Motoristas usam bonecos do Cristiano Ronaldo para enganar sistema da Tesla
Na China, condutores colocam uma cabeça de plástico em frente à câmera de monitoramento para não precisar prestar atenção na estrada
Enganar o sistema de monitoramento de motoristas dos carros da Tesla é mais fácil do que parece. Na China, condutores estão usando cabeças de bonecos de plástico com o visual do craque português Cristiano Ronaldo colocados no vidro do carro para driblar a tecnologia de segurança que exige que o motorista preste atenção na via.
Enquanto a maior parte das montadoras coloca o sistema de monitoramento do motorista atrás do volante ou na coluna A, a Tesla usa uma pequena câmera posicionada acima do espelho retrovisor. Mas alguns proprietários descobriram que o sistema não é infalível e confunde o boneco de plástico com um ser humano real.
Em entrevista à revista de tecnologia Wired, um motorista, que preferiu manter o anonimato, afirmou que colocou o boneco, com visual que parecia o ator Dwayne Johnson, o The Rock, durante uma viagem de mais de 600 quilômetros. A gambiarra funcionou por mais de 250 quilômetros e o condutor não foi incomodado pelos alertas de segurança do Model 3, que normalmente dispararam se ele não estiver prestando atenção na estrada à frente.
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O fenômeno tem ganhado as redes sociais e as plataformas de e-commerce. Em vídeos que viralizaram, motoristas usam bonecos com o visual de Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, The Rock e até figuras masculinas genéricas, compradas por valores entre R$ 40 e R$ 200 na internet.
O Full Self-Driving (Supervised), sistema de assistência mais avançado da Tesla, ainda não está totalmente disponível na China. Por lá, os motoristas podem acessar funcionalidades mais básicas, como controle de velocidade de cruzeiro, direção autônoma e piloto automático em algumas vias urbanas. A Tesla exige que os motoristas permaneçam atentos ao movimento na via e usa vários recursos de monitoramento, mas as pessoas estão buscando maneiras de contornar a segurança.
Nos Estados Unidos, por exemplo, motoristas tentam estratégias como usar óculos escuros para dificultar a ação das câmeras ou até instalar pesos no volante para simular a sensação das mãos guiando o veículo. Alguns buscam versões mais antigas dos carros da Tesla, com câmeras e sistemas menos eficazes e, portanto, mais sujeitos a trapaças.
Driblar os sistemas de segurança, é claro, é uma atitude extremamente perigosa para o próprio motorista e para outros carros. É possível que a Tesla tome medidas para aperfeiçoar o monitoramento dos motoristas. Mas é fundamental que tanto a marca de Elon Musk quanto outras fabricantes consigam mostrar para o mercado que seus sistemas autônomos são eficientes. Se uma câmera é enganada por um boneco do Cristiano Ronaldo, a credibilidade do sistema fica prejudicada.
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