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Dragon Quest VII Reimagined transforma um JRPG clássico em experiência contemporânea

Releitura moderniza ritmo, visual e sistemas sem perder a essência do clássico do PlayStation

2 fev 2026 - 11h58
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Dragon Quest VII Reimagined transforma um JRPG clássico em experiência contemporânea
Dragon Quest VII Reimagined transforma um JRPG clássico em experiência contemporânea
Foto: Reprodução/Square Enix

Lançado em 2000 para o primeiro PlayStation, Dragon Quest VII nunca foi um RPG fácil de classificar. Em uma franquia conhecida por respeitar tradições, ele surgiu como um capítulo deliberadamente diferente, mais interessado em explorar tempo, memória e consequências do que em conduzir o jogador rapidamente a um confronto épico. Era um jogo que exigia paciência — e, justamente por isso, acabou se tornando um dos mais marcantes da história dos JRPGs.

Com mais de 100 horas de duração em sua versão original e uma estrutura narrativa fragmentada, Dragon Quest VII se consolidou como um dos capítulos mais longos, densos e controversos da série. Agora, mais de duas décadas depois, a Square Enix revisita essa obra com Dragon Quest VII Reimagined, uma nova releitura pensada para plataformas modernas — e, principalmente, para um público que mudou sua relação com tempo e ritmo nos videogames.

Mais do que uma simples atualização visual, Reimagined aposta em qualidade de vida, reestruturação narrativa e conteúdo inédito, buscando oferecer aquilo que muitos fãs sempre imaginaram como a versão definitiva do clássico. O resultado é uma experiência que tenta equilibrar respeito ao passado com sensibilidade às exigências do presente. Confira a seguir aqui no Game On o que achamos dessa releitura.

Uma narrativa construída aos poucos

A história começa de forma curiosa: o mundo inicial parece limitado a uma única ilha, onde vive o protagonista — nomeado pelo jogador — ao lado de Maribel, filha do prefeito, e Kiefer, príncipe do Castelo Estard. O trio compartilha um gosto por aventuras improvisadas, que os leva a descobrir fragmentos misteriosos capazes de restaurar partes esquecidas do mundo ao permitir viagens ao passado.

Essas viagens não servem apenas como mecânica de progressão, mas como eixo temático da narrativa. Ao revisitar civilizações apagadas da história, o jogador se depara com tragédias, erros humanos, injustiças e decisões que nunca foram plenamente resolvidas. A missão não é simplesmente “salvar” esses lugares, mas entender o que foi perdido — e aceitar que nem tudo pode ser consertado.

Com o avanço da jornada, o mapa antes restrito se expande gradualmente, revelando continentes inteiros, cada um com seus próprios conflitos e dilemas. Cada vila funciona como um pequeno conto moral, e o impacto emocional nasce da repetição desse ciclo: observar o passado, intervir quando possível e conviver com as marcas deixadas no presente.

Dragon Quest VII Reimagined traz uma campanha mais enxuta que pode ser completada em 30/40 horas
Dragon Quest VII Reimagined traz uma campanha mais enxuta que pode ser completada em 30/40 horas
Foto: Reprodução/Marcio Pacheco

Somente em cerca de 30% final da campanha o jogo assume uma estrutura épica mais tradicional dos JRPGs, unindo seus protagonistas contra uma ameaça maior que coloca toda a humanidade em risco — um contraste proposital com a abordagem intimista que define a maior parte da experiência.

O Dragon Quest VII original é lembrado — e frequentemente criticado — por seu início lento e excessivamente prolongado. Levava horas até que o jogo revelasse sua verdadeira escala. Em Reimagined, essa crítica foi levada a sério: a campanha foi enxugada, reorganizada e tornada mais fluida, sem eliminar seus momentos contemplativos.

O que antes podia ultrapassar facilmente as 100 horas agora pode ser concluído em algo entre 30 e 40 horas, dependendo do estilo de jogo. É uma mudança significativa, que não descaracteriza a proposta original, mas a torna mais acessível e menos punitiva para novos jogadores.

Estética de diorama

Visual do jogo se destaca ao adotar uma direção artística inspirada em dioramas
Visual do jogo se destaca ao adotar uma direção artística inspirada em dioramas
Foto: Reprodução/Marcio Pacheco

Visualmente, Dragon Quest VII Reimagined se destaca ao adotar uma direção artística inspirada em dioramas e modelos físicos escaneados, criando cenários que remetem a miniaturas detalhadas ou a um jogo de tabuleiro cinematográfico — uma abordagem que lembra, em espírito, Fantasian Neo Dimension, de Hironobu Sakaguchi.

Essa escolha não é apenas estética. Ela reforça visualmente a ideia de um mundo quebrado e reconstruído fragmento por fragmento, transformando a própria ambientação em linguagem narrativa. Cada vila restaurada parece algo cuidadosamente reposicionado no mundo, quase como uma memória materializada.

O resultado é uma releitura que funciona tanto como atualização técnica quanto como interpretação artística, preservando o charme dos personagens criados por Akira Toriyama sem comprometer a clareza visual ou a identidade da série.

Combate clássico, personalização ampliada

O combate por turnos permanece fiel às raízes de Dragon Quest, mas recebeu ajustes importantes
O combate por turnos permanece fiel às raízes de Dragon Quest, mas recebeu ajustes importantes
Foto: Reprodução

O combate por turnos permanece fiel às raízes de Dragon Quest, mas recebeu ajustes importantes. Entre as melhorias estão monstros visíveis no mapa, a eliminação de encontros aleatórios, ataques preventivos fora de combate e a possibilidade de combinar duas vocações simultaneamente, abrindo novas possibilidades estratégicas.

Para quem prefere uma experiência mais ágil, o jogo oferece ajustes de velocidade das batalhas, recuperação automática de vida, combates automáticos e opções de dificuldade. É um conjunto de ferramentas que respeita o jogador e permite moldar a experiência ao próprio ritmo.

O sistema de vocações continua sendo um dos pilares da progressão. Algumas classes estão disponíveis desde o início, enquanto outras, mais avançadas, são desbloqueadas conforme critérios específicos ao longo da aventura.

Cada vocação libera novas habilidades e técnicas, permitindo construções variadas — de guerreiros focados em força bruta a magos especializados, ou híbridos que exploram o melhor de dois mundos.

Infelizmente, Dragon Quest VII Reimagined não conta com localização em português. Todos os textos, menus e legendas estão disponíveis apenas em inglês, o que pode afastar parte do público brasileiro, especialmente considerando o peso narrativo e a quantidade de leitura exigida pelo jogo.

Considerações

Dragon Quest VII Reimagined - Nota 8,5
Dragon Quest VII Reimagined - Nota 8,5
Foto: Divulgação / Game On

Dragon Quest VII Reimagined vai além da ideia de um “remake bem-feito”. Ele representa um reposicionamento narrativo e técnico de uma obra que sempre foi ambiciosa demais para seu próprio tempo. Ao preservar sua essência e, ao mesmo tempo, modernizar estrutura, ritmo e acessibilidade, o jogo encontra um novo equilíbrio — mais compatível com a forma como jogamos hoje.

E isso, para um RPG que nasceu em um tempo de CDs e textos infinitos, é uma virada de página digna de um épico moderno. Para veteranos, é uma nova forma de olhar para um clássico. Para novos jogadores, é a porta de entrada para um dos JRPGs mais humanos já produzidos.

Dragon Quest VII Reimagined chega em 5 de fevereiro para PC, PlayStation 5, Switch, Switch 2 e Xbox Series. Uma demo gratuita está disponível.

Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Square Enix.

Fonte: Game On
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