Lula diz que prefere confronto direto em eleição presidencial
Ex-presidente disse que terceira via gera mais debate antes do pleito, mas diz preferir um enfrentamento direto de ideias
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, em Brasília, que prefere uma eleição presidencial em "confronto direto" de candidatos. Para Lula, a entrada de uma terceira via forte vai gerar mais debate antes do pleito, mas ele acredita que no final deve se resumir em dois candidatos.
"Eu acho que se fosse um enfrentamento direto seria melhor, porque aí é um confronto direto de ideias, pão-pão queijo-queijo. Agora, se tiver mais candidato, teria mais debate. Mas vai chegar a um momento em que vai culminar com dois. Eu não tenho preferência pela quantidade de candidato, que saiam quantos candidatos precisam sair", disse Lula, lembrando que, em 1989, disputou com vários candidatos à Presidência.
Lula - que participou nesta quarta-feira de uma comemoração dos dez anos do Bolsa Família - negou que a presidente Dilma Rousseff esteja fazendo campanha antecipada. Para ele, Dilma precisa cuidar do Brasil, enquanto a oposição, sim, precisa fazer campanha.
"Ela já é uma mulher conhecida, então tem que governar. Ela não precisa fazer campanha. Agora, os adversários precisam, porque precisam ficar conhecidos, gravar programa de televisão. Já fui adversário, fui pequenininho. Esse é o papel de quem faz oposição", disse.
O ex-presidente rebateu ainda críticas da ex-senadora Marina Silva à política econômica brasileira. Filiada recentemente ao PSB de Eduardo Campos, a ex-ministra do governo Lula integra a terceira corrente que deve concorrer às eleições de 2014. "A Marina precisa não aceitar com facilidade algumas lições que estão lhe dando, ela precisa acompanhar o que era o Brasil quando nós chegamos", disse Lula.
Segundo o ex-presidente, Marina estaria esquecendo do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso ao elogiar a política econômica do tucano. "A Marina precisava só compreender o seguinte: ela entrou no governo em 2003 comigo, e ela sabe que o Brasil tem mais estabilidade do que tinha antes", disse.
"Ela esquece que em 1998 a política cambial fez esse País quebrar três vezes. Acho importante quando conversar com ela perguntar para ela se ela se lembra. Nós nunca tivemos tanto tempo de estabilidade, nunca tivemos um País tão seguro como agora. Alguém me diga qual momento da história esse País teve 10 anos com a inflação dentro da meta?", questionou.