Leapmotor vira arma elétrica da Stellantis no Brasil contra BYD e GWM
Não se trata apenas de fabricar elétricos no país. Trata-se de mudar completamente a forma como a Stellantis vai disputar o mercado
A produção nacional da Leapmotor já é um plano conhecido desde 2024. A novidade que começa a circular agora dentro da indústria é outra – e muito mais estratégica. A Stellantis prepara a marca chinesa para assumir o papel de “linha de frente” da eletrificação no Brasil, protegendo as marcas tradicionais do grupo da guerra de preços que se aproxima.
Não se trata apenas de fabricar elétricos no país. Trata-se de mudar completamente a forma como a Stellantis vai disputar o mercado. Essa situação já havia sido considerada pelo Guia do Carro antes mesmo da confirmação da produção de carros da Stellantis no Brasil.
A mudança de estratégia que surgiu nos bastidores
Até pouco tempo, o plano das montadoras tradicionais era eletrificar gradualmente suas próprias marcas. A realidade do mercado mudou mais rápido do que o esperado com a ofensiva das chinesas. BYD e GWM passaram a disputar diretamente o consumidor de volume com preços agressivos e alto conteúdo tecnológico.
Isso criou um dilema para grupos tradicionais: lançar elétricos baratos com suas marcas pode canibalizar modelos a combustão e híbridos que ainda sustentam a rentabilidade. A situação se tornou urgente com a chegada de novas marcas chinesas, como Geely, Omoda Jaecco e GAC. Na prática, a Leapmotor ganhou um duplo papel: crescer por si mesma e pavimentar a estrada dos EVs para a as marcas tradicionais da casa.
A lógica do “escudo elétrico”
Nos bastidores, a estratégia começa a ser descrita da seguinte forma: a Leapmotor funcionaria como uma marca-barreira para enfrentar a guerra de preços dos elétricos. Na prática, a Stellantis poderia manter Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën focadas em combustão e híbridos, usar a Leapmotor para brigar no segmento de elétricos acessíveis e evitar desvalorização precoce dos modelos tradicionais.
É uma solução que resolve dois problemas ao mesmo tempo: competir com chinesas e preservar margens das marcas históricas. Entretanto, alguns analistas consideram que mesmo, assim as marcas tradicionais da Stellantis não poderão ficar muito tempo sem oferecer elétricos puros com preços competitivos. Nesse caso, essas marcas podem usar a plataforma elétrica da Stellantis, mudando apenas a carroceria e o interior de seus carros.