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Code Vein II amplia sua ambição e testa os limites da própria fórmula

Continuação arrisca mais na estrutura e na narrativa, mas sem abandonar a identidade da série

26 jan 2026 - 19h59
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Code Vein II amplia sua ambição e testa os limites da própria fórmula
Code Vein II amplia sua ambição e testa os limites da própria fórmula
Foto: Reprodução / Bandai Namco

Sequências sempre carregam um peso estranho. Ao mesmo tempo em que precisam respeitar o que veio antes, também precisam provar que ainda têm algo novo a dizer. Com Code Vein II, a sensação inicial é justamente essa. Não é um jogo que tenta apenas repetir a fórmula, mas também não abandona totalmente o terreno seguro que construiu no primeiro título.

Logo de cara, fica claro que a ambição aqui é maior. O jogo passa a brincar com ideias mais amplas, tanto no tom da narrativa quanto na forma como o jogador se movimenta e observa o mundo ao redor. Não é algo que se revela de imediato, mas existe uma intenção clara de fazer o jogador pensar mais sobre o que está vivendo, e não apenas reagir ao próximo confronto.

Unidos pelo sangue 

Em Code Vein II, o mundo caminha lentamente para o colapso em um futuro onde humanos e Aparições coexistem à beira da extinção. Essas criaturas de habilidades vampíricas sempre viveram nas sombras da história, mas há cerca de cem anos, sua sociedade tomou uma decisão extrema ao tentar conter um fenômeno conhecido como Ressurgência, capaz de transformar seres vivos em monstros sem consciência. 

O ritual falhou, e desse erro nasceu a Luna Rapacis, uma ameaça que acelerou ainda mais a perda da identidade das Aparições. Aos poucos, eles deixam de reconhecer quem são e se tornam Horrores guiados apenas pelo instinto, empurrando o mundo para um cenário onde a civilização parece cada vez mais próxima do fim.

O único meio de resolver todos esses problemas e trazer paz ao presente é voltar diretamente ao passado em busca de respostas. Ao lado de Lou, nossa principal guia nessa jornada e responsável por tornar essas viagens no tempo possíveis, somos encarregados de eliminar figuras que um dia foram consideradas heróis.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Na pele de um caçador de aparições, cabe a nós cumprir essa missão. Como toda história que envolve viagem no tempo, entramos em zonas delicadas de moralidade, onde precisamos decidir se certos eventos do passado devem ou não ser alterados, mesmo sem saber exatamente o impacto disso no presente.

Não vou negar que, no começo, achei que essa dinâmica entre passado e presente não iria funcionar, já que esse tipo de narrativa é difícil de executar de forma convincente. Ainda assim, Code Vein II lida com essa proposta de maneira bastante competente. 

O jogo instiga o jogador a entender como pequenas mudanças no passado afetam diretamente a linha do tempo atual. Somos avisados o tempo todo de que essas interferências são perigosas, mas os laços que criamos com personagens do passado acabam abrindo espaço para essas decisões. Inclusive, os personagens secundários estão bem mais interessantes desta vez. Lou, Noah, Irís e até mesmo os antigos heróis ganham mais profundidade conforme vamos descobrindo suas histórias, o que torna esse envolvimento ainda mais natural.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Passado e presente unidos

Por ser um jogo que trabalha com duas linhas do tempo coexistindo, isso afeta não apenas a história, mas também toda a estrutura de exploração. Alguns acontecimentos do passado alteram diretamente o cenário no presente, como pontes que antes não existiam e que passam a conectar o continente à Ilha de MagMell.

A exploração aqui é bem diferente do Code Vein anterior, que seguia uma estrutura mais fechada, próxima dos Dark Souls clássicos. Desta vez, temos um mundo aberto, com direito até ao uso de uma motocicleta em determinados momentos. Por conta da dinâmica entre passado e presente, a sensação é de ter o dobro de áreas para explorar, já que certos locais ficam disponíveis em uma linha do tempo, mas não na outra. O mapa é repleto de masmorras, que apesar de seguirem uma estrutura semelhante, conseguem variar nos desafios e sempre culminam em batalhas contra chefes.

Além das masmorras, explorar o mundo é essencial para fortalecer o personagem. É possível aprimorar a regeneração, coletar ingredientes para receitas e encontrar presentes para entregar aos personagens secundários. Um detalhe bem interessante dessa exploração são as chamadas Emoções Regionais. Ao encontrar certos altares e rezar para figuras do passado, recebemos bônus temporários muito úteis em combate. Um bom exemplo é o altar da Ingrid, A Sábia, que concede mais escudo ao realizar a interação, tornando as lutas um pouco mais estratégicas.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Se tratando da jogabilidade, Code Vein II faz o feijão com arroz que já vimos no título anterior, mas agora com algumas adições importantes. Entre elas estão as Formae de Arma, que ampliam as opções de ataque por meio de habilidades, companheiros bem mais úteis durante as lutas e finalizações especiais ligadas à mecânica de drenagem, que entram em ação quando o inimigo está atordoado.

Para quem anda sedento por algo mais próximo de um Souls, como a franquia tenta se posicionar, jogadores em busca de uma experiência mais difícil podem acabar se decepcionando. Code Vein II traz diversos sistemas pensados para tornar a jornada mais fácil e acessível a um público mais casual. Os próprios companheiros são um exemplo disso. Eles não reduzem diretamente a vida dos inimigos, mas aplicam um dano temporário indicado por uma barra branca. Quando somos nós que atacamos, essa parte da vida garantida pelo aliado passa a ser convertida em dano real, reduzindo de fato a barra de vida do inimigo.

Entre outros benefícios dos aliados estão os Traços de Vínculo, que variam de personagem para personagem e podem aumentar nosso ataque ou defesa. Essa mecânica, no entanto, é um pouco frágil. Mesmo com o vínculo no máximo, ao receber dano ele pode se desfazer, sendo necessário aguardar um tempo para voltar a ficar ativo. 

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Ainda assim, o que realmente torna o jogo mais fácil é a Oferenda Restauradora. Com ela, o aliado pode nos reviver instantaneamente durante o combate, praticamente se sacrificando para isso. O detalhe é que esse aliado não precisa esperar o retorno ao Viscos para voltar à ação, podendo reaparecer na mesma luta, o que dá mais de uma chance para derrotar inimigos e até chefes.

A evolução do personagem também foge da lógica tradicional de montar builds livres. Ao subir de nível, os atributos aumentam de forma pré-determinada pelo jogo. Para ainda assim agradar diferentes tipos de jogadores, Code Vein II aposta no sistema de Códigos de Sangue. Cada um deles funciona como um estilo próprio, com traços que influenciam diretamente a forma de combate e também os atributos gerais do personagem.

Alguns Códigos priorizam força em troca de vitalidade, outros focam em destreza reduzindo o dano bruto, e assim por diante. Essas linhagens ainda contam com uma barra de proficiência e podem ser aprimoradas ao longo da jornada. No fim das contas, o sistema funciona bem justamente por encontrar um meio-termo. Mesmo sem permitir total controle sobre a build, ele oferece liberdade suficiente para o jogador escolher um estilo que combine mais com sua forma de jogar.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Hoje em dia é comum que jogos ofereçam diferentes opções gráficas, e Code Vein II segue esse padrão, mas o resultado acaba sendo um pouco decepcionante. Existem dois modos disponíveis. Um deles é a prioridade de ação, que promete uma taxa de quadros mais alta e movimentos mais fluidos tanto para o jogador quanto para os inimigos, mas na prática isso não se concretiza. Já o modo gráfico também não impressiona, já que as mudanças ficam mais concentradas na resolução do que em melhorias visuais perceptíveis.

O mais curioso é que o único local onde realmente dá para sentir o jogo rodando próximo dos 60 quadros por segundo é na Convergência, área onde podemos conversar com a Lou. Por ser um ambiente quase todo branco e com poucos detalhes, o desempenho ali finalmente se mantém estável, o que acaba deixando ainda mais evidente as limitações técnicas nos outros cenários.

Fora esses problemas de desempenho, há um ponto que merece muitos elogios, especialmente para quem gosta de customizar personagens. As opções presentes em Code Vein II são um verdadeiro deleite. Há uma grande variedade de escolhas, desde as mais comuns até algumas pouco vistas em outros jogos, como a possibilidade de definir até qual headset o personagem irá usar. Outro detalhe bem acertado é a liberdade para escolher diferentes cores em partes específicas da roupa, permitindo deixar tudo do jeito que o jogador quiser.

Considerações

Code Vein II - Nota 8,5
Code Vein II - Nota 8,5
Foto: Divulgação / Game On

Code Vein II mostra uma franquia que decidiu crescer, mesmo tropeçando em alguns pontos técnicos pelo caminho. A combinação de viagem no tempo, exploração ampliada e sistemas que favorecem jogadores menos experientes funciona bem dentro da proposta, ainda que afaste quem busca um desafio mais próximo do padrão Souls. Ainda assim, o jogo encontra identidade própria ao apostar mais em narrativa, personagens e liberdade de abordagem.

Apesar das limitações de desempenho e das opções gráficas pouco impactantes, o conjunto se sustenta pelo conteúdo oferecido e pelas ideias que a Bandai Namco decidiu colocar em prática. Para quem gostou do primeiro Code Vein e esperava algo mais ousado, essa sequência entrega uma experiência mais madura, mesmo sem ser perfeita.

Code Vein II chega em 30 de janeiro para PC, PlayStation 5 e Xbox Series. O jogo já está disponível antecipadamente para os donos das edições Deluxe e Ultimate.

Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Bandai Namco.

Fonte: Game On
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