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Neve prova o potencial da ficção científica brasileira

Sobrevivência, desconfiança e decisões que podem mudar o destino da tripulação

2 jun 2026 - 15h48
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Neve prova o potencial da ficção científica brasileira
Neve prova o potencial da ficção científica brasileira
Foto: Reprodução / Ritus Studio

Nos últimos anos, a indústria brasileira tem mostrado cada vez mais variedade ao explorar gêneros que antes pareciam dominados apenas por grandes estúdios internacionais. A ficção científica é um desses espaços, principalmente quando mistura narrativa, escolhas e temas atuais para criar experiências que dependem mais das ideias do que do tamanho da produção.

Neve segue justamente esse caminho ao colocar o jogador diante de uma história de sobrevivência em um planeta desconhecido, em que cada decisão pode mudar o destino da tripulação. Apostando em uma narrativa inspirada por clássicos da ficção científica e em escolhas que carregam consequências reais, o título encontra sua identidade ao transformar confiança e responsabilidade nos principais pilares da aventura.

O peso de cada escolha

Em Neve, acompanhamos a jornada da Capitã Jasmina que, após um imprevisto durante sua rota com a nave Argo, precisa fazer um pouso de emergência no planeta Lemnos. Claro que aterrissar em um planeta desconhecido não seria uma tarefa simples. A capitã acaba presa dentro de sua cápsula criogênica e, ao mesmo tempo, precisa encontrar uma forma de orientar as duas tripulantes que a acompanham para que consigam sobreviver.

Essas duas personagens, Hilas e Atalanta, dividem o protagonismo com Jasmina. Como o oxigênio da cápsula criogênica está diminuindo com o passar do tempo, a narrativa ganha um senso constante de urgência. Além de tentar sobreviver, precisamos orientar as duas tripulantes perdidas naquele planeta e descobrir se a IA Calais, que está nos auxiliando durante a jornada, realmente pode ser considerada uma aliada.

Conforme a história avança, fica bastante evidente que Neve buscou inspiração em algumas das obras mais marcantes da ficção científica sobre sobrevivência e isolamento. Essas referências não aparecem apenas na narrativa, mas também no visual dos ambientes explorados pelas personagens. O primeiro Alien é uma influência clara em vários momentos, enquanto a relação com a IA lembra bastante a desconfiança presente em O Enigma de Outro Mundo, já que nunca sabemos ao certo se ela realmente está do nosso lado.

Foto: Reprodução / Ritus Studio

A jogabilidade de Neve pode ser um ponto de divisão para alguns jogadores, já que o título se aproxima muito mais de uma visual novel do que de uma experiência focada em mecânicas complexas. Grande parte da aventura gira em torno das escolhas feitas durante a jornada e da forma como administramos as decisões envolvendo as personagens. Essas escolhas influenciam diretamente o rumo da história e determinam qual dos finais será alcançado. Como o jogo possui uma duração relativamente curta, a presença de múltiplos desfechos acaba funcionando como um incentivo interessante para novas partidas.

São justamente essas decisões que tornam Neve um título brasileiro tão interessante. É fácil perceber o peso de cada escolha, já que estamos constantemente divididos entre tentar salvar a própria Jasmina e encontrar maneiras de garantir a sobrevivência das demais tripulantes. O pano de fundo também aborda um tema bastante atual, pois a IA que nos auxilia demonstra se preocupar muito mais com a carga transportada pela nave do que com as vidas humanas envolvidas. Isso faz com que nossas decisões pessoais tenham um peso ainda maior ao longo da campanha. 

Em alguns momentos, inclusive, mentir para Hilas e Atalanta parece ser a melhor opção para manter a dupla motivada. O problema é que essas mentiras podem cobrar seu preço mais tarde caso a verdade venha à tona.

O jogo também não se limita apenas aos diálogos e escolhas narrativas. Em determinados momentos, precisamos explorar outra nave que caiu próxima à nossa para coletar recursos e resolver pequenos quebra-cabeças. Essas interações ajudam a quebrar o ritmo da leitura e funcionam bem dentro da proposta, embora sejam bastante simples. Ainda assim, possuem um elemento de tensão interessante, já que cometer erros pode acelerar o consumo do oxigênio de Jasmina, obrigando o jogador a agir com mais atenção nas próximas situações.

Considerações

Neve - Nota 8
Neve - Nota 8
Foto: Divulgação / Game On

Neve consegue entregar uma experiência interessante ao apostar em uma narrativa que valoriza as escolhas do jogador e constrói uma atmosfera constante de incerteza. Mesmo com uma jogabilidade simples e algumas interações que poderiam ser mais elaboradas, o título mantém o interesse graças aos dilemas apresentados durante a campanha e ao bom uso de suas inspirações na ficção científica.

O resultado é uma aventura curta, mas que sabe aproveitar sua proposta e reforça como os estúdios brasileiros continuam encontrando maneiras criativas de explorar diferentes gêneros. Sem depender de grandes espetáculos, Neve constrói uma experiência que se sustenta pela história, pelos personagens e pelas decisões que acompanham o jogador até o final.

Neve está disponível para PC.

Esta análise foi feita no PC, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Ritus Studio.

Fonte: Game On
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