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Assassin's Creed Black Flag Resynced faz o Caribe brilhar outra vez

O clássico protagonizado por Edward Kenway retorna mais bonito, refinado e com novidades na geração atual

8 jul 2026 - 06h58
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Assassin's Creed Black Flag Resynced faz o Caribe brilhar outra vez
Assassin's Creed Black Flag Resynced faz o Caribe brilhar outra vez
Foto: Reprodução / Ubisoft

Mais de uma década depois do lançamento original, Black Flag continua sendo lembrado como um dos Assassin's Creed mais queridos pelos fãs. Muito desse carinho vem da liberdade para explorar o Caribe, das batalhas navais e, principalmente, do carisma de Edward Kenway, um protagonista que construiu sua própria identidade dentro da franquia.

Resynced chega justamente com a missão de atualizar essa experiência para uma nova geração. Sem mudar a essência do original, a Ubisoft aposta em melhorias técnicas, novos conteúdos e pequenos ajustes na jogabilidade para transformar aquela aventura de 2013 em uma versão que conversa melhor com os padrões atuais.

Uma jornada que continua marcante

É difícil encontrar alguém que não conheça a história de Black Flag, mas, para os marujos de primeira viagem, e obviamente sem entrar em muitos detalhes para não estragar a experiência de novos jogadores, Assassin's Creed IV, ou apenas Black Flag, como passou a ser chamado, acompanha a trajetória de Edward Kenway durante a Era de Ouro da Pirataria nas águas e ilhas do Caribe. 

Edward se torna um assassino quase por acaso, movido pela necessidade de sobreviver e conquistar fortuna após um naufrágio. Nesse caminho, ele entra em confronto com um Assassino renegado, assume sua identidade e se infiltra nas fileiras dos Templários em Havana.

Disfarçado entre os Templários, Edward enxerga ali a oportunidade perfeita para colocar em prática seu plano de conquistar riqueza, algo que acreditava ser suficiente para alcançar a vida que sempre sonhou no Novo Mundo. Porém, a busca pelo Observatório, tão desejado pelos Templários, faz com que ele perceba que aquele poder era grande demais para permanecer nas mãos de um único grupo. É justamente aí que começa sua busca por redenção, algo que nem todo pirata estava disposto a encontrar, principalmente no Caribe.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Muitos fãs mais antigos de Assassin's Creed tratam Black Flag com certa indiferença, principalmente porque Edward não é um assassino de fato e nem segue o Credo da mesma forma que Altaïr ou Ezio. O que torna sua jornada tão especial, porém, é justamente essa diferença e a maneira como ele vai deixando a vida de pirata para trás enquanto aceita o peso de vestir aquele manto. 

Outro grande destaque está no elenco de personagens secundários, que consegue ser extremamente carismático. Piratas históricos como Barba Negra e Charles Vane, além de Anne Bonny e Adewale, que recebem ainda mais tempo de tela, tornam toda a jornada de Edward muito mais marcante. 

Um ponto que me deixava bastante curioso era como estaria a dublagem brasileira nesta nova versão, principalmente por conta do conteúdo inédito. Quem jogou Black Flag na época sabe que ela estava longe de ser das melhores, misturando português de Portugal com o brasileiro e, em muitas cenas, os personagens praticamente berravam durante conversas completamente normais.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Alguns desses maneirismos ainda continuam presentes, misturando expressões mais antigas com um português mais atual, mas dá para perceber que boa parte das falas realmente recebeu uma nova dublagem. 

As situações em que os dubladores exageravam no tom praticamente desapareceram, algo que acontecia principalmente com Edward, que parecia gritar em quase qualquer diálogo. A decisão da Ubisoft de trazer o mesmo dublador de 2013 para reprisar o papel foi um grande acerto. Inclusive, fiz toda a minha primeira campanha com a dublagem em português, porque desta vez realmente deu gosto de ouvir as vozes nacionais.

Quando anunciaram que não teríamos mais os momentos da Abstergo por conta da história que ela contava e da forma como o Animus passou a ser tratado em Assassin's Creed Shadows, esperava que a Ubisoft ao menos encontrasse uma maneira de substituir aquelas pausas na narrativa. No fim, isso acabou sendo apenas uma doce ilusão. 

Foto: Reprodução / Matheus Santana

O que acontece aqui, na maioria das vezes, são cortes bastante bruscos, o tradicional corte seco mesmo, com direito à tela branca ou apenas Edward passando o tempo antes da próxima cena no passado. Claramente existia espaço para criar uma transição mais interessante, principalmente agora que a parte no presente deixou de existir. A Ubisoft fez questão de adicionar conteúdo inédito, mas justamente onde havia oportunidade para apresentar algo realmente novo, acabou deixando tudo exatamente como antes.

A palavra que mais define o combate nas primeiras horas é: estranho. Dá para notar que a Ubisoft tentou encontrar um meio-termo entre o sistema clássico e o adotado nos Assassin's Creed mais recentes. Os inimigos não são esponjas de dano como nos RPGs da franquia, mas as lutas ainda seguem aquela lógica de acompanhar a barra de vida acima da cabeça e esperar o momento certo para realizar um counter quando surge o brilho na arma. Ao mesmo tempo, várias mecânicas lembram os jogos antigos, como a possibilidade de eliminar um inimigo rapidamente.

No fim das contas, buscar esse equilíbrio entre o estilo clássico e algo mais moderno acabou funcionando. Embora ainda não tenham conseguido recuperar aquele lado mais cinematográfico das lutas, fica claro que existiu uma preocupação em não simplesmente copiar o combate dos quatro últimos Assassin's Creed.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

É verdade que antigamente o combate era muito mais fácil, mas agora também fica mais arriscado partir para o confronto direto do que simplesmente empilhar corpos pelo mapa. O único ponto que realmente me incomodou foi a caça de animais. Antes bastava um golpe para resolver a situação, enquanto agora ela segue a mesma lógica dos confrontos contra inimigos, tornando algo simples muito mais demorado do que deveria. 

Olhando para aquilo que realmente fez Black Flag se destacar, que são as batalhas navais contra brigues, escunas, fragatas e outros navios imponentes, praticamente tudo continua funcionando da mesma forma. Ainda assim, dá para perceber alguns ajustes que deixaram os controles mais responsivos durante os confrontos, principalmente na hora de lançar barris explosivos ao mar e posicionar os disparos para causar ainda mais dano às embarcações inimigas. 

Também continua presente todo o sistema de evolução do Gralha por meio dos saques navais e da exploração de pequenas ilhas, garantindo madeira e outros materiais importantes para melhorar o navio. A tripulação também pode ser reforçada ao recrutar marinheiros encontrados à deriva ou espalhados pelas cidades do Caribe. O tradicional sistema de recompensa também retorna, colocando embarcações cada vez mais perigosas na caça ao Gralha e servindo como um ótimo teste para descobrir se o navio realmente está preparado para enfrentar os maiores desafios. 

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Entre as novidades desta versão está a possibilidade de recrutar três novos oficiais para a tripulação, além do já conhecido Adewale. Lucy, Deadman e o Padre possuem missões próprias de recrutamento e também pequenas histórias exclusivas. 

Essas missões cumprem bem o papel de desenvolver melhor os personagens, mas a diferença de qualidade em relação ao restante da campanha chama bastante atenção. Fica evidente que boa parte dessas cenas não utilizou captura de movimentos, como acontece na campanha principal, deixando a animação mais simples e a direção das cenas visivelmente abaixo do restante do jogo. 

Boa parte do que já era possível fazer no Caribe também está de volta aqui. Caçadas contra os Templários, contratos navais e até os tradicionais contratos de assassinos, com direito a capturar o alvo usando as jaulas com pombo, retornam praticamente da mesma forma.

Dois detalhes, porém, foram os que mais me chamaram atenção e mostram o quanto a tecnologia realmente evoluiu. O primeiro é a sensação de que o mapa ficou menor. Na minha memória, Black Flag tinha de longe, um dos maiores mapas da época, mas jogando o remake ficou a impressão de que tudo está muito mais próximo. Grande parte daquelas viagens que eu lembrava serem enormes com o Gralha, no fim das contas, pareciam longas muito mais por causa dos carregamentos, que agora praticamente não existem.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Já o segundo envolve o parkour, assunto que continua dividindo opiniões entre quem prefere algo mais próximo de Unity e quem gosta do caminho seguido por Shadows. No Resynced ele continua praticamente igual ao de 2013. Funciona bem para a proposta do jogo, até porque os trechos em terra firme são rápidos, mas também deixa evidente o quanto era limitado.

As clássicas animações do personagem tentando se agarrar em algo que nem existe continuam presentes, um detalhe que desapareceu dos Assassin's Creed mais recentes. O próprio stealth, que até recebeu algumas melhorias, ainda acaba sendo problemático por causa da inteligência dos inimigos. Ainda assim, é difícil não sentir um certo charme ao ver que a Ubisoft decidiu manter até essas pequenas características do original. 

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Visualmente, o salto é impossível de ignorar. Utilizando uma versão atualizada da Anvil, que já havia impressionado em Shadows, a Ubisoft conseguiu elevar ainda mais o nível técnico. Espumas se formando naturalmente sobre a água, personagens muito mais expressivos durante as cenas, tempestades em alto-mar e a facilidade de enxergar ilhas a grandes distâncias fazem parecer impossível acreditar que Black Flag já era considerado bonito em 2013. Hoje, o remake entrega um visual que facilmente entra na lista dos mais impressionantes desta geração.

Boa parte da minha experiência aconteceu no Xbox Series S, e não tenho nada a reclamar do desempenho. A Ubisoft mostra que ainda é possível entregar um jogo visualmente impressionante, mesmo em um console que muita gente considera limitado. Os únicos problemas que encontrei foram algumas falhas de colisão, principalmente quando inimigos derrotados começavam a se contorcer de forma descontrolada no chão. Felizmente, são bugs muito mais engraçados do que realmente problemáticos e nunca chegaram a comprometer a campanha. 

Considerações

Assassin's Creed Black Flag Resynced - Nota 9
Assassin's Creed Black Flag Resynced - Nota 9
Foto: Divulgação / Game On

Assassin's Creed Black Flag Resynced entende exatamente o motivo de tanta gente guardar carinho pelo original. Em vez de reinventar a experiência, a Ubisoft preferiu preservar aquilo que fez desse capítulo um dos mais marcantes da franquia, modernizando o visual, refinando alguns sistemas e adicionando novidades que ajudam a tornar essa revisitação ainda mais interessante.

Nem todas as escolhas funcionam da melhor maneira, principalmente nas transições da narrativa, em algumas limitações herdadas do jogo original e em conteúdos inéditos que poderiam ter recebido um cuidado maior. Ainda assim, o saldo é extremamente positivo. Para quem nunca navegou pelo Caribe com Edward Kenway, esta é facilmente a melhor porta de entrada. Já para quem viveu essa aventura em 2013, Resynced consegue provar que alguns clássicos realmente envelhecem melhor do que imaginávamos.

Assassin's Creed Black Flag Resynced chega em 9 de julho para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.

Esta análise foi feita no Xbox Series, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Ubisoft.

Fonte: Game On
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