Poppy Playtime: Chapter 5 melhora o terror da série, mas tropeça em velhos problemas
Novo capítulo aposta em um terror mais contido e acerta na ambientação da fábrica Playtime Co.
Poppy Playtime conseguiu algo que poucos jogos de terror independentes alcançaram nos últimos anos. O que começou como uma experiência simples focada em perseguições e quebra-cabeças rapidamente virou um fenômeno na internet, principalmente por conta de personagens como Huggy Wuggy. Conforme os capítulos avançaram, a série também começou a expandir mais os mistérios da Playtime Co. e transformar aquele terror aparentemente simples em algo maior.
Agora no quinto capítulo, a franquia continua apostando nessa mistura de exploração, perseguições e segredos espalhados pela fábrica. Mesmo sem mudar drasticamente a fórmula, o novo episódio mostra um terror mais controlado e consegue criar momentos de tensão melhores ao trabalhar mais a ambientação do local.
Em busca de verdades
Seguindo os eventos do capítulo 4 da série Poppy Playtime, nosso personagem mais uma vez está sendo perseguido por Huggy Wuggy. Agora, a história se passa nas partes mais sombrias das instalações da Playtime Co., local onde a criatura foi criada. Perdidos dentro da fábrica, precisamos descobrir os segredos escondidos naquele lugar enquanto tentamos sobreviver.
Novamente, Poppy Playtime consegue entregar uma narrativa interessante por girar em torno de brinquedos infantis que se tornaram criaturas cruéis. Gostei bastante da presença de personagens como Giblet, que também tenta fugir daquele local e faz questão de ajudar sempre que possível. Isso cria um contraste interessante com o restante das criaturas, que parecem muito mais interessadas em acabar conosco do que escapar dali.
Boa parte das fases funciona por meio de uma exploração relativamente simples e linear. Seguindo a lógica do capítulo anterior, nosso personagem continua usando o GrabPack para resolver quebra-cabeças, mas agora ele recebe novos elementos, como fogo e choque, utilizados para desbloquear caminhos e interagir com o cenário.
A nossa lanterna também passou por mudanças e ganhou o visual de um brinquedo infantil com luz ultravioleta, sendo bastante útil para encontrar segredos e descobrir o caminho quando acabamos nos perdendo. No geral, essas novidades funcionam bem porque trazem variedade sem se distanciar demais do que já havia sido estabelecido anteriormente.
O que torna esse novo Poppy Playtime interessante, além da narrativa, é justamente a forma como o terror ficou menos exagerado e mais contido. As sequências de perseguição continuam sendo os momentos mais fortes, principalmente aquela que acontece logo no início. O jogo também soube equilibrar melhor os quebra-cabeças desta vez. Eles não chegam a ser difíceis, mas aparecem em boa quantidade e acompanham a evolução das novas mãos adquiridas pelo protagonista.
Claro que nem tudo funciona perfeitamente. Em alguns momentos, o GrabPack acaba apresentando problemas durante as perseguições. Tive situações em que Huggy Wuggy estava me perseguindo e era necessário conectar os braços rapidamente para remover obstáculos do caminho, mas o sistema simplesmente não respondia direito, mesmo realizando os movimentos corretamente. Isso acabou gerando várias mortes frustrantes e um excesso de reinícios no último checkpoint.
Outras partes também parecem pouco refinadas, principalmente os segmentos de plataforma. Existem momentos em que simplesmente pular até um cano ou alcançar outra área do cenário acaba sendo mais cansativo do que as próprias perseguições do jogo.
Algo que me surpreendeu bastante foi justamente o visual do título. Mesmo sendo um jogo de terror, ele utiliza muito bem a iluminação escura e a fumaça para criar aquela sensação constante de estar sendo observado. As criaturas inspiradas em brinquedos também possuem um nível de detalhe muito bom, principalmente nas costuras e texturas dos modelos. O trabalho de áudio também merece elogios, principalmente jogando de fone, já que ajuda bastante na imersão e aumenta a tensão quando algo está próximo.
Também vale destacar o ótimo trabalho de localização para português do Brasil. A adaptação das vozes robotizadas das criaturas ficou muito boa e ajuda bastante na imersão da narrativa. Além disso, todos os documentos espalhados pelo cenário foram traduzidos, permitindo entender melhor o universo da Playtime Co. e os acontecimentos escondidos dentro da fábrica.
Considerações
Poppy Playtime: Chapter 5 mostra que a franquia finalmente começou a encontrar um equilíbrio melhor no terror. Em vez de depender apenas de perseguições exageradas e sustos constantes, o jogo trabalha mais a tensão da fábrica e consegue criar momentos que deixam a exploração muito mais interessante do que simplesmente fugir das criaturas pelos corredores.
Ainda existem limitações bem perceptíveis, principalmente nos segmentos de plataforma e nos problemas envolvendo o GrabPack durante algumas perseguições. Mesmo assim, o capítulo consegue prender pela ambientação, pelo visual das criaturas e pela curiosidade de continuar descobrindo os segredos escondidos dentro da Playtime Co.
Poppy Playtime: Chapter 5 está disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Switch, Switch 2, Xbox One e Xbox Series.
Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Mob Entertainment.
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