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Baterias de estado sólido só serão produzidas em massa em 2030, afirma CATL; Dongfeng discorda

Maior fabricante de baterias do mundo aponta entraves técnicos para a tecnologia, enquanto a Dongfeng promete iniciar a produção em larga escala ainda neste ano

20 jun 2026 - 13h00
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Ah, as baterias de estado sólido. Tem gente, como a startup finlandesa Donut Lab, que promete a grande revolução dos carros elétricos para já. Pois é. Produção em massa e aposentadoria dos carros a combustão.

É fundamental, contudo, evitar cair no canto da sereia. A Donut Lab até apresentou ao mundo resultados otimistas de sua bateria de estado sólido. No entanto, além de muitas perguntas sem resposta, a startup (como outras empresas que vendem piritas) divulga dados que suscitam o ceticismo na comunidade.

Não à toa, o Dr. Robin Zeng, CEO da CATL, maior produtora de baterias do mundo, afirmou em entrevista à revista chinesa Caijing, que sua empresa só deve lançar baterias de estado sólido em larga escala a partir de 2030. Além disso, frisou que a tecnologia ainda não avançou o suficiente para atender à indústria em massa.

No caso das baterias de estado sólido, segundo Zeng, as restrições de engenharia limitam sua aplicação a carros do segmento premium chinês, ou seja, modelos acima de 250.000 yuans (cerca de R$ 187.700 em conversão direta).

Para iniciar a comercialização em larga escala, a CATL estabeleceu como meta o patamar de 1 milhão de veículos, algo que só está previsto para acontecer em 2030. Segundo a empresa, isso significa que a tecnologia de estado sólido está no nível 4 de 9 da escala de Nível de Prontidão Tecnológica.

O maior desafio dos engenheiros da CATL tem sido a prensagem do eletrólito sólido ao ânodo e ao cátodo. Para isso, utiliza-se uma prensagem isostática a quente sob pressão equivalente a 6.000 atmosferas.

No entanto, materiais com diferentes densidades de compactação enfrentam desalinhamentos estruturais sob altas pressões, impedindo a fabricação em larga escala.

Bateria de estado sólido: Dongfeng promete sair na frente

A Dongfeng, porém, parece estar com seu projeto em estágio mais avançado. A empresa, que chega ao Brasil ainda este ano, se prepara para iniciar a produção em larga escala de baterias de estado sólido já no segundo semestre.

As células produzidas pela Dongfeng prometem uma densidade energética de 350 Wh/kg. Com isso, a expectativa é que elas garantam cerca de 1.000 km de autonomia aos veículos que as equiparem.

Segundo a empresa, as novas baterias podem ser até 30% mais leves do que as atuais células de íons de lítio.

Nos testes realizados pela Dongfeng, a bateria de estado sólido permaneceu funcional mesmo após sofrer uma deformação de 50%. Ela também não apresentou sinais de fogo ou fumaça, mesmo sob temperaturas extremas de 170 ºC.

Já em climas frios, a bateria reteve 74% de sua carga — mantendo autonomia superior a 1.000 km — mesmo quando exposta a temperaturas inferiores a -30 ºC.

Estadão
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