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Echoes of Aincrad é um retorno digno ao mundo de Sword Art Online

A aventura resgata o espírito do anime ao colocar o jogador como protagonista de um Death Game cheio de desafios

8 jul 2026 - 13h14
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Echoes of Aincrad é um retorno digno ao mundo de Sword Art Online
Echoes of Aincrad é um retorno digno ao mundo de Sword Art Online
Foto: Divulgação/Bandai Namco

Quando a série de anime Sword Art Online (SAO) estreou em 2012, a ideia central era irresistível para os otakus e gamers: um MMORPG em realidade virtual onde morrer significava morrer na vida real. Não demorou para que milhões de fãs imaginassem como seria viver aquela aventura. O curioso é que, apesar da enorme quantidade de jogos baseados na franquia lançados desde então, poucos conseguiram capturar essa sensação.

Depois de jogar Echoes of Aincrad, fica a impressão de que a Bandai Namco finalmente entendeu onde estava o verdadeiro apelo da série. Em vez de transformar Kirito, o personagem principal da história, no centro de mais uma aventura paralela, o estúdio colocou o jogador no centro da experiência e fez de Aincrad um lugar para ser vivido, e não apenas visitado. Essa mudança parece simples no papel, mas transforma completamente a proposta do jogo.

O protagonista agora é um sobrevivente qualquer entre os milhares de jogadores presos dentro do castelo flutuante. Kirito, Asuna e outros personagens continuam presentes, mas deixam de ser o foco absoluto da narrativa. Pela primeira vez, temos a sensação de fazer parte daquele mundo em vez de apenas assistir aos heróis mudarem seu destino.

Aincrad volta a ser o protagonista

A grande virada de chave de Echoes of Aincrad está no seu ponto de partida. Em vez de guiar Kirito e sua turma já bem conhecida, o game apresenta um jogador comum (totalmente customizável), que participou do período beta e acaba preso no castelo flutuante de Aincrad no dia do lançamento oficial do VRMMORPG.  

Essa mudança de perspectiva transforma a narrativa. Ao caminhar pelas ruas da Cidade dos Começos ou desbravar os primeiros andares, o sentimento de nostalgia é imediato, mas o peso dramático é inédito. A trama inédita corre em paralelo aos eventos clássicos do anime, permitindo que você esbarre em rostos conhecidos enquanto escreve sua própria jornada de sobrevivência.  

Para os puristas que buscam a experiência definitiva de opressão idealizada por Reki Kawahara (o criador da série), o jogo traz uma excelente surpresa: o Modo Jogo da Morte (Death Game). Ativado opcionalmente, ele adiciona morte permanente à campanha. Perder toda a sua vida aqui significa dar adeus ao seu personagem e ao seu progresso, elevando a tensão de cada entrada em masmorras a níveis raramente vistos na franquia.

Pela primeira vez, o personagem do jogador é totalmente customizável
Pela primeira vez, o personagem do jogador é totalmente customizável
Foto: Reprodução

A exploração dos ambientes, a necessidade de formar grupos, as missões em masmorras e o constante sentimento de perigo fazem lembrar o motivo pelo qual Aincrad se tornou um dos cenários mais marcantes dos animes da última década. Existe uma atmosfera de MMO que vai além da interface ou da ambientação medieval. O jogo faz o jogador acreditar que está participando de uma comunidade tentando sobreviver dentro daquele universo.

Mas o que realmente chama atenção é a forma como a exploração foi construída. O mapa não é entregue completamente revelado. Cada região precisa ser descoberta manualmente, encontrando Áreas Seguras que revelam o terreno ao redor, desbloqueiam baús, pontos de interesse e novos caminhos. É uma mecânica simples, mas que devolve à exploração aquele sentimento de descoberta típico dos MMORPGs clássicos, quando caminhar pelo desconhecido fazia parte da diversão.

O cenário também apresenta pequenos obstáculos ambientais que exigem preparação antes da aventura. Rochas podem ser destruídas com explosivos, cipós precisam ser queimados e determinados abismos só podem ser atravessados utilizando itens específicos. São detalhes que fazem a jornada parecer menos linear e reforçam a ideia de que sobreviver em Aincrad depende tanto de planejamento quanto de habilidade.

Essa sensação aparece também na estrutura da aventura. Existe um ciclo muito próximo da lógica de um MMORPG: aceitar missões na cidade, organizar equipamentos, fabricar ou comprar consumíveis, explorar os campos, derrotar chefes e retornar para preparar a próxima expedição. Pela primeira vez em muito tempo, a cidade deixa de funcionar apenas como um menu bonito e passa a transmitir a sensação de ser uma base de operações para quem tenta conquistar andar após andar do castelo.

Um combate pensado para Sword Art Online

Outro ponto que chama a atenção é a direção adotada para o sistema de combate. Em vez de seguir a tendência dos soulslikes, tão presente nos RPGs de ação atuais, Echoes of Aincrad aposta em batalhas mais dinâmicas pensadas no estilo de SAO, com foco na mobilidade, no trabalho em equipe e em um ritmo constante do início ao fim.

Esquivas, bloqueios, ataques especiais e comandos para o parceiro criam batalhas bastante dinâmicas. O sistema de "Troca", que permite alternar golpes entre protagonista e aliado após uma esquiva perfeita, acrescenta profundidade sem tornar a experiência excessivamente punitiva.

As esquivas perfeitas, aparos e contra-ataques ativam golpes conjuntos, transformando cada defesa bem executada em uma oportunidade para desferir ataques devastadores ao lado do parceiro. Em vez de premiar apenas reflexos rápidos, o combate incentiva sincronia e leitura dos movimentos dos inimigos.

Os chefões também demonstram um cuidado maior no design dos confrontos. Em vez de apenas grandes barras de vida, alguns inimigos exigem destruir partes específicas do corpo para abrir oportunidades de ataque, tornando as lutas mais estratégicas do que simplesmente esvaziar uma barra de vida.

Como no universo original de SAO, não existem magos ou classes mágicas tradicionais; sua função no mundo é definida estritamente pela arma que você empunha. O arsenal se divide em seis caminhos: a Espada de uma mão e Escudo (foco em sustentação e janelas de contra-ataque), Espada de duas mãos (alto risco, focado em dano massivo), e Adaga (foco em velocidade a curtíssima distância). Por fim, o uso de Rapieira, Machado ou Maça, que força uma reinvenção completa de posicionamento e timing.

E falando nos companheiros de aventura (sãos mais de 10 disponíveis), quem acompanha os jogos anteriores de Sword Art Online sabe que os aliados controlados pela inteligência artificial nem sempre foram um ponto positivo.

Desta vez, porém, a situação é diferente. Os parceiros ajudam durante a exploração, alertam sobre perigos, encontram itens escondidos e ainda podem receber diferentes prioridades de combate, como atacar ou oferecer cura constante. É possível pedir que concentrem ataques em um alvo específico ou simplesmente deixá-los agir de forma independente, algo que aproxima ainda mais a experiência da fantasia de formar um grupo em um MMORPG - mesmo em uma campanha totalmente voltada para um jogador.

É uma evolução importante para uma franquia que sempre prometeu transmitir cooperação, mas raramente conseguia fazê-lo de maneira convincente.

Um espetáculo para os olhos e os ouvidos

Echoes of Aincrad apresenta belos visuais de anime com cenários altamente detalhados
Echoes of Aincrad apresenta belos visuais de anime com cenários altamente detalhados
Foto: Reprodução

Visualmente, Echoes of Aincrad é uma das adaptações mais bonitas já produzidas para Sword Art Online. Os personagens reproduzem com fidelidade o traço característico do anime, enquanto os cenários apresentam um excelente nível de detalhes, efeitos de iluminação e paisagens que dão vida aos diferentes andares de Aincrad. O resultado é um mundo que transmite a sensação de grandiosidade e faz o jogador acreditar que realmente está explorando um gigantesco MMORPG.

A ambientação ganha ainda mais força graças à trilha sonora orquestrada, que acompanha cada momento da jornada com competência, alternando temas mais contemplativos durante a exploração e composições intensas nas batalhas contra chefes. É um trabalho que reforça constantemente a atmosfera de aventura e o peso da sobrevivência dentro do jogo.

A dublagem também merece elogios. O jogo oferece vozes em inglês e japonês, ambas com interpretações de alto nível. Para os fãs do anime, a opção em japonês mantém toda a identidade da obra original, enquanto a dublagem em inglês entrega performances convincentes para quem prefere acompanhar a narrativa nesse idioma.

Encontre diferentes companheiros controlados pela IA em sua jornada
Encontre diferentes companheiros controlados pela IA em sua jornada
Foto: Reprodução

Fechando o pacote, Echoes of Aincrad chega com os textos e menus totalmente localizados para o português do Brasil. A tradução é cuidadosa, preservando a terminologia característica do universo de Sword Art Online e dos MMORPGs sem soar artificial, tornando a experiência muito mais acessível para o público brasileiro. É o tipo de atenção à localização que faz diferença em um RPG repleto de diálogos, descrições de habilidades e sistemas de progressão.

Embora Echoes of Aincrad tenha sido desenvolvido para receber novos jogadores, a experiência se torna muito mais rica para quem já assistiu à primeira temporada de SAO. Conhecer os acontecimentos do arco Aincrad, seus personagens e o peso emocional daquela jornada ajuda a compreender melhor diversas referências, reencontros e situações apresentadas ao longo da campanha. Se você ainda não conhece a obra, vale a pena reservar um tempo para assistir ao anime antes de mergulhar neste novo "Death Game".

Considerações

Echoes of Aincrad - Nota 8,5
Echoes of Aincrad - Nota 8,5
Foto: Divulgação / Game On

Durante muitos anos, os jogos de Sword Art Online pareciam mais preocupados em revisitar personagens e eventos conhecidos do que em recriar a fantasia que deu origem à franquia. Echoes of Aincrad rompe com essa tradição ao colocar o jogador no centro da experiência e fazer de Aincrad um mundo que convida à exploração, ao planejamento e à superação constante.

O equilíbrio entre exploração, progressão de personagem e um combate que recompensa estratégia e precisão faz com que cada nova incursão pelos andares do castelo tenha peso. A preparação antes das missões, a parceria com os companheiros controlados pela inteligência artificial e o risco permanente durante as batalhas ajudam a construir uma experiência que se aproxima da sensação de viver dentro de um MMORPG, exatamente como os fãs imaginaram ao conhecer esse universo pela primeira vez.

Porém, nem tudo é revolucionário, e algumas estruturas seguem a fórmula tradicional dos RPGs de ação modernos, como uma estrutura de missões um pouco repetitiva. Ainda assim, o conjunto funciona de maneira consistente e demonstra uma compreensão muito maior da identidade de Sword Art Online do que os títulos anteriores da franquia.

Para os fãs da série — e até mesmo para quem procura um RPG de ação sólido e desafiador — este pode ser um lançamento com muitas horas de entretenimento.

Echoes of Aincrad chega em 10 de julho para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.

Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Bandai Namco.

Fonte: Game On
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