CES 2026: conheça o carro que tem o primeiro volante que 'desaparece' do mundo
No Robocar da Tensor, a direção aprende a (literalmente) a sumir quando a inteligência artificial assume o controle
A Autoliv, em parceria com a Tensor, apresentou o primeiro volante retrátil do mundo pensado para veículos autônomos de produção. É isso mesmo. Quando você não precisa, o principal ponto de contato entre humano e automóvel simplesmente desaparece.
A estreia acontece no Tensor Robocar, previsto para entrar em produção no segundo semestre de 2026. No modo "vida normal", ele é um carro como outro qualquer, com tudo onde deveria estar. No entanto, basta o sistema assumir o comando em Nível 4 para o volante sumir do mapa, liberando espaço e transformando o posto do motorista em algo mais próximo de um lounge do que de um cockpit. Desse modo, a cabine vira um espaço multifuncional, quase um coworking sobre rodas.
O detalhe elegante, e crucial, é que a segurança também muda de personalidade junto com o carro. A Autoliv redesenhou a lógica dos airbags para cumprir a dupla jornada. Com volante recolhido, entra em ação um airbag de passageiro integrado ao painel. O carro muda de modo, e os sistemas de proteção acompanham. Nada de gambiarra futurista. Solução engenhosa e pés no chão de uma empresa que é referência nessa seara.
Carro com volante retrátil é ousado
A proposta da empresa é clara e, convenhamos, ousada: um veículo autônomo de uso pessoal, projetado desde a prancheta para o Nível 4. Nada de adaptação posterior, nada de pegar um carro "normal" e enchê-lo de sensores. Aqui, a autonomia não é um acessório. É a essência.
Visualmente, o Robocar evita o futurismo gritante. É um sedã elétrico prateado, baixo, aerodinâmico, com um gigantesco halo de LiDAR no teto, retrovisores por câmera, iluminação embutida e detalhes em preto que dão ao modelo ar sofisticado, diferente de qualquer ficção científica barulhenta. Blade Runner encontra Audi A7.
Por baixo da carroceria, a coisa fica mais intensa. Temos cinco unidades de LiDAR, mais de uma dúzia de câmeras, radar e mais de 100 sensores espalhados pelo veículo. Tudo isso processado localmente por uma GPU da Nvidia.
No fim das contas, o volante retrátil não é apenas um truque engenhoso. É um símbolo claro de transição. O automóvel está deixando de ser exclusivamente uma máquina de dirigir para virar um espaço de estar. E, nesse novo mundo, o volante não some, mas sim aprende a hora certa de sair de cena. Como todo protagonista maduro deveria saber fazer.