GM oferece Chevrolet Onix em programa de demissão voluntária
Com baixa nas vendas, montadora registra adesão de 208 funcionários em plano de demissão que oferece até mesmo Chevrolet Onix
O desempenho nas vendas fez com que a General Motors promovesse Programa de Demissão Voluntária em sua fábrica de São Caetano do Sul (SP). Segundo o sindicato dos metalúrgicos local, 208 profissionais (198 de manufatura e 10 de ferramentaria) aderiram ao plano.
O pacote inclui sete salários e 24 meses de convênio médico ou o pagamento de R$ 48 mil. E mais: o funcionário pode ainda receber um Chevrolet Onix ou o montante de R$ 85 mil, disse o sindicato ao site AutoData.
"O motivo da abertura de PDV é a queda nas vendas, por causa da oscilação do mercado", comentou Aparecido Inácio Silva, o Cidão, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano.
À AutoData, a General Motors salientou que o plano "faz parte de processo contínuo de adequação operacional da companhia às atuais condições de mercado e aos níveis de demanda".
Atualmente, a unidade de São Caetano produz os Chevrolet Tracker, Spin e Montana. 7 mil funcionários trabalham na fábrica.
Queda da GM nas vendas
A GM promoveu nos últimos meses alguns períodos de suspensão temporária dos contratos de trabalho para equilibrar oferta e demanda. Tal evidencia a queda nas vendas da companhia no Brasil.
De acordo com dados da Fenabrave (Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores), a GM teve 275.965 automóveis e comerciais leves licenciados em 2025. Em 2024, por exemplo, foram 314.956 emplacamentos — queda de 12,4% no comparativo.
Sindicato de São José dos Campos quer PDV
Além do plano em São Caetano, os metalúrgicos da planta da GM em São José dos Campos (SP) aprovaram a exigência de abertura de um PDV na última segunda-feira, 23. A medida surge como uma contraofensiva do sindicato às recentes demissões "a conta-gotas" na unidade, que já somam cerca de 30 cortes desde o início do ano, atingindo majoritariamente o setor administrativo.
A proposta será levada formalmente à diretoria da montadora em reunião agendada para esta sexta-feira (27). O objetivo é substituir os cortes compulsórios por um modelo de adesão voluntária que garanta pacotes de benefícios superiores à rescisão comum, incluindo indenizações maiores e a manutenção do plano de saúde. Segundo o secretário-geral do sindicato local, Renato Almeida, a prioridade da categoria é estancar a instabilidade e assegurar garantias de emprego na planta.
O sindicalista também busca abrir um canal direto de diálogo com o novo presidente da GM na América do Sul, Thomas Owsianski. A intenção é discutir o futuro da unidade no contexto da parceria estratégica com a Hyundai, que prevê o desenvolvimento conjunto de quatro novos veículos (um SUV, um carro de passeio e duas picapes) para os mercados das Américas Sul e Central até 2028.
Atualmente, a fábrica de São José dos Campos conta com cerca de 3.200 colaboradores e é responsável pela produção dos modelos S10 e Trailblazer, além de motores e transmissões. O sindicato defende que a unidade seja incluída na linha de montagem dos novos projetos globais para garantir a sustentabilidade da operação a longo prazo.