Mouse: P.I. For Hire transforma estética clássica em um shooter cheio de personalidade
Boomer shooter aposta em estética clássica e narrativa de detetive para se destacar
Mouse: P.I. For Hire surgiu como um projeto que rapidamente chamou atenção pelo visual, mas não demorou para mostrar que a proposta ia além disso. A ideia de usar animações no estilo dos anos 30 não ficou só como estética, servindo como base para construir todo o tom do jogo, que mistura humor, violência e um clima noir bem marcado.
Com o tempo, esse conceito foi sendo moldado em algo mais completo. O projeto deixou de ser apenas uma curiosidade visual e passou a se apoiar também na jogabilidade, adotando uma estrutura de shooter mais direta, enquanto encaixa elementos de investigação e narrativa para dar contexto ao que acontece em tela.
Contratado para um mistério que vai muito além do esperado
Em Mouse: P.I. For Hire, a trama gira em torno de um caso de desaparecimentos que parecia simples, mas que vai se tornando cada vez mais complexo. Jack Pepper, nosso protagonista, já foi um herói de guerra e agora atua como detetive particular. Conforme ele avança na investigação e descobre pistas sobre o possível paradeiro dos desaparecidos, fica claro que há algo muito mais obscuro por trás, com gangues, policiais corruptos e outras forças tentando impedir que a verdade venha à tona.
Para quem gosta de histórias de detetive, especialmente com um estilo noir, Mouse: P.I. For Hire entrega uma narrativa interessante. Muito disso vem do visual adotado pelo jogo. A escolha por um estilo inspirado nas animações dos anos 30, com um ar que lembra produções clássicas da Turma do Mickey, mas com uma abordagem mais adulta, funciona muito bem. Dá para perceber o cuidado artístico, com personagens e chefes que se destacam pelo design.
Um dos grandes destaques é o próprio Jack Pepper, que conta com a voz de Troy Baker. Sempre que o personagem narra os acontecimentos, o jogo assume um tom bem próximo de obras como Sin City e Watchmen, com aquele estilo mais dramático típico de histórias noir. A atuação de Baker funciona muito bem, tanto nos momentos mais sérios quanto quando o personagem adota um tom mais sarcástico, sem fugir da proposta do jogo.
Na jogabilidade, a ação chama atenção, principalmente com o avanço das missões. O jogo segue uma linha de boomer shooter, lembrando mais Quake e DOOM 64. É possível partir para o corpo a corpo, com socos e chutes para desorientar inimigos, além do uso de armas como a clássica Thompson e outras opções mais caricatas, que combinam com o tom mais fantasioso da experiência.
O personagem também pode usar dash e deslizar durante os tiroteios, que mesmo sendo de um jogo indie, conseguem ser desafiadores. A recuperação de vida segue o padrão clássico, com itens como bebidas ou pedaços de queijo, já que não há regeneração automática. Também é possível coletar blindagens que funcionam como escudo, algo essencial em confrontos mais intensos, principalmente contra inimigos armados com rifles de precisão.
Entre os pontos mais fracos, os inimigos acabam repetindo bastante seus visuais. Isso é compreensível considerando o tamanho da equipe de desenvolvimento, mas em alguns momentos quebra um pouco a variedade, especialmente quando vários inimigos idênticos aparecem ao mesmo tempo realizando as mesmas animações.
Com o tempo, os confrontos podem se tornar um pouco repetitivos. Muitas sequências acontecem em áreas mais amplas, com inimigos surgindo por portas marcadas com uma caveira, algo que se repete ao longo do jogo. Por outro lado, as lutas contra chefes conseguem se destacar mais por acontecerem em espaços menores, com um foco maior no confronto direto, trazendo desafios adicionais como desviar de ataques ou se movimentar constantemente para sobreviver.
Fora das investigações e, principalmente, quando podemos explorar melhor a cidade onde o jogo se passa, existem bares que Jack pode frequentar quando quiser, e dentro deles há um minigame que pode facilmente render várias horas.
Ele segue quase a mesma lógica de um Gwent, onde as cartas de baseball que encontramos explorando cada canto secreto das fases podem ser utilizadas. Nesse jogo, a regra acompanha o próprio baseball, em que precisamos superar os números das cartas de rebatedor e arremessador. A ideia é, a cada rodada, avançar pelas três bases para pontuar ou, quando estiver na defesa, interceptar a jogada do adversário para impedir a pontuação e ganhar fichas que podem ser trocadas depois.
Outro destaque são os minigames de abrir cofres espalhados pelo cenário. Em vez de seguir o padrão tradicional, o jogo aposta em uma mecânica que mistura elementos de lockpick com o estilo clássico do jogo da cobrinha. É preciso traçar um caminho correto para destravar o cofre, garantindo recompensas como moedas, itens e cartas mais fortes.
Considerações
Mouse: P.I. For Hire acerta ao construir uma identidade forte, principalmente pelo visual e pela forma como trabalha seu protagonista. A narrativa segura bem o interesse, e a jogabilidade entrega uma ação sólida que evolui conforme as missões avançam, mesmo sem reinventar o gênero.
Ainda assim, alguns pontos acabam limitando a experiência. A repetição de inimigos e a estrutura de algumas sequências deixam a progressão previsível em certos momentos. Mesmo com isso, o jogo consegue se sustentar pelo conjunto e mostra que a proposta tem força suficiente para se destacar dentro do cenário indie.
Mouse: P.I. For Hire está disponível para PC, PlayStation 5, Switch 2 e Xbox Series.
Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela PlaySide Studios.
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