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Aviãozinho do Tráfico 3 reforça o bom momento do mercado brasileiro de jogos

FPS brasileiro aposta no humor e no ritmo acelerado para se destacar

23 jan 2026 - 22h24
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Aviãozinho do Tráfico 3 reforça o bom momento do mercado brasileiro de jogos
Aviãozinho do Tráfico 3 reforça o bom momento do mercado brasileiro de jogos
Foto: Reprodução / Joeveno

Jogos que apostam em humor escrachado costumam caminhar em uma linha perigosa, ainda mais quando usam referências muito específicas da cultura brasileira. É fácil exagerar, ficar caricato demais ou transformar tudo em piada vazia. Aviãozinho do Tráfico 3 surge justamente nesse ponto de risco, assumindo sem vergonha nenhuma sua identidade absurda.

O mais curioso é que, mesmo com um nome que já diz tudo sobre o tipo de experiência que vem pela frente, o jogo não se limita a viver apenas da piada. Por trás do caos, das referências óbvias e do exagero proposital, existe uma estrutura de jogo bem definida, que bebe direto da fonte dos clássicos do FPS e usa o humor como identidade, e de forma bem competente. 

Hora de fechar o portal

Falar da história de Aviãozinho do Tráfico 3 é um pouco cômico, mas no bom sentido, já que o próprio nome completo do jogo já nos situa sobre o que está por vir. Certo dia, um grande fã do cantor Mit Aia decide tentar revivê-lo, mas, como era de se esperar, tudo dá errado e um portal do inferno é aberto em meio à comunidade.

Com o portal se abrindo inicialmente no Rio de Janeiro e os demônios espalhando o caos por praticamente todo o Brasil após o ritual, o inferno chega à Terra em uma vibe que lembra bastante DOOM. No meio disso tudo, apenas o protagonista, que causou essa confusão, pode resolver o problema. A história acaba mostrando até onde o fanatismo por um ídolo que já se foi pode levar alguém.

Mesmo sendo um título com forte foco no humor, principalmente por satirizar vários elementos do Brasil e da nossa cultura, o jogo consegue fazer isso de forma surpreendentemente respeitosa. As piadas não soam ofensivas ou gratuitas, o que ajuda bastante a experiência como um todo.

Foto: Reprodução / Joeveno

Boa parte dos inimigos usam uniformes que fazem referência ao Flamengo, além de termos cachorros caramelo e capivaras possuídas. Também aparecem figuras como o pessoal da Carreta Furacão e até um inimigo que parece ter saído diretamente do Roblox, que por sinal é bem chatinho de derrotar. Um detalhe que rende boas risadas é a forma como a vida do personagem é representada, usando aqueles emojis que aparecem com frequência em montagens na internet. 

Falando assim, pode até parecer que o jogo é só uma sátira atrás da outra, mas a forma como ele trabalha marcas e locais sem citar nomes diretamente, apenas sugerindo visualmente, funciona muito bem. Basta bater o olho para entender a referência, mesmo com toda a invasão demoníaca acontecendo ao fundo.

Na jogabilidade, o trabalho da desenvolvedora também é competente. A maioria das armas segue essa identidade brasileira, como a arma corpo a corpo sendo uma sandália e a arma principal tendo um visual todo enferrujado. Os confrontos são exatamente o que se espera de um jogo que bebe direto da fonte de Quake e DOOM. O ritmo é acelerado, os combates são frenéticos e ficar parado quase sempre significa perecer rápido.

Foto: Reprodução / Joeveno

As fases são bem variadas. Algumas se passam em áreas mais abertas dentro da comunidade, enquanto outras acontecem em espaços menores, com inimigos que causam bastante dano. No geral, explorar esses cenários é divertido. O único ponto que acabou incomodando foi a trilha sonora, que se torna enjoativa com o tempo e não acompanha tão bem os momentos de ação.

Além do modo história, o jogo conta com um modo multijogador, permitindo jogar ao lado de um amigo. Ainda assim, o grande destaque fora da campanha é o workshop já disponível no menu principal. Nele, é possível acessar criações feitas pela própria comunidade, muitas delas focadas em modos de horda. Há mapas curiosos, como um ambientado no Morumbis, estádio do São Paulo FC, além de várias outras ideias que ampliam bastante o conteúdo do jogo. Fora isso, também existem criações oficiais que podem ser jogadas normalmente.

Apesar dos pontos positivos, tive alguns problemas técnicos. O jogo apresentou crashes frequentes, principalmente ao iniciar. Sempre que era aberto, ele começava em inglês e, ao mudar para português do Brasil, acabava fechando. O uso do workshop também provocou alguns fechamentos inesperados. São problemas que claramente podem ser resolvidos com atualizações futuras, mas que acabam afetando a experiência no estado atual.

Considerações 

Aviãozinho do Tráfico 3 - Nota 8,5
Aviãozinho do Tráfico 3 - Nota 8,5
Foto: Divulgação / Game On

Aviãozinho do Tráfico 3 acerta ao entender exatamente o tipo de experiência que quer entregar. Ele não tenta ser mais sério do que precisa, abraça o absurdo, usa referências brasileiras com criatividade e constrói um jogo divertido, rápido e funcional dentro da proposta. A jogabilidade funciona bem, o level design mantém o ritmo e o workshop adiciona uma camada extra de longevidade que faz bastante diferença.

Os problemas técnicos ainda atrapalham e precisam de atenção, principalmente os crashes e instabilidades. Mesmo assim, o saldo é positivo. É um jogo que entende seu público, sabe rir de si e entrega uma experiência honesta, divertida e com personalidade própria, algo que nem todo FPS indie consegue fazer.

Aviãozinho do Tráfico 3 está disponível para PC.

Esta análise foi feita com uma cópia do jogo gentilmente cedida pelo Joeveno.

Fonte: Game On
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