Copa City transforma os bastidores do futebol em um desafio irregular
Gerenciar os bastidores dos eventos esportivos rende momentos interessantes, mas curva de aprendizado e interface dificultam a experiência
Jogos de futebol normalmente colocam toda a atenção dentro das quatro linhas. Seja controlando jogadores, comandando clubes ou construindo uma carreira, quase tudo gira em torno do que acontece durante os 90 minutos. Copa City escolhe seguir um caminho completamente diferente.
Em vez de assumir o papel de treinador ou dirigente, a proposta da Triple Espresso coloca o jogador na posição de quem precisa fazer uma grande partida acontecer. O foco está nos bastidores, transformando a organização de um evento esportivo em uma experiência de gestão que encontra sua própria identidade dentro do gênero.
Muito além das quatro linhas
Por ser um jogo de gerenciamento, toda a parte narrativa de Copa City é bastante simples e direta. Somos encarregados de preparar cidades para receber milhares de torcedores em diferentes tipos de partidas. Antes da bola rolar, é preciso planejar áreas de alimentação, atrações, transporte, segurança e diversos outros serviços que ajudam a manter o público satisfeito.
Grande parte do que deveria ser a diversão do jogo está justamente em observar o resultado das nossas próprias decisões. Ver os torcedores ocupando as ruas, utilizando as estruturas que pensamos ser as melhores para cada local e acompanhando a cidade ganhar vida aos poucos transmite uma sensação bastante recompensadora. É nesse momento que Copa City mostra seu principal diferencial comparado a outros jogos de gerenciamento de cidades.
Isso que deveria ser um dos pontos mais positivos já começa a mostrar alguns problemas logo no tutorial. Uma das coisas que eu mais havia gostado quando testei a preview era justamente como ele explicava suas mecânicas de forma clara. Na versão final, porém, realmente não entendi o que aconteceu.
Algumas tarefas simples que deveriam receber explicações mais detalhadas acabam sendo apresentadas de forma superficial. O pior é que, se você não cumprir determinados objetivos, será preciso começar tudo novamente. Eu, que já conhecia parte dos sistemas, precisei insistir algumas vezes para conseguir avançar.
E isso acaba impactando diretamente a curva de aprendizado. Conforme novos sistemas são introduzidos, a quantidade de informações cresce consideravelmente, mas nem sempre o jogo consegue explicar tudo da melhor forma. Entender como cada elemento influencia os demais exige atenção e uma boa dose de paciência durante as primeiras horas. Em vários momentos, tive a sensação de estar aprendendo mais por tentativa e erro do que pelas orientações oferecidas pelo próprio jogo.
Existem coisas em Copa City que são muito bem trabalhadas, como a variedade de cenários e eventos disponíveis. O jogo conta com clubes reais, como Flamengo, Arsenal e Borussia Dortmund, além de cidades inspiradas em locais reais, incluindo Berlim e Rio de Janeiro. Cada mapa apresenta características próprias, exigindo adaptações constantes no planejamento, enquanto as equipes ajudam a criar identidades diferentes para cada evento. Esse cuidado evita que a campanha caia rapidamente na repetição.
Inclusive, uma das melhores qualidades do jogo está na forma como essas cidades foram recriadas. Poder organizar um grande evento esportivo no Rio de Janeiro, com o Cristo Redentor ao fundo e o calçadão de Copacabana integrado ao mapa, é algo bastante especial. A sensação fica ainda melhor quando vemos as ruas sendo tomadas pelos torcedores. Dentro dos estádios, o nível de personalização também chama atenção, permitindo definir desde a localização dos vendedores até o posicionamento das equipes de segurança.
Toda essa profundidade acaba sendo uma faca de dois gumes. Por um lado, existe satisfação em dominar sistemas complexos e encontrar maneiras mais eficientes de administrar cada evento. Por outro, a curva de aprendizado pode afastar jogadores atraídos pela temática do futebol, mas que não possuem tanta familiaridade com simuladores de gerenciamento.
A interface também contribui para essa sensação. Embora seja funcional na maior parte do tempo, alguns menus acumulam informações demais e tornam determinadas tarefas menos intuitivas do que deveriam. Em alguns momentos, ela lembra mais a navegação de um jogo para celular do que algo pensado para consoles e PC. Nada disso chega a comprometer a experiência, mas existem situações em que o jogo parece mais complicado do que realmente precisa ser.
Por fim, Copa City entrega um trabalho competente na parte técnica. Durante as partidas, o desempenho permanece estável mesmo quando a cidade recebe uma grande quantidade de estruturas e visitantes simultaneamente. No meu caso, a experiência se manteve consistente mesmo em um notebook equipado com uma RTX 4050. A navegação poderia ser mais refinada em alguns aspectos, mas o conjunto funciona de maneira satisfatória durante toda a campanha.
Considerações
Copa City tem uma proposta bastante interessante e consegue criar momentos satisfatórios quando todos os seus sistemas começam a funcionar em conjunto. Ver as cidades ganhando vida, administrar o fluxo de torcedores e organizar grandes eventos esportivos são elementos que ajudam o jogo a encontrar uma identidade própria dentro do gênero.
O problema é que boa parte dessa diversão fica escondida atrás de uma curva de aprendizado pouco amigável. Tutoriais superficiais, excesso de informações em determinados momentos e uma interface que poderia ser mais intuitiva acabam tornando a experiência mais complicada do que deveria. Ainda existe um bom jogo aqui para quem gosta de gerenciamento, mas a sensação é de que alguns ajustes poderiam tornar essa jornada muito mais acessível e agradável.
Copa City está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.
Esta análise foi feita no PC, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Triple Espresso.
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