Concessionária vende carro como se fosse refrigerante; veja como funciona
Carvana, nos EUA, criou uma torre de carros que funciona como a primeira 'vending machine' do setor automotivo
Imagine comprar um carro como se fosse um refrigerante? Se soa distante, saiba que já existe uma solução do gênero: concessionárias Carvana, nos Estados Unidos, contam com vending machines de automóveis.
A ideia é inspirada nas máquinas que vendem bebidas e salgadinhos e salvam a vida de muitos esfomeados em estações de metrô, hospitais e outros espaços de grande circulação. Só que, para entregar carros, a vending machine da Carvana é um tanto maior do que aquelas mais conhecidas: um prédio envidraçado de até 12 andares e espaço para armazenar 43 veículos.
Como comprar carro em uma vending machine?
Na prática, a máquina de vendas de carros é muito mais voltada à entrega dos veículos. A venda em si acontece online. Após efetuar todo o processo e assinar o contrato, o cliente recebe uma moeda personalizada.
Esta moeda é a "chave" para receber sua nova compra. Bastava inserir na vending machine para uma mão robótica entrar em ação, localizar e buscar o veículo, que era entregue na sua frente.
É como jogar naquelas máquinas de pegar bicho de pelúcia sabendo que, com certeza, vai ganhar. A primeira estrutura do gênero foi instalada na cidade de Nashville, no estado do Tennessee, em 2015, mas ainda com uma estrutura mais simples.
Hoje, são quase 40 vending machines espalhadas pelos Estados Unidos. Várias localidades nos EUA ainda trazem o serviço de entrega do carro na casa do cliente no mesmo dia da compra.
Vending machine de carros daria certo no Brasil?
Embora a Carvana não opere no mercado brasileiro, caso alguma concessionária nacional decida seguir o exemplo e oferecer a vending machine localmente é provável que tenha sucesso.
Essa é a opinião de Lúcio Gruch, head of sales da Indicata Retail Brasil. "Seria interessante porque os brasileiros são early addopters de tecnologia. Faria muito sentido localmente", observa o especialista.
Carvana é 'Amazon dos carros'
A Carvana tornou-se uma gigante do varejo de modelos usados e é chamada de "Amazon" dos automóveis. Para se ter uma noção, em 2018, Nova Iorque foi a 78ª cidade americana a ter entregas da "concessionária digital". Atualmente são mais de 300 localidades.
Sem cobranças extras e sem intermediação de vendedores, a Carvana fez nome ao simplificar ao forma de vender carro na web. "A proposta da empresa sempre foi a de oferecer transparência", diz Groch.
Nem test-drive a companhia oferecia. O cliente comprava o carro e dava um prazo de sete dias para devolução - e nem precisava da explicação.
A entrega do veículo poderia até ser feita em casa mediante ao pagamento de uma taxa. Os carros eram embalados em sacolas gigantes (com o logotipo da marca e uma frase de agradecimento) e despachados em caminhões. Até a criação da vending machine.
Após notícias que entraria em falência, a empresa começou um um plano de recuperação e reestruturação que levaria 18 meses. A companhia reduziu custos na casa de US$ 1 bilhão, diminuiu seu quadro de funcionários cortando mais de 4 mil pessoas, implementou novas ferramentas digitais para tarefas que eram feitas manualmente e também introduziu inteligência artificial para realizar outros processos internos.
O resultado foi que, em 2024, a Carvana vendeu mais de 400 mil unidades e teve um faturamento superior a US$ 13 bilhões.
No ano passado, a empresa norte-americana fez outro movimento estratégico. Adquiriu a Adesa, companhia especializada em leilões de carros, por mais de US$ 2 bilhões.
A Adesa tem 56 centros automotivos de leilão nos EUA e essa estrutura será amplamente usada pela Carvana para inspecionar, recondicionar seus veículos usados e, claro, vendê-los no mercado, além de continuar a operação de leilões que é extremamente forte no continente americano. Somadas todas as capacidades, é espero que o negócio possa render mais de 1,5 milhão de unidades por ano.