a mais cruel era que o programa ia estimular a preguiça, a dependência dos mais pobres, a vagabundagem”, disse Lula.
“Essa crítica denota uma visão extremamente preconceituosa no nosso País. Significa dizer que a pessoa é pobre por indolência e não porque nunca teve uma chance real na sociedade. É tentar transferir para o pobre a responsabilidade pela crise social”, acrescentou.
Lula abriu o discurso na solenidade lembrando de várias definições dadas por adversários ao programa de transferência de renda, como “bolsa ilusão”, “esmola” e “tragédia social”. O ex-presidente voltou a criticar notícias de fraudes no Bolsa Família.
“Recentemente, um erro de um cadastro de um programa que atende 14 milhões de famílias é tratado por alguns hipócritas como se fosse fraude, como se fosse corrupção”, disse.
Elogiando a apresentação da ministra Tereza Campello, do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Lula, em tom bem humorado, disse ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) terá de investir mais na população de menor renda. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontam que a cada R$ 1 investido no Bolsa Família há um acréscimo de R$ 1,78 no Produto Interno Bruto (PIB).
“Se os números que a Tereza disse são verdade, o BNDES vai ter que investir mais nos pobres porque o retorno é mais garantido”, brincou.
Lula sugeriu ainda que o Brasil use as Forças Armadas para encontrar os brasileiros que ainda não foram incluídos nos programas de transferência de renda. “Coloca as Forças Armadas para procurar os companheiros, bota o Exército, para que nenhum brasileiro fique sem comer”, disse.
Redução da mortalidade
A ministra Tereza Campello, do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, disse que a redução da extrema pobreza com os programas Bolsa Família e o Brasil sem Miséria alcançou 89% das pessoas que viviam com renda per capita abaixo de R$ 70 mensais. Segundo a ministra, o governo realiza uma busca intensa pelos brasileiros que ainda não integram o programa. “Queremos encontrá-los e incluí-los”, disse.
A ministra listou outros dados destacados pelo governo, como a queda de 14% no índice de crianças prematuras, a redução de 46% no número de mortes por diarreia entre crianças de 0 a 5 anos e em 58% de mortes por desnutrição.
“Agora a discussão não se pode se dar apenas no campo ideológico. Basta de achismos e deduções. Temos dados, estatísticas e evidências que sepultam os mitos, os preconceitos e comprovam os benefícios do Bolsa Família em todo o Brasil”, disse a ministra.