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A reação de Hideo Kojima ao fim da mídia física no PlayStation

Criador de 'Death Stranding' alerta que títulos podem deixar de existir se baixamentos forem removidos; petição contra a decisão da Sony já passa de 165 mil assinaturas

12 jul 2026 - 11h10
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A decisão da Sony Interactive Entertainment de encerrar a produção de jogos físicos para o PlayStation a partir de janeiro de 2028 desencadeou uma onda de críticas — e um dos nomes mais respeitados da indústria se juntou ao coro. Hideo Kojima, criador de franquias como Metal Gear Solid (1998) e Death Stranding (2019), classificou a notícia como "realmente triste", e foi além: alertou para um risco que ultrapassa a nostalgia do formato.

Hideo Kojima
Hideo Kojima
Foto: Rosdiana Ciaravolo/Getty Images / Rolling Stone Brasil

Para Kojima, o problema é político e estrutural. O desenvolvedor japonês chamou atenção para o fato de que, a depender de mudanças em "nações, políticas e diversas formas de pensamento", alguns títulos podem simplesmente deixar de ser distribuídos, e até baixamentos já adquiridos podem ser removidos das bibliotecas dos jogadores sem aviso.

"Se isso acontecer, você não vai conseguir assistir ou jogar os jogos de que gosta. Isso é o que assusta", disse Kojima no festival Il Cinema in Piazza (via Eurogamer).

A reação dos fãs também foi intensa. Uma petição pedindo à Sony que não "mate o disco" ultrapassou 165 mil assinaturas em poucos dias. O texto resume o argumento central do movimento: "Um disco é um jogo real que você possui. Você pode emprestá-lo, trocá-lo, revendê-lo, presenteá-lo, colecioná-lo ou passá-lo para seus filhos. Uma caixa com apenas um código para baixar não é a mesma coisa. É uma licença digital em embalagem plástica. Você não a possui. Você está alugando um acesso que pode ser revogado".

O contexto em que a decisão foi tomada agrava a percepção negativa. A Sony vem aumentando o preço do PlayStation 5 repetidamente nos últimos 12 meses e, recentemente, confirmou que o PlayStation 6 pode custar mais de US$ 1.000 ao consumidor — em parte, por causa da crise global de componentes de memória. O fim dos jogos físicos elimina a única alternativa que ainda existia para quem queria pagar menos comprando títulos usados ou emprestando jogos a amigos. No Brasil, a deputada federal Erika Hilton já acionou a Senacon e pediu investigação sobre possíveis violações ao Código de Defesa do Consumidor.

Desde o anúncio, a Sony não publicou mais nas redes sociais e não respondeu às críticas de Kojima nem à mobilização crescente dos fãs. No comunicado original, a empresa argumentou que a mudança reflete uma "direção natural", diante da preferência crescente pelo formato digital — mas a intensidade da reação pública sugere que uma parte significativa da base de jogadores discorda, e com força, dessa avaliação.

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