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70's Robot Anime Geppy-X é uma carta de amor aos animes mecha dos anos 70

Clássico cult do primeiro PlayStation transforma cada fase em um episódio de uma série de super robôs

15 jul 2026 - 14h14
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70's Robot Anime Geppy-X é uma carta de amor aos animes mecha dos anos 70
70's Robot Anime Geppy-X é uma carta de amor aos animes mecha dos anos 70
Foto: Divulgação/Bliss Brain

Lançado originalmente apenas no Japão para o PlayStation 1 em 1999, o obscuro 70's Robot Anime Geppy-X acabou virando um clássico cult nas décadas seguintes pela sua proposta bastante incomum: ser uma verdadeira homenagem aos animes de mechas (robôs gigantes) dos anos 1970.

Em termos de jogabilidade, ele é um shoot 'em up horizontal (jogo de navinha 2D) bastante frenético e divertido. No entanto, o que torna o jogo uma obra-prima da nostalgia é a sua apresentação estrutural. E agora, quase trinta anos depois, o título chega pela primeira vez ao público ocidental em uma versão remasterizada.

Confira a seguir aqui no Terra Game On o que esperar dele.

Um anime jogável dos anos 70

À primeira vista, ele parece um shoot’em up retrô tradicional. Mas a grande sacada do game é que cada fase é apresentada como se fosse um episódio de um anime de super robôs da década de 1970, chamado Geppy-X.

A história acompanha uma equipe de pilotos que controla os robôs da série animada, enfrentando invasões alienígenas e ameaças globais em uma narrativa inspirada em animes clássicos dos anos 70 como Mazinger Z, Getter Robo, Combattler V, Voltes V e UFO Robot Grendizer.

O diferencial é que o jogo não tenta apenas reproduzir o visual desses animes: ele recria toda a estética da época, incluindo personagens exagerados, vilões caricatos, narração dramática e temas musicais (cantados) heroicos.

Antes de começar a ação, o jogador assiste a uma abertura com música-tema, seguida pelo episódio em si (o gameplay). No meio da fase há um “eye catch” (cena de transição), como nos animes antigos, depois vêm comerciais fictícios, encerramento e até uma prévia do próximo episódio.

Para se ter uma ideia do nível de dedicação da desenvolvedora original (Aroma) na época, o jogo contava com mais de 8.000 quadros de animação desenhados à mão para essas transições cinematográficas e ocupava impressionantes 4 mídias físicas de CD-ROM no PS1 para acomodar todo o conteúdo de vídeo e áudio.

Ou seja: você não apenas joga um game de ação — a sensação é de estar participando de uma série animada interativa.

Gameplay: tiro lateral com clima de anime clássico

Geppy-X é um shoot’em up horizontal 2D tradicional
Geppy-X é um shoot’em up horizontal 2D tradicional
Foto: Reprodução

Na prática, Geppy-X é um shoot’em up horizontal, no estilo de clássicos como Gradius, R-Type e Thunder Force. O jogador controla o robô gigante Geppy-X, enfrentando hordas de inimigos e chefes enormes enquanto atravessa fases cheias de explosões, projéteis e efeitos exagerados.

Durante o combate, você pode alternar livremente em tempo real entre três formas diferentes do robô, alterando completamente seus atributos de velocidade, poder de fogo e estilo de ataque. Há também o clássico upgrade do robô (o "power-up" de meio de temporada) típico dos animes.

Do ponto de vista da jogabilidade, Geppy-X não reinventa o gênero shoot'em up. Seus combates seguem a fórmula clássica da ação em rolagem lateral, com mecânicas simples e um visual que lembra produções da era 16 bits do Mega Drive e Super Nintendo.

O grande diferencial de Geppy-X é ser apresentado como uma série de anime
O grande diferencial de Geppy-X é ser apresentado como uma série de anime
Foto: Reprodução

Mesmo em 1999, quando o primeiro PlayStation já contava com referências como R-Type Delta, Einhander e Thunder Force V, o título ficava atrás de muitos concorrentes em termos técnicos. O que realmente o tornava especial era sua apresentação em forma de série de anime.

Outro grande destaque é a trilha sonora, que reúne algumas das vozes mais emblemáticas da música de animes e tokusatsu. Entre os intérpretes estão nomes bem conhecidos do público brasileiro como Hironobu Kageyama, conhecido por temas de Dragon Ball Z, Os Cavaleiros do Zodíaco e Changeman; Akira Kushida, responsável por canções de séries como Jaspion, Jiraiya, Sharivan e Jiban; e Isao Sasaki, cuja carreira inclui clássicos como Patrulha Estelar (Space Battleship Yamato), Goranger e Metalder. 

A presença desses artistas reforça a proposta de transformar Geppy-X em uma verdadeira homenagem à era de ouro dos animes de robôs gigantes.

O que traz a versão remasterizada

É possível alternar entre três mechas diferentes
É possível alternar entre três mechas diferentes
Foto: Reprodução

Durante décadas, Geppy-X permaneceu como uma lenda intocada no Japão, muito difícil de se jogar no ocidente. Isso muda com o lançamento do remaster desenvolvido pela Implicit Conversions e publicado pela Bliss Brain.

A nova edição, restaura o jogo em alta definição e adiciona melhorias modernas, tais como vídeos e áudios remasterizados (as cenas animadas foram re-digitalizadas diretamente das fitas analógicas Betacam originais a 24fps para alta definição); Função Rebobinar (Rewind) e Save States, facilitando a vida de quem não quer perder progresso em partes muito difíceis; Filtros CRT, com o pções visuais para simular as antigas telas de tubo dos anos 90; e Modos Extras, que inclui Boss Rush, linhas do tempo alternativas e variantes de episódios experimentais.

Outro ponto importante é que Geppy-X preserva a experiência do lançamento original, oferecendo dublagem integral em japonês e legendas em inglês — infelizmente, a remasterização não inclui localização em português. A campanha principal é relativamente enxuta, com oito episódios que podem ser concluídos em aproximadamente duas a três horas, dependendo do ritmo do jogador. Quem optar por pular as longas sequências animadas consegue terminar a aventura em bem menos tempo.

Apesar da curta duração, o jogo incentiva múltiplas partidas. A história conta com três finais diferentes, definidos pela forma de mecha utilizada para derrotar os chefes ao longo da campanha. Além disso, há uma boa quantidade de conteúdo desbloqueável, incluindo robôs alternativos, rotas inéditas, linhas do tempo paralelas e cenas adicionais. Para acessar tudo o que a remasterização oferece, é preciso investir entre 10 e 12 horas, tornando a experiência bem mais robusta do que a campanha principal sugere à primeira vista.

Considerações

70's Robot Anime Geppy-X - Nota 7,5
70's Robot Anime Geppy-X - Nota 7,5
Foto: Divulgação / Game On

70's Robot Anime Geppy-X talvez não seja lembrado por reinventar o gênero shoot'em up. Sua jogabilidade é simples e, mesmo na época de seu lançamento original, havia títulos mais refinados e tecnicamente superiores no primeiro PlayStation (e até mesmo na geração 16 bits). No entanto, seu verdadeiro mérito nunca esteve apenas na ação, mas na forma como transforma cada fase em um episódio de um autêntico anime de super robôs dos anos 1970.

É justamente essa combinação de gameplay arcade com uma apresentação cinematográfica repleta de animações, músicas cantadas e homenagens ao universo mecha que faz de Geppy-X uma obra tão singular. Para fãs de animes clássicos, a experiência tem um charme difícil de encontrar em qualquer outro jogo.

Se você procura um shoot'em up inovador, talvez existam opções melhores. Mas para fãs de jogos retrô, de animes clássicos ou para quem gosta de descobrir joias esquecidas do catálogo do primeiro PlayStation, Geppy-X é uma curiosidade histórica que finalmente recebe a oportunidade de alcançar o público mundial — e essa, por si só, já é uma excelente razão para conhecê-lo.

70's Robot Anime Geppy-X chega em 16 de julho para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Switch e Xbox Series X/S.

Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Bliss Brain.

Fonte: Game On
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