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Realm of Ink entrega um roguelite bonito e cheio de personalidade

Com muito estilo, jogo mistura ação rápida e visual inspirado em pinturas chinesas

29 mai 2026 - 15h09
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Realm of Ink entrega um roguelite bonito e cheio de personalidade
Realm of Ink entrega um roguelite bonito e cheio de personalidade
Foto: Reprodução / 4Divinity

Durante muito tempo, o mercado chinês de jogos acabou ficando mais associado apenas a MMORPGs ou títulos mobile, mas isso começou a mudar bastante nos últimos anos. Cada vez mais estúdios do país passaram a investir em projetos maiores e visualmente chamativos, misturando elementos da própria cultura com gêneros já populares no mercado internacional. Black Myth: Wukong talvez tenha sido o caso mais comentado recentemente, mas vários outros projetos menores também começaram a chamar atenção, justamente por tentar criar identidades próprias dentro desse crescimento da indústria chinesa.

Realm of Ink segue bastante essa ideia ao apostar em um roguelite de ação inspirado em pinturas tradicionais chinesas e no estilo já conhecido de jogos como Hades. Mesmo sem reinventar muita coisa dentro do gênero, o jogo consegue chamar atenção pela direção artística e pela forma como usa o conceito de repetição como parte importante da própria narrativa.

No reino das tintas 

Em Realm of Ink, a trama gira em torno de quebrar o ciclo de controle no qual nossa personagem está presa. Logo nos minutos iniciais, descobrimos que tudo o que estamos fazendo faz parte de uma repetição constante, e Red, nossa primeira protagonista, decide lutar até o fim para alcançar o Caminho Celestial e finalmente conquistar o livre-arbítrio que lhe foi tirado sem sequer perceber.

Por se tratar de um roguelite, a narrativa é bem fragmentada, com cenas curtas e uma narração comentando os acontecimentos conforme avançamos por certos níveis e derrotamos chefes. Ainda assim, foi uma ideia bastante inteligente da desenvolvedora usar justamente o conceito de repetição presente no gênero como combustível para a própria história.

Apesar dessa proposta interessante, senti que os personagens secundários acabam sendo pouco aproveitados. Red poderia desenvolver mais esse tema com eles, mas praticamente não comenta sobre a descoberta do ciclo, enquanto as missões secundárias acabam sendo bem simples no geral.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Dá para dizer facilmente que Realm of Ink bebe bastante da fonte de Hades, não apenas na forma como a história é apresentada, com os retratos dos personagens aparecendo durante as conversas, mas também no design das fases e no funcionamento da jogabilidade. O combate lembra bastante o título da Supergiant Games, mas isso está longe de ser um problema. Nossa personagem possui ataques normais, golpes carregados e um número limitado de esquivas, enquanto os inimigos possuem marcadores indicando onde seus ataques vão acertar, algo que funciona muito bem aqui.

Conforme avançamos pelas fases, o jogo adota aquela mecânica clássica dos roguelites em que somos recompensados com melhorias para facilitar a run. Em Realm of Ink, elas recebem o nome de Relíquias de Tinta e funcionam exatamente como esperado. Podemos adquirir habilidades passivas, poderes devastadores com tempo de recarga e até evoluir esses ataques ao longo da jornada. Também contamos com um mascote chamado Mascotinta, que acompanha nossa personagem, oferecendo habilidades passivas e especiais que ajudam tanto no combate quanto na exploração. Conforme desbloqueamos novas habilidades, ele também muda visualmente e se torna mais poderoso.

Tratando-se de um roguelite, é esperado que a dificuldade aumente bastante conforme avançamos pelos caminhos e enfrentamos chefes, mas senti que Realm of Ink é relativamente honesto nesse aspecto. Justamente por conta do Mascotinta, dependendo da combinação de habilidades escolhida, ele praticamente resolve boa parte dos confrontos sozinho.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Ainda assim, é difícil não elogiar o visual dos inimigos e do mundo do jogo. O estilo inspirado em pinturas tradicionais chinesas, com aquele aspecto de tinta diluída feita à mão, funciona muito bem. Existe uma boa variedade de criaturas e os cenários seguem bastante essa mistura de fantasia feudal com elementos místicos. Durante as conversas com os personagens, também dá para perceber o cuidado da desenvolvedora em criar uma identidade própria para Realm of Ink.

Também vale destacar a variedade de personagens desbloqueáveis, conhecidos aqui como formas, algo que aumenta bastante o fator replay. Cada personagem possui estilos de combate e aparências diferentes. Violetta, por exemplo, aposta em mais agilidade, enquanto outros focam em golpes críticos ou ataques pesados.

Mesmo chegando agora na versão 1.0, ainda existem elementos que parecem não ter saído completamente do acesso antecipado. Alguns golpes simplesmente não possuem efeitos sonoros quando acertam inimigos, algo que chama bastante atenção durante o combate. A dublagem também parece pouco refinada em certos momentos, principalmente na narração de alguns eventos. Outro problema aparece nas legendas em português do Brasil, que possuem tamanho muito pequeno e acabam dificultando bastante a leitura, mesmo jogando em uma televisão.

Considerações

Realm of Ink - Nota 7,5
Realm of Ink - Nota 7,5
Foto: Divulgação / Game On

Mesmo sem reinventar o gênero, Realm of Ink consegue deixar uma boa impressão, principalmente pela identidade visual e pela forma como transforma o conceito de repetição em parte da própria narrativa. Existe um cuidado muito grande na ambientação, nos efeitos inspirados em pinturas tradicionais chinesas e até na construção das criaturas espalhadas pelo mundo.

Claro que ainda existem limitações bem perceptíveis, principalmente em alguns problemas técnicos que parecem ter vindo diretamente do acesso antecipado. Ainda assim, o jogo consegue encontrar espaço próprio dentro de um gênero extremamente disputado e mostra como os estúdios chineses seguem evoluindo cada vez mais na indústria.

Realm of Ink está disponível para PC, PlayStation 5, Switch e Xbox Series.

Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Leap Studio.

Fonte: Game On
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