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The Mound: Omen of Cthulhu prova que só a loucura não basta

O terror lovecraftiano tem boas ideias, mas a repetição impede que a aventura alcance todo o seu potencial

15 jul 2026 - 16h57
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The Mound: Omen of Cthulhu prova que só a loucura não basta
The Mound: Omen of Cthulhu prova que só a loucura não basta
Foto: Reprodução / Nacon

Transformar uma expedição lovecraftiana em um jogo cooperativo era uma ideia que tinha tudo para funcionar. The Mound: Omen of Cthulhu aposta em uma atmosfera pesada, um sistema de sanidade que altera a percepção dos jogadores e uma proposta voltada para exploração em grupo, elementos que despertam curiosidade logo nas primeiras incursões.

O problema é que essa boa impressão dura pouco. Conforme as expedições se repetem, a falta de variedade nas missões, alguns problemas de polimento e decisões de jogabilidade começam a pesar, fazendo com que a experiência nunca alcance o potencial que a proposta inicial promete.

Uma expedição rumo ao desconhecido 

Em The Mound: Omen of Cthulhu, um grupo de exploradores é levado a uma floresta em busca de riquezas deixadas por uma civilização do século XVII em uma selva inexplorada. A missão é explorar regiões desconhecidas e as ruínas de uma lendária cidade subterrânea em busca de tesouros. No entanto, a verdadeira ameaça é a loucura, em que horrores lovecraftianos distorcem a realidade e a mente de cada explorador. 

Logo de início, será preciso escolher um dos quatro protagonistas disponíveis. O destaque fica para Alonso de La Torre, um homem com um passado conturbado por conta da série de assassinatos que cometeu em nome de outras pessoas. Já Leonor, uma jovem que fugiu após matar um homem, busca uma chance de recomeçar a vida. 

Por se tratar de um jogo com grande foco no cooperativo, boa parte das nossas idas e vindas nas missões acontece dentro de um navio, no caso, nosso galeão. Ele funciona exatamente como um hub, onde escolhemos as próximas expedições, os equipamentos necessários e ainda podemos conversar com alguns membros da tripulação conforme a trama avança. 

Foto: Reprodução / Matheus Santana

É justamente após cada incursão que a história ganha mais espaço, mesmo sendo bem simples. Conforme retornamos ao galeão, novos diálogos ficam disponíveis, principalmente na área onde é possível ouvir os diários de alguém que esteve naquela ilha antes da nossa chegada. Além disso, os personagens comentam os acontecimentos da última missão, e algumas conversas ajudam a desenvolver melhor tanto os protagonistas quanto os mistérios que cercam a ilha.

Algumas das primeiras expedições passam a sensação de que o jogo é muito simples, já que funcionam mais como uma forma de coletar riquezas para justificar a presença dos nossos personagens naquela ilha do que transmitir o medo e a tensão que as obras lovecraftianas costumam oferecer. 

Essa mecânica de sanidade é o principal carro-chefe de The Mound: Omen of Cthulhu. Ela funciona basicamente como um sistema de questionamento. A cada minuto passado na floresta, o ambiente ao nosso redor começa a se alterar, incluindo os próprios companheiros, que também sofrem com essas mudanças. Muito do que enxergamos, eles acabam não vendo, ou sequer ouvindo. É uma mecânica que funciona muito bem para a proposta do jogo, mas o restante da experiência não acompanha tudo o que ela poderia oferecer.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Mesmo com alguns pontos positivos, o título acaba deslizando em dois fatores que precisam ser predominantes em jogos cooperativos. O primeiro é oferecer variedade suficiente para não cair na mesmice. O segundo, e mais importante, é ser realmente divertido por conta da jogabilidade.

Com o passar das horas, essa simplicidade das fases começa a pesar bastante. Boa parte do level design pode ser resumida a grandes áreas praticamente quadradas para explorar, e nem mesmo as mudanças que acontecem conforme nos aproximamos da insanidade conseguem sustentar a diversão por muito tempo. Sem contar outros fatores que fazem parecer até que o título ainda está em acesso antecipado, como algumas animações muito abaixo da qualidade que o restante do jogo apresenta.

Em determinados momentos, por exemplo, o personagem coleta um ídolo, estátuas que podem ser vendidas, e simplesmente fica segurando o objeto flutuando na mão. Daria para dizer que é apenas um bug comum, mas isso acontece muito mais vezes do que deveria, deixando claro que faltou mais polimento antes do lançamento. 

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Dá para notar que a desenvolvedora implementou algumas funcionalidades que poderiam tornar The Mound um título muito especial para quem gosta de jogos cooperativos. Toda a questão de gerenciar recursos, se comunicar a todo momento para entender o que está acontecendo na tela dos outros jogadores e até cortar galhos pelo caminho para evitar ser visto são boas ideias. O problema é que toda a simplicidade do restante da experiência acaba tirando o peso dessas mecânicas, que poderiam tornar o jogo realmente especial.

A jogabilidade foi um dos fatores que senti terem sido pouco aproveitados com o passar das horas. A escolha por uma abordagem mais realista chama atenção, principalmente na forma de recarregar armas como o mosquete, que possui toda uma animação de limpeza antes da colocação da pólvora. O combate corpo a corpo também lembra bastante jogos como Chivalry e Mordhau, algo que merece destaque.

Mas todo esse realismo acaba se tornando um problema por um detalhe que atrapalha bastante em vários momentos, que é justamente a velocidade com que os inimigos atacam. Eles são muito mais rápidos do que deveriam, enquanto todo o restante do combate segue um ritmo bem mais lento. Por sorte, eles também morrem rapidamente, já que poucos golpes ou um tiro certeiro costumam ser suficientes para eliminá-los. Mesmo assim, essa quebra acaba prejudicando mais o ritmo da aventura do que realmente aumentando o desafio.

Por fim, os gráficos e o desempenho do título me surpreenderam bastante. Por utilizar a Unreal Engine 5, sempre fica aquele receio sobre como o jogo vai rodar. Testei em uma RTX 4050 e não tive problemas, nem mesmo durante as transições envolvendo os momentos lovecraftianos. Visualmente, o jogo também impressiona. A qualidade gráfica das fases é muito bonita, principalmente pelos detalhes da selva e pela forma como o trabalho de áudio acompanha muito bem toda essa ambientação.

Considerações

The Mound: Omen of Cthulhu - Nota 6,5
The Mound: Omen of Cthulhu - Nota 6,5
Foto: Divulgação / Game On

The Mound: Omen of Cthulhu entrega algumas boas ideias, principalmente no sistema de sanidade e na forma como incentiva a cooperação entre os jogadores. Porém, a repetição das missões, a pouca variedade e a sensação constante de falta de polimento impedem que essas qualidades sustentem a campanha por muito tempo. Existe uma boa base aqui, mas ela ainda precisava de mais conteúdo e refinamento para transformar a proposta em uma experiência realmente marcante.

The Mound: Omen of Cthulhu está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.

Esta análise foi feita no PC, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Nacon.

Fonte: Game On
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