Aceleramos: Dark Horse é a versão de linha mais magnética já feita do Ford Mustang
Mustang ganha terceira versão no Brasil, mas o Dark Horse tem muitas diferenças em relação ao GT Performance e é ainda mais rápido
Embora seja o maior ícone atual da Ford, o Mustang levou décadas para chegar de forma oficial ao Brasil. O clássico esportivo lançado em 1964 só desembarcou por aqui em 2018. Porém, desde então o mercado mudou, seu principal concorrente se despediu (Chevrolet Camaro) e a Ford está sabendo aproveitar essa lacuna como nenhuma outra marca. O novíssimo Mustang Dark Horse, que acaba de desembarcar por R$ 649 mil, é a prova máxima disso.
Trata-se da versão mais extrema feita em série do muscle car. O Dark Horse, como a própria montadora apresentou, está em outra prateleira em termos de desempenho. Não que a versão GT Performance já não entregue o suficiente. Entretanto, o novo modelo (a 3ª versão distinta do Mustang na atual geração no País) está mesmo em outro patamar. São muitas modificações para entregar alto desempenho em pista - em sem fadigar.
Nessa história de capitalizar o ícone, a Ford se superou e traz um Mustang que muda até o emblema clássico. Além do tradicional logotipo do cavalo galopante na grade e no volante, o Dark Horse traz um escudo diferente, em formato de ferradura e, pela primeira vez, com a face do cavalo de frente, cum um olhar mais furioso. O visual do modelo também apresenta diferenças e é ainda mais provocante que nas versões GT e Manual.
Um Mustang para acelerar ainda mais
Pela primeira vez em uma versão de linha, o Mustang supera a barreira dos 100 cv por litro. O motor 5.0 V8 Coyote naturalmente aspirado a gasolina entrega 15 cv a mais que no GT Performance, chegando a 507 cv de potência máxima a 7.250 rotações por minuto. O torque se mantém em 57,8 mkgf (567 Nm) a 4.900 rpm, assim como o câmbio automático de dez marchas.
Entretanto, o Dark Horse tem uma série de ajustes para entregar algo mais em circuitos fechados. O Motor Coyote, por exemplo, usa as bielas e virabrequins da lendária versão preparada GT 500, enquanto a transmissão apresenta nova calibração, principalmente nas reduções de marcha, que são mais dinâmicas, com pegada de carro de corrida. Já a tração traseira conta com diferencial Torsen dotado de sistema de arrefecimento, para não superaquecer sob condição de uso extremo.
A suspensão independente e adaptativa também ganhou reforços. Por exemplo, as molas dianteiras são mais rígidas que nos outros Mustang (GT e Manual). Além disso, o Dark Horse traz uma barra estabilizadora sólida na traseira e freios de alta performance da Brembo com discos dianteiros flutuantes, que também entregam maior resistência ao calor gerado pelo uso intenso. Por fim, a versão tem pneus mais largos e a direção é 25% mais direta.
Com as mudanças, o Mustang Dark Horse é simplesmente 6 décimos de segundo mais rápido que os demais na tomada de aceleração de 0-100 km/h. São 3,7 segundos apenas, contra 4,3 segundos do GT Performance. A Ford até brincou na hora de revelar o preço: colocou um gráfico comparando o preço de modelos alemães que entregam o 0-100 km/h abaixo de 4 segundos. O BWM M3 Competition, por exemplo, leva 3,9 segundos e custa R$ 892.950. Já o Porsche 911 Carrera S leva 3,5 segundos e tem tabela inicial de R$ 1,1 milhão.
Como é acelerar o Mustang Dark Horse
É claro que a brincadeira com os alemães faz parte do marketing. Mas uma vez ao volante do Mustang Dark Horse, a diferença de entrega da nova versão é nítida, sobretudo em pista fechada. Neste primeiro contato, dirigimos em ambiente civil, indo e voltando de São Paulo até o circuito Velocitta, em Mogi Guaçu, no interior paulista. Foi interessante para perceber que, apesar de toda a preparação, o Dark Horse pode ser "dócil".
A bordo, o Mustang mais extremo é basicamente como os demais, com pacote de equipamentos sofisticado e bastante completo. Há desde ar-condicionado de duas zonas até recursos semiautônomos do pacote ADAS, reforçando bastante a segurança. Tem até sistemas de detecção de buracos e de manobra evasiva. O painel combina duas grandes telas, com display de 12,4 polegadas para o quadro de instrumentos e outro de 13,2? para o multimídia. Ambos são personalizáveis e oferecem vasta quantidade de recursos, que incluem até receber atualizações remotas "pelo ar" (OTA).
Dito isso, as diferenças para os demais modelos são sutis, mas dão um charme a mais para o Dark Horse. Por exemplo, os bancos (dianteiros com aquecimento e ventilação), o miolo das portas e a parte interna do volante são cobertos com couro Suede. As costuras são azuis e há uma plaquinha de identificação com o nome Dark Horse e a numeração de cada exemplar produzido da versão no painel. São toques que reforçam a exclusividade.
Mas o ponto alto é mesmo ao volante. As diferenças logo ficaram nítidas ao entrar na pista do circuito Velocitta. Assim que saí dos boxes, apontei na primeira curva em alta, e o Mustang Dark Horse sutilmente escorregou de lado, mantendo absoluto controle. A direção apresenta respostas prontas, enquanto o câmbio automático é mais rápido nas trocas, sobretudo nas reduções, auxiliando o esportivo em frenagens mais fortes.
Aliás, o poder de frenagem do Mustang Dark Horse impressiona. Foram quatro voltas com o pé direito afundando o acelerador até o assoalho e, além de entregar maior equilíbrio dinâmico, graças aos reforços na suspensão e nas barras estabilizadoras, o cupê não deu sinais de fadiga nos freios, dando mais confiança ao "piloto". Uma marca do modelo, o motor 5.0 V8 Coyote enche rápido e entrega 80% do torque máximo já a partir de 2.500 rotações, fazendo com que o esportivo ignore seus 1.832 kg.
Assim como as demais versões, o Dark Horse tem seis programas de ajuste de condução, e permite personalizar vários parâmetros. No circuito, utilizamos o "modo Pista", que libera o melhor do modelo. Foram cerca de 10 minutos acelerando no circuito, e a vontade foi de dar mais algumas voltas, afinal, o carro não demonstrou estar cansado e no limite. Os pneus mais largos no eixo traseiro foram essenciais para deixar o Mustang grudado no asfalto. Sem dúvida um modelo para quem quer acelerar e que não tem hoje concorrentes diretos no mercado.
PRÓS
Versão Dark Horse entrega ao volante o que promete no visual, ou seja, acelera mais forte e de forma mais controlada, sem fadigar em pista; pacote de conteúdos é completíssimo.
CONTRAS
Muscle car é pesado, leva apenas quatro passageiros (com certo aperto no banco traseiro) e alguns sistemas eletrônicos são um tanto invasivos, como o assistente de manutenção de faixa.
FICHA TÉCNICA
Ford Mustang Dark Horse
- Motor: 5.0, V8, gasolina
- Potência: 507 cv a 7.250 rpm
- Torque: 57,8 mkgf a 4.900 rpm
- Câmbio: Automático sequencial, 10 marchas; tração traseira
- Comprimento: 4,82 metros
- Largura: 1,96 metro
- Altura: 1,40 metro
- Distância entre-eixos: 2,72 metros
- Tanque de combustível: 60 litros
- Volume do porta-malas: 377 litros
- Peso (ordem de marcha): 1.832 kg
- Rodas e pneus: 19?, 255/40 (diant.) e 275/40 (tras.)
- Aceleração 0-100 km/h: 3,7 segundos
- Velocidade Máxima: 250 km/h (limitada eletronicamente)
- Preço sugerido: R$ 649.000
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