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Dark Scrolls entrega boas ideias que nem sempre evoluem

Combate sólido e boas opções de builds ajudam a sustentar uma aventura irregular

24 jun 2026 - 17h01
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Dark Scrolls entrega boas ideias que nem sempre evoluem
Dark Scrolls entrega boas ideias que nem sempre evoluem
Foto: Reprodução / Devolver Digital

Os roguelites se tornaram um dos gêneros mais populares dos últimos anos justamente por conseguirem transformar repetição em algo recompensador. Dark Scrolls tenta seguir esse caminho ao combinar exploração de masmorras, progressão permanente e uma estética inspirada nos clássicos dos anos 1990. A proposta é simples, acessível e fácil de entender desde os primeiros minutos.

O problema é que, conforme a campanha avança, fica cada vez mais evidente que boas ideias nem sempre são suficientes para manter uma experiência interessante por muitas horas. Apesar de apresentar sistemas competentes, Dark Scrolls encontra dificuldades para oferecer a variedade necessária para que cada nova tentativa pareça realmente diferente da anterior.

Repetição que não ficou boa

A história de Dark Scrolls acaba ficando muito em segundo plano, para não dizer que é praticamente inexistente, já que serve apenas como justificativa para a aventura e raramente assume um papel de destaque. O foco está na exploração das masmorras, na derrota dos inimigos e na busca por equipamentos capazes de tornar os personagens mais fortes. 

O grande destaque, por sua vez, é o combate, que consegue cumprir bem seu papel durante boa parte da campanha. Ele segue a estrutura dos jogos laterais conhecidos como side-scrollers, lembrando clássicos como Metroid e indies mais recentes e populares, como Dead Cells e Hollow Knight. 

Um ponto positivo de Dark Scrolls é a forma como os controles respondem aos comandos, principalmente porque as fases avançam constantemente e permanecer parado acaba sendo punido. Os personagens também merecem destaque, já que apresentam diferenças suficientes para incentivar novas partidas. Alguns deles possuem mecânicas exclusivas que ajudam a variar a experiência, criando abordagens diferentes para enfrentar os desafios espalhados pelo mapa. 

Foto: Reprodução / Devolver Digital

Outro aspecto que Dark Scrolls acerta é a progressão, que demonstra mais profundidade do que parece à primeira vista. O sistema de Perks permite criar combinações variadas de habilidades, adicionando efeitos elementais, melhorias de mobilidade, invocações e outros modificadores capazes de alterar significativamente uma partida. Conforme novos Perks são desbloqueados, surgem mais possibilidades para experimentar builds diferentes e adaptar o estilo de jogo a cada tentativa. 

Mas o maior problema está justamente na forma como o conteúdo é apresentado. Apesar da existência de diferentes rotas, personagens e sistemas de progressão, a sensação de repetição aparece rápido demais. Cenários, inimigos e objetivos acabam se repetindo com frequência, reduzindo a sensação de descoberta que normalmente impulsiona jogos do gênero. Em vez de criar aquela curiosidade sobre a próxima área ou sobre o que está por vir, muitas runs passam a transmitir a impressão de que o jogador já viu boa parte do que o jogo tem a oferecer. 

Por fim, Dark Scrolls entrega um trabalho competente na parte técnica. O pixel art combina bem com a proposta retrô e o desempenho permanece estável durante toda a campanha. O problema é que nem mesmo essa apresentação consegue compensar a falta de variedade percebida ao longo das horas. Quando o ciclo principal começa a perder força, o restante da experiência acaba sofrendo os mesmos efeitos. 

Considerações

Dark Scrolls - Nota 5,5
Dark Scrolls - Nota 5,5
Foto: Divulgação / Game On

Dark Scrolls possui boas ideias e alguns sistemas que demonstram potencial, principalmente na construção de builds. No entanto, a repetição constante, a pouca variedade de situações e a dificuldade em manter a sensação de descoberta acabam pesando mais do que deveriam. 

Até existe diversão nas primeiras horas e momentos genuinamente interessantes ao experimentar novas combinações de habilidades e ao desbloquear novos personagens, mas a aventura perde força muito antes de atingir seu final. O resultado é um roguelite competente em seus fundamentos, porém incapaz de transformar suas melhores ideias em uma experiência realmente memorável.

Dark Scrolls está disponível para PC e Switch. 

Esta análise foi feita no PC, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Devolver Digital.

Fonte: Game On
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