Script = https://s1.trrsf.com/update-1781903735/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

UFC 6 encontra novas formas de manter a disputa pelo cinturão interessante

Modo história, carreira mais flexível e um ótimo Hall das Lendas ajudam a renovar a experiência dentro do octógono

23 jun 2026 - 17h26
(atualizado às 17h26)
Compartilhar
Exibir comentários
UFC 6 encontra novas formas de manter a disputa pelo cinturão interessante
UFC 6 encontra novas formas de manter a disputa pelo cinturão interessante
Foto: Reprodução / Electronic Arts

Qualquer conversa sobre MMA nos videogames acaba esbarrando na época de Undisputed da THQ. Aqueles jogos viraram os queridinhos dos fãs e deixaram uma sombra gigante. Desde que a EA assumiu a franquia, a comunidade vive de comparações e sempre cobrou o mesmo nível de qualidade. Com UFC 6, a sensação é que esse momento finalmente chegou.

Desta vez, a ideia não é inventar moda com mudanças radicais. O foco vai direto para quem gosta de jogar sozinho, entregando bastante conteúdo de cara. O jogo traz mais liberdade na carreira, um modo história inédito e jeitos novos de acompanhar os grandes nomes do esporte. No fim das contas, é um pacote que sabe se renovar e atinge aquele patamar que a galera tanto pedia nos últimos anos.

Mais motivos para entrar no octógono

Jogos de luta, no geral, sempre trazem aquele questionamento assim que passamos do menu principal sobre o que fazer primeiro. Uma tradição que mantenho desde Undisputed 3 é começar criando meu próprio lutador para tentar chegar ao topo e conquistar o cinturão. Dessa vez, porém, UFC 6 fez algo diferente ao apresentar um modo história que lembra bastante o clássico Fight Night e até mesmo o Journey, visto em FIFA 19. Esse modo recebe o nome de O Legado. 

Nele, jogamos com o personagem fictício Chris Carter. A trama acompanha sua ascensão desde os torneios universitários até a chegada ao UFC, mas o caminho é marcado pelo clássico drama familiar envolvendo o legado deixado por seu pai dentro dos octógonos. Grande parte da narrativa gira em torno da dúvida sobre estarmos realmente honrando seus passos ou apenas nos beneficiando do peso do sobrenome. 

Por se tratar de um modo que funciona mais como prólogo e tutorial para as mecânicas e os demais modos do jogo, a qualidade apresentada é bastante positiva. A rivalidade construída entre Chris e Danny, seu colega de academia, remete a boas histórias de amigos que acabam se tornando adversários quando um deles passa a receber mais atenção que o outro. Essa relação lembra bastante o excelente Creed III e, guardadas as proporções, a trama aqui não fica muito atrás quando comparada ao filme.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

O modo carreira de UFC 6 segue um padrão bastante parecido com o dos títulos anteriores da franquia. É possível escolher se queremos iniciar no masculino ou feminino e, após definir o peso do atleta, o jogo o encaixa automaticamente em uma categoria. Caso prefira, também é possível importar um lutador já existente e construir a carreira que gostaria de ter visto para ele. 

Preciso dizer que esperava mais da customização do personagem. Parando para analisar, ela continua muito parecida com a vista no primeiro UFC da EA, lançado em 2014, e perceber que praticamente não houve evolução nessa área é um grande desserviço. É difícil criar alguém que realmente se pareça com você usando as opções disponíveis. Sinceramente, recomendo procurar algum ator ou personagem que goste e buscar no YouTube se alguém já tentou recriá-lo aqui ou até mesmo nos jogos anteriores da franquia, já que pouca coisa mudou. 

Se por um lado a criação continua sendo o mais do mesmo, o modo carreira recebeu muito mais conteúdo em comparação ao UFC 5. Agora temos um controle maior sobre as decisões envolvendo nosso personagem, quase como um RPG básico. Podemos provocar outros lutadores para criar rivalidades, responder aos tweets recebidos e moldar a forma como nossa trajetória será construída. Outra mudança importante é que não somos mais obrigados a começar do zero para chegar ao UFC. 

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Essas melhorias deram um ar de renovação para um modo que parecia existir apenas para agradar quem não gosta de jogar online. Claro que ainda existem pontos que mereciam mais atenção, principalmente a forma como utilizamos os pontos de evolução para melhorar atributos como chutes, quedas e outros aspectos do lutador. Tudo continua muito simples. 

O mesmo vale para os treinamentos antes das lutas. Agora, em vez de chamar um parceiro para praticar determinados golpes, é possível comprá-los diretamente para treiná-los e utilizá-los nos combates. A preparação para estudar os adversários também continua concentrada nessa parte. Ainda assim, toda essa simplicidade se torna mais fácil de ignorar graças à autonomia que passamos a ter durante a carreira. 

Existe também um terceiro modo, conhecido como Hall das Lendas. Entre todos os presentes no jogo, ele talvez seja o que possui a ideia mais interessante. Seu objetivo é contextualizar a trajetória de três dos principais nomes de UFC 6, sendo eles Alex Poatan, Max Holloway e Weili Zhang, que apesar de não estar na capa nem no material principal de divulgação, é uma das lutadoras mais renomadas da atualidade. 

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Dentro do Hall das Lendas, é possível interagir com objetos e vídeos que ajudam a definir a trajetória desses atletas. Há documentários narrados pelos próprios lutadores, além de depoimentos de profissionais explicando o motivo de serem tão respeitados dentro do esporte. Também podemos recriar três das lutas mais importantes de suas carreiras. O problema é que a presença de apenas três lutadores deixa a sensação de que o modo poderia ser muito maior. Existem vários nomes lendários que mereciam estar aqui e ajudariam novos jogadores a conhecer melhor a história do UFC. 

A jogabilidade de UFC 6 pode ser definida como o mais do mesmo, mas isso não significa que as lutas deixaram de ser interessantes. Ainda temos o velho padrão de cada atleta possuir sua própria postura e conjunto de golpes, embora a execução continue transmitindo a sensação de que o motor gráfico nem sempre acompanha corretamente os comandos. 

Por outro lado, o sistema que leva em consideração a distância do adversário continua excelente. Isso impede que as lutas se resumam a apertar botões sem pensar. Conseguir acertar um chute preciso que faz o rival cambalear por causa do bom posicionamento continua sendo extremamente satisfatório. 

Existe um aspecto que até recebeu ajustes ao longo dos anos, mas ainda assim nenhum UFC produzido pela EA conseguiu superar o que Undisputed 3 fazia nas lutas de chão. A tradicional roda de decisões continua presente para escolher entre levantar, avançar na posição ou buscar uma finalização. O problema é que os momentos de ground and pound, principalmente quando estamos próximos de encerrar o combate, ainda parecem muito truncados e sem o impacto que deveriam transmitir.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Uma das coisas que mais me deixou desconfiado quando começaram a surgir informações sobre UFC 6 foi a presença de uma espécie de poder especial. Na prática, não é exatamente isso. A funcionalidade recebeu o nome de Foco e serve para criar uma vantagem temporária ao realizar golpes mais rápidos. Sendo sincero, achei esse sistema bastante descartável. 

Em nenhuma das lutas que disputei, senti uma vantagem realmente significativa ao ativá-lo, principalmente porque ele continua consumindo fôlego normalmente e não impede que o adversário o derrube durante sua utilização. 

Graficamente, não tenho nada a reclamar desta nova entrada de UFC. Boa parte do elenco de lutadores está muito próxima do fotorrealismo. Os detalhes na forma como os machucados vão surgindo durante as lutas são muito bem feitos, e as animações que mostram esses ferimentos se agravando ao longo do combate, assim como a exaustão dos atletas, realmente impressionam.

Uma coisa que me deixou boquiaberto foi perceber que os músculos dos lutadores chegam a se contrair em determinados momentos, e é incrível ver o nível de fidelidade que os videogames conseguiram alcançar. Ainda assim, um problema bastante comum da Frostbite continua presente, embora de uma forma até cômica. A maneira como alguns lutadores caem após serem nocauteados faz parecer que o ragdoll simplesmente foi desligado de forma abrupta.

Considerações

UFC 6 - Nota 8,5
UFC 6 - Nota 8,5
Foto: Divulgação / Game On

UFC 6 acerta justamente onde mais precisava evoluir. O modo O Legado funciona muito bem como porta de entrada, a carreira finalmente dá mais liberdade para construir rivalidades e tomar decisões, enquanto o Hall das Lendas se torna uma das adições mais interessantes já feitas pela franquia. O jogo não muda da água para o vinho, mas entrega um pacote bem mais robusto dessa vez. 

Ao mesmo tempo, ainda existem problemas que acompanham a série há anos. A customização continua bastante limitada, o sistema de Foco pouco acrescenta às lutas e o combate no chão segue distante do nível alcançado por antigos concorrentes. Mesmo assim, a soma das melhorias faz de UFC 6 um passo importante para a franquia e uma experiência fácil de recomendar para quem acompanha o esporte ou simplesmente procura um bom jogo de luta.

UFC 6 está disponível para PlayStation 5 e Xbox Series. 

Esta análise foi feita no Xbox Series, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Electronic Arts.

Fonte: Game On
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra