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Novo QQ só vem ao Brasil com produção nacional; picape híbrida está em estudo

Omoda Jaecoo condiciona chegada do compacto à produção local e avalia trazer picape híbrida plug-in para o nosso mercado

3 nov 2026 - 08h00
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Resumo
A Chery International estuda trazer ao Brasil o compacto elétrico QQ e uma inédita picape híbrida plug-in a diesel para 2027, projetos condicionados à produção nacional, ainda sem fábrica definida. Em expansão paralela, a Omoda & Jaecoo planeja sete lançamentos para 2027, incluindo o Omoda 4 flex e o Jaecoo 8, com a meta de vender 150 mil carros. O grupo chinês também lançará no mercado brasileiro as novas marcas independentes iCaur e Lepas, focadas em SUVs eletrificados.

Um QQ produzido no Brasil e uma picape híbrida plug-in a diesel estão entre os projetos avaliados pela Chery International para ampliar sua presença no País. Os dois dependem de uma decisão que o grupo ainda não anunciou: onde e como fabricar localmente. No caso da picape, a empresa considera uma possível entrada no mercado brasileiro em 2027.

Os planos foram discutidos pelo vice-presidente executivo da Chery Auto e presidente da Chery International, Guibing Zhang, e pelo vice-presidente da Chery International, Fenghuo Si, em entrevista a jornalistas brasileiros durante o International User Summit, realizado em Wuhu, na China.

Os executivos não confirmaram fábrica, investimento ou localização. Mas apontaram a produção nacional como prioridade para tornar os novos produtos competitivos.

"Primeiro, precisamos fazer a fabricação local. Como o Brasil é um mercado grande, provavelmente o governo também precisa apoiar a fabricação local", disse Zhang.

QQ brasileiro depende de produção local

O compacto elétrico QQ, também chamado de QQ3, está entre os modelos considerados para o Brasil. Seu lançamento, porém, ainda não foi aprovado. Na avaliação de Zhang, disputar o segmento apenas com veículos importados prontos, modalidade conhecida pela sigla CBU, dificultaria a operação.

Omoda QQ
Omoda QQ
Foto: Chery/Divulgação / Estadão

"Nesse segmento o mercado é grande, mas a competição também é muito difícil. Se ficarmos apenas com o CBU, acho que não é bom. Ainda não finalizamos, porque precisamos encontrar um bom jeito de entrar, especialmente com a fabricação local", afirmou.

A declaração coloca a nacionalização no centro das discussões sobre o compacto, mas não representa uma confirmação de que ele será produzido no País. Também não há prazo anunciado para seu lançamento.

Entre concessionários que estiveram na China e foram ouvidos pelo Jornal do Carro, a expectativa é de que o QQ3 possa encontrar espaço mesmo como importado. O modelo entraria na disputa por consumidores de elétricos de entrada, mercado que reúne opções como BYD Dolphin Mini e Dolphin, GWM Ora 03, GAC Aion UT e MG4 Urban.

Picape pode ser a Stockman, com operação pela Omoda & Jaecoo

Outra possibilidade é uma picape híbrida plug-in a diesel. O modelo pode ser a Stockman, veículo comercializado pela Chery em outros mercados, mas que, no Brasil, seria vendido pela operação da Omoda Jaecoo. Os executivos não identificaram a picape pelo nome durante a entrevista.

O veículo também é vendido como Rely Hi800. Na África do Sul, a caminhonete híbrida plug-in atende por Chery Grootman.

"Na verdade, também temos uma picape, e é PHEV a diesel. Acho que talvez seja a primeira no mundo inteiro. Esperamos que, no ano que vem, possamos considerar sua entrada no mercado brasileiro", disse Zhang.

Chery Stockman
Chery Stockman
Foto: Divulgação / Estadão

A configuração combina um motor a diesel com propulsão elétrica e uma bateria que pode ser recarregada em fonte externa. A empresa não detalhou na entrevista potência, capacidade da bateria ou autonomia da versão considerada para o Brasil.

Assim como no caso do QQ, a produção local é apontada como determinante para viabilizar o projeto. A chegada da picape não está confirmada e depende da avaliação comercial.

"Hoje, sem fabricação local, será muito difícil entrar. Minha esperança é fazer a fabricação local e o carro poder entrar. Caso contrário, talvez, com volume pequeno, não seja bom", afirmou Zhang.

O grupo também avalia o segmento de picapes compactas, mas ainda não tomou uma decisão diante da concorrência no mercado brasileiro.

Fábrica em Itatiaia continua sem confirmação

A intenção de produzir no Brasil acompanha os planos da Omoda Jaecoo desde a preparação de sua operação nacional.

As instalações da Jaguar Land Rover em Itatiaia, no Rio de Janeiro, foram sondadas. Até agora, contudo, não houve anúncio oficial de acordo para utilização da unidade.

A definição industrial tem impacto sobre a expansão do grupo para além dos SUVs. As falas dos executivos indicam que tanto o compacto QQ quanto a picape precisam de uma estrutura de custos que permita disputar seus respectivos segmentos.

Omoda 4 flex lidera sete lançamentos em 2027

Enquanto os projetos industriais seguem em discussão, a Omoda Jaecoo confirmou sete lançamentos para o Brasil em 2027. A conta inclui novos modelos e versões, e não significa sete carros inéditos. A lista completa ainda não foi divulgada.

O principal destaque é o Omoda 4, SUV de entrada anteriormente previsto para o fim de 2026 e agora programado para o primeiro semestre de 2027. Ele estreará o sistema híbrido pleno flex da marca.

No topo da gama, o Jaecoo 8, SUV híbrido de sete lugares, tem chegada prevista para o primeiro trimestre de 2027. Omoda 5 e Jaecoo 7 devem ganhar novas versões, enquanto os menores Omoda 2 e Jaecoo 3 continuam em desenvolvimento, com possibilidade de produção local.

A meta da operação é vender 150 mil veículos em 2027 com as duas marcas e ficar entre as cinco maiores do varejo brasileiro.

iCaur e Lepas terão operações próprias

A expansão da Chery International também inclui a estreia de iCaur e Lepas, ambas com operações independentes da Caoa Chery.

A iCaur, voltada a SUVs de linhas quadradas e proposta fora de estrada, começará a operar no primeiro semestre de 2027 com o V27. O SUV grande usa um sistema elétrico com extensor de autonomia. Na sequência, estão previstos o V25, no início do segundo semestre, e o compacto V23, que não deve chegar na configuração atual.

Icaur apresenta seus carros em evento na China
Icaur apresenta seus carros em evento na China
Foto: Divulgação / Estadão

Já a Lepas estreará no segundo semestre de 2027, com introdução gradual dos SUVs importados L8, L6 e L4. O L8 ocupará o topo da gama e compartilha plataforma com o Tiggo 9.

A eletrificação flex também integra os planos dessas operações. A Lepas é apontada como candidata a inaugurar a tecnologia entre as novas marcas do grupo, enquanto a iCaur deverá recebê-la posteriormente. O cronograma em relação ao Omoda 4 ainda precisa ser esclarecido.

Segundo Zhang, a multiplicação de marcas busca atender consumidores com perfis diferentes. A Chery tem proposta mais tradicional, enquanto Omoda, Jaecoo, iCaur e Lepas ocupam outros espaços de mercado.

"Algumas podem ter apenas uma pequena participação de mercado. Não precisam de grandes redes. Elas só dizem: 'esse tipo de pessoa realmente gosta disso'", afirmou.

Rede maior e engenharia brasileira

A rede da Omoda Jaecoo tem 110 revendedores no Brasil e deverá chegar a 150 até o fim de 2026, segundo Si. Zhang ressaltou, porém, que a expansão precisa preservar a rentabilidade dos concessionários.

"Precisamos limitar a quantidade porque precisamos proteger os benefícios de todos os revendedores. Se desenvolvermos muita rede e o revendedor ficar 'faminto', não será bom para o futuro", disse.

Outra frente será o reforço da equipe brasileira de pesquisa e desenvolvimento. O objetivo é adaptar motorização, dirigibilidade e equipamentos aos hábitos dos consumidores locais, com participação crescente da engenharia nacional.

A companhia também prevê introduzir gradualmente recursos como estacionamento autônomo e comunicação por inteligência artificial em alguns mercados a partir de 2027. A oferta dessas tecnologias no Brasil ainda não foi confirmada.

Estadão
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