Toyota Yaris Cross flex: vale economizar R$ 11 mil e fugir do híbrido?
Testamos a versão topo de linha XRX de R$ 178.990 para conhecer o fôlego do motor 1.5 flex e o que muda em relação ao SUV eletrificado
O Toyota Yaris Cross chegou com a missão de ser o primeiro SUV compacto eletrificado do mercado brasileiro. No entanto, o modelo também não deixou de lado as configurações somente a combustão, que devem representar grande parte das vendas do Yaris Cross no Brasil. Pensando nisso, nós também testamos o modelo em sua versão topo de linha XRX (R$ 178.990) para saber se a diferença de R$ 11 mil a menos do que o modelo híbrido vale a pena na hora da compra.
Ao volante do Toyota Yaris Cross
Assim como nas versões híbridas, o nosso primeiro contato com o novo Toyota Yaris Cross aconteceu no Autódromo Fazenda Capuava, no interior de São Paulo. Durante o nosso breve teste, foi possível tirar algumas conclusões em relação ao SUV, e principalmente, conferir de perto as diferenças entre as versões a combustão e eletrificadas no mesmo ambiente.
Durante o teste, o Toyota Yaris Cross se mostrou um carro bem confortável e fácil de dirigir. Ele conta com uma suspensão mais voltada para a maciez e conforto, mas sem inclinar muito a carroceria em curvas mais fechadas. A direção elétrica é leve em manobras, e o diâmetro de giro é bem melhor do que o dos antigos Yaris Hatch e Sedan, dos quais o Yaris Cross aproveita só o nome.
Ao acelerar, o desempenho das versões a combustão é melhor do que o das híbridas, embora também não chegue a empolgar. As versões XR, XRE e XRX do Toyota Yaris Cross trazem o motor 1.5 flex de 122 cv e 150 Nm, sempre com câmbio automático do tipo CVT com sete marchas simuladas, sendo a última uma overdrive com engrenagens convencionais.
A partir da versão XRE, o modelo também conta com paddle shifts atrás do volante para trocas de marcha manuais. O tanque de combustível também é maior, passando de 36 litros para 42 litros nas configurações flex. Apesar dos 11 cv extras e 30 Nm a mais de torque no motor a combustão, o desempenho é semelhante ao da configuração eletrificada.
Consumo do híbrido pode ser fator decisivo
A principal diferença fica para as saídas de semáforo e arrancadas, nas quais o torque extra do motor eletrificado faz a diferença a favor do híbrido. A potência maior do conjunto a combustão é mais presente em velocidades mais elevadas, nos quais o Yaris Cross flex parece um pouco “mais solto”. No entanto, ele ainda passa longe de empolgar.
Ao acelerar mais forte, o aumento no ruído do motor também se faz presente. Assim como nas versões híbridas, um conjunto turbinado com potência e torque maiores faria bem. Principalmente com o Yaris Cross carregado de pessoas e bagagens. No entanto, a principal desvantagem da versão flex é não ter o mesmo consumo do híbrido.
De acordo com o Inmetro, o Toyota Yaris Cross XRX faz 12,6 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada com gasolina. Com etanol, são 8,8 km/l e 10,2 km/l, respectivamente. Já as configurações híbridas obtêm médias de até 17,9 km/l com gasolina na cidade – e 15,3 km/l na estrada. Com etanol, as médias são de 13,2 e 10,7 km/l.
Como é o Toyota Yaris Cross por fora
O visual das versões flex do novo Toyota Yaris Cross é idêntico ao das configurações híbridas, com exceção da presença dos logotipos HEV nas opções eletrificadas. Medindo 4,31 m de comprimento, 1,77 m de largura, 1,65 m de altura e com entre-eixos de 2,62 m, o Toyota Yaris Cross vendido no Brasil é feito sobre a plataforma DNGA de origem Daihatsu, com mais espaço interno e dimensões maiores do que as do Yaris Cross europeu.
Por fora, o design se inspira no irmão maior RAV4. Na dianteira, os faróis são em LED e trazem formato angular, assim como a grade frontal. Na lateral, as rodas de até 18” contam com acabamento diamantado, e há teto com pintura contrastante. Na parte traseira, é onde o Yaris Cross lembra mais o RAV4, com destaque para as lanternas que invadem a tampa do porta-malas.
Como é o Toyota Yaris Cross por dentro
No interior do Toyota Yaris Cross, a primeira impressão é positiva. O acabamento conta com peças majoritariamente em plástico rígido, mas com bons encaixes. No painel, há uma faixa em couro sintético na parte intermediária. O destaque fica para a central multimídia Toyota Play 2.0 de 10” com Apple CarPlay e Android Auto sem fio, que conta com tela de boa resolução e interface intuitiva.
Também gostamos dos comandos físicos para o ar-condicionado digital e no volante. No entanto, o painel de instrumentos com tela de 7” merecia um layout mais moderno. Sentimos falta, também, de bancos com ajuste elétrico para o motorista pela faixa de preço cobrada pela versão topo de linha. Pelo valor do veículo, as câmeras de visão 360º também poderiam ter uma resolução maior.
Nos bancos de trás, há apoio de braço central e saídas de ar-condicionado. O espaço é na média da categoria, e abriga dois adultos com certo conforto. O porta-malas sobe para 400 litros de capacidade nas versões flex – nas híbridas, ele leva até 391 litros. Na versão topo de linha XRX, ele ainda conta com abertura e fechamento elétricos.
Pacote recheado de itens de série
Dentre os itens de série, a versão XR traz faróis de LED, rodas de liga leve de 17”, lanternas full LED, bancos em tecido, central multimídia, comandos integrados ao volante, partida por botão e ar-condicionado com saídas de ar traseiras.
Todas as versões do Yaris Cross são equipadas com seis airbags (dois frontais, dois laterais e dois de cortina), freio de estacionamento eletrônico com função Hold, sistema ISOFIX para fixação de cadeirinhas infantis, freios ABS com distribuição eletrônica de frenagem (EBD), controle de estabilidade (VSC), controle de tração (TRC) e assistente de partida em rampa (HAC).
Nas versões XRE e XRE Hybrid, há faróis de LED, rodas diamantadas de 17”, sistema Smart Entry com chave presencial, ar-condicionado digital automático, bancos revestidos em material premium, carregador por indução para o celular, painel digital com tela TFT de 7”, faróis de neblina em LED, câmera de ré e sensor de estacionamento traseiro.
A partir da versão XRE, há ainda o pacote Toyota Safety Sense (TSS), que inclui Controle de Cruzeiro Adaptativo (ACC), Sistema de Alerta de Mudança de Faixa (LKA) com Assistente de Permanência de Faixa (LKC), Sistema de Pré-Colisão Frontal (PCS) e Farol Alto Automático (AHB).
Já as versões topo de linha XRX e XRX Hybrid (a que testamos), incluem rodas diamantadas de 18”, iluminação ambiente na cabine, monitor de ponto cego, câmeras 360°, sensor de estacionamento dianteiro, abertura elétrica do porta-malas com sensor de movimento, Toyota Serviços Conectados e teto solar panorâmico.
Vale a pena levar o Toyota Yaris Cross flex para casa?
O Toyota Yaris Cross flex complementa o leque de versões do SUV compacto, ajudando a manter o preço inicial mais baixo. Para isso, ele abre mão do ótimo consumo de combustível e das vantagens da isenção do rodízio em São Paulo e do IPVA mais baixo. Para quem roda majoritariamente em trajetos urbanos, a versão híbrida pode valer até os R$ 11 mil de diferença no preço, que são compensados pelas demais vantagens.
No entanto, para quem costuma andar mais em trechos rodoviários ou que não abre mão de pagar menos nas versões XR e XRE, pode optar pelo Yaris Cross flex, uma vez que o consumo rodoviário não é tão diferente e ainda há mais potência e torque no motor a combustão, que é mais utilizado nesta situação.
Ainda assim, ele mantém os principais diferenciais da marca japonesa, como a garantia de até 10 anos, o pós-venda e a confiabilidade. Por outro lado, na mesma faixa de preços, já é possível encontrar modelos mais potentes (eletrificados ou não) de outros segmentos e marcas, incluindo chineses.