Diablo IV: Lord of Hatred transforma a história do jogo em algo ainda maior
Nova expansão aposta em narrativa forte, novas classes e sistemas que ampliam o endgame
Expansões de Diablo sempre carregam um peso diferente. Muitas delas não se resumem apenas a adicionar conteúdo, mas a avançar a história e mostrar para onde a franquia pretende ir a partir daquele ponto. Em Lord of Hatred, isso fica bem claro logo nos primeiros momentos, principalmente pela forma como a narrativa retoma eventos recentes e coloca tudo em movimento novamente.
Ao mesmo tempo, existe uma expectativa natural em cima do que a Blizzard faria depois de Vessel of Hatred. A expansão anterior deixou algumas pontas soltas e uma sensação de interrupção no meio do caminho. Lord of Hatred surge justamente para lidar com isso, dando continuidade direta a esses acontecimentos enquanto tenta elevar o nível do que já vinha sendo construído.
Santuário tomado por ódio
Seguindo os eventos vistos em Vessel of Hatred, a nova expansão de Diablo IV nos leva diretamente para Skovos, conhecido como o berço da humanidade. O local, carregado de história e conflitos, é protegido pelas poderosas Amazonas e se torna o palco de um dos momentos mais importantes da franquia até agora. Enquanto isso, o Senhor do Ódio caminha por aquelas terras em busca das Fontes de Criação, pronto para colocar em prática aquilo que o define: espalhar o ódio por todo o mundo.
Ao lado de aliados que surgem pelo caminho, apenas o Andarilho, nosso personagem, é capaz de enfrentar os planos de Mefisto, muito por conta da ligação com Lilith desde a campanha base. Colocando lado a lado com a história principal e com a própria Vessel of Hatred, que iniciou esse conflito, Lord of Hatred se destaca como uma das campanhas mais fortes já feitas pela Blizzard dentro do universo de Diablo. A sensação de corrida contra o tempo funciona muito bem, com Mefisto sempre um passo à frente, aumentando o peso de cada momento. Há cenas que impressionam e certamente vão agradar os fãs, enquanto a trilha sonora acompanha esse nível, com composições que chegam a prender a atenção por conta própria.
Skovos também merece destaque como cenário. O mapa carrega forte presença de Lilith e Inarius, com estátuas e construções que reforçam a importância histórica do local. No início, a ambientação lembra algo mais próximo de um cenário paradisíaco, com influências que remetem à Grécia Antiga, principalmente pela arquitetura. Com o avanço da jornada, o tom muda para ambientes mais familiares da série, com florestas densas, áreas lamacentas e regiões próximas a vulcões que se destacam visualmente.
As missões secundárias ajudam a expandir esse mundo, trazendo mais contexto sobre Skovos e seus habitantes. Há tarefas que envolvem as Amazonas, outras que mostram a devoção de certos grupos a Mefisto e até atividades que desbloqueiam novas mecânicas. Uma das mais curiosas é a pesca, que mesmo simples, acaba funcionando bem como uma pausa em meio ao caos constante do jogo.
Sem entrar em muitos detalhes sobre o restante da trama, quem jogou Vessel of Hatred provavelmente sentiu que a expansão terminou de forma um pouco abrupta, deixando mais perguntas do que respostas. Em Lord of Hatred, a sensação é diferente. Ainda fica aquele gostinho de quero mais, mas agora com várias dessas dúvidas sendo trabalhadas de forma bem mais satisfatória. Isso acaba reforçando a curiosidade sobre o que a franquia ainda está preparando para o futuro.
O bruxo implacável
No lado da jogabilidade, Diablo IV continua se destacando pela variedade entre as classes. Lord of Hatred adiciona duas novas opções, o Paladino e o Bruxo, também conhecido como Warlock. Como o Paladino já estava disponível antecipadamente para alguns jogadores, a escolha pelo Bruxo acaba sendo a mais natural para explorar as novidades.
As magias que o Bruxo utiliza seguem a linha de um conjurador, mas não no estilo do Necromante. Já dá para perceber como ele se diferencia das outras classes mágicas, principalmente pela forma como sua barra de recurso funciona. Em vez de mana, ela é dividida entre Ira e Dominância, o que muda completamente a forma de usar as habilidades.
Essa divisão existe justamente por conta dos tipos de golpes disponíveis. A maior parte das habilidades gira em torno de evocações menores, como bombardeios, garras e ferrões, que consomem Ira e são usadas com mais frequência durante o combate. Já as evocações maiores, como demônios e torres demoníacas, utilizam Dominância, sendo mais pesadas e impactantes. Isso cria uma dinâmica interessante, em que é preciso equilibrar bem os dois recursos para manter o ritmo das lutas.
Já as habilidades supremas se destacam bastante, principalmente pela força atual. A Metamorfose, que transforma o personagem em um demônio, e a invocação do Monstro de Abaddon são exemplos claros de habilidades que têm grande impacto, especialmente em confrontos mais longos, como lutas contra chefes do mundo.
O fim é só o começo
Pensando no conteúdo de endgame, a expansão traz os Planos de Guerra, um sistema que permite organizar a progressão de forma mais personalizada. É possível escolher atividades, criar uma sequência de desafios e até aplicar modificadores para aumentar a dificuldade, o que ajuda a testar builds e melhorar recompensas. É um sistema simples, mas que encaixa bem com a proposta do jogo.
O Cubo Horádrico, que tinha sido introduzido no Diablo II, também marca seu retorno na expansão. Ele funciona da mesma forma vista no segundo jogo da Blizzard, servindo para transmutar itens e tentar a sorte para criar algo melhor. É bem fácil coletar os itens necessários para transformar equipamentos de raridade mais baixa em níveis superiores, o que ajuda bastante na progressão.
Agora, falando sobre algo que não é tão fácil assim de conseguir um bom drop, temos a nova adição de Lord of Hatred, o Sistema de Talismã. Esse sistema é desbloqueado logo nos primeiros minutos da expansão e funciona pensando justamente em quem gosta de montar builds mais específicas, já que ao juntar certos conjuntos de talismãs, é possível ganhar bônus adicionais. O problema é que, com o passar da história, acabei recebendo poucos talismãs.
Inclusive, só fui conseguir o que desbloqueia cinco slots para equipar mais talismãs após terminar a campanha. Os próprios conjuntos também têm uma taxa de drop bem baixa, o que acaba limitando bastante a experimentação. Ainda assim, dá para entender que isso foi pensado para não deixar o jogo desequilibrado no início e focar mais no conteúdo de pós-jogo.
De tudo que essa expansão trouxe, eu apenas tive um problema que às vezes se resolvia sozinho, mas acabava voltando com o tempo, que era as texturas não carregarem corretamente durante as cenas e algumas partes do mapa, isso jogando no PC.
Até cheguei a colocar as texturas no médio para ver se resolvia, mas o problema persistia. Teve vários momentos em que alguma cena focava no meu personagem, e a armadura que eu estava utilizando ficava com um aspecto emborrachado e nem sequer carregava direito. Não sei se isso aconteceu por conta da versão que estava jogando, mas espero que na versão de lançamento, esse erro não seja persistente novamente.
Considerações
Lord of Hatred acerta principalmente na campanha, que consegue manter o ritmo do começo ao fim e ainda trabalha bem as pontas deixadas anteriormente. A ambientação em Skovos funciona muito bem, a trilha sonora acompanha esse peso e a nova classe traz mais opções para quem gosta de explorar builds diferentes, principalmente pelo jeito único de lidar com os recursos.
Por outro lado, nem tudo funciona no mesmo nível. O Sistema de talismãs ainda parece limitado durante a campanha por conta da baixa frequência de drops, e problemas técnicos como o carregamento de texturas acabam aparecendo em momentos que quebram a imersão. Mesmo com esses pontos, a expansão reforça o momento positivo de Diablo IV. É um conteúdo que amplia o que o jogo já faz bem e deixa claro que ainda há espaço para crescer, principalmente pensando no que pode vir pela frente.
Diablo IV: Lord of Hatred será lançado em 28 de abril para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series.
Esta análise foi feita no PC, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Blizzard.
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