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Planet of Lana II aprofunda a experiência e mantém sua beleza indie

Sequência expande o universo do jogo com maturidade e sensibilidade

4 mar 2026 - 10h57
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Planet of Lana II aprofunda a experiência e mantém sua beleza indie
Planet of Lana II aprofunda a experiência e mantém sua beleza indie
Foto: Divulgação/Thunderful Publishing

Lançado em 2023, o jogo indie Planet of Lana chamou a atenção ao apresentar um visual simples, mas muito bonito e artístico, com uma narrativa cinematográfica que mistura scifi com emoção e temas como amizade, esperança e sobrevivência.

Agora três anos depois, Planet of Lana II: Children of the Leaf chega trazendo tudo o que funcionou no primeiro jogo, mas de forma ampliada e mais madura, com o mesmo olhar artístico sensível sobre a amizade e os novos mistérios que surgem. Se você gostou da primeira aventura, a sua continuação é imperdível.

Um mundo que carrega cicatrizes

Planet of Lana II se passa após os eventos do jogo original, mas evita a armadilha da “ameaça maior”. Em vez disso, aposta em algo mais interessante: as consequências. O mundo salvo não é um mundo intacto. Há ruínas, áreas transformadas, biomas que parecem tentar se reorganizar depois do colapso das máquinas.

A sensação constante é a de caminhar por um planeta que ainda está se curando — e que guarda segredos muito mais antigos do que a invasão mecânica vista no primeiro jogo.

O subtítulo Children of the Leaf - Filhos da Natureza, em tradução livre - não é gratuito: a narrativa passa a olhar para origens, heranças e ciclos, expandindo a mitologia do universo sem recorrer a exposições diretas ou diálogos explicativos, reforçando a ideia de ciclo da vida, crescimento e renovação.

Tudo continua sendo contado por imagens, gestos e enquadramentos, sem diálogos falados. É o tipo de narrativa que confia no jogador — algo cada vez mais raro hoje em dia.

Lana e Mui: a dupla que sustenta tudo

Fases subaquáticas são uma das novidades em Planet of Lana II
Fases subaquáticas são uma das novidades em Planet of Lana II
Foto: Reprodução

A relação entre Lana e Mui - a criatura fofa parecida com um gato, que tem mais do seu passado misterioso revelado - segue sendo o coração da experiência. Mas aqui ela é menos sobre descoberta e mais sobre confiança. Os quebra-cabeças reforçam isso de forma elegante, exigindo mais coordenação, leitura de ambiente e principalmente timing.

Há uma clara evolução mecânica: Lana está mais ágil, os desafios são mais elaborados e os designs inteligentes dos cenários permitem brincar com verticalidade, física e ritmo, além de apresentar novas formas de interagir com criaturas e máquinas para ajudar na resolução dos quebra-cabeças.

Vale destacar que tudo isso acontece enquanto se explora novos tipos de ambientes — como montanhas geladas, oceanos profundos e antigas ruínas, ampliando a sensação de um mundo vivo e diversificado. As fases submarinas, inclusive, me lembraram um pouco o clássico Ecco The Dolphin do Mega Drive, que prepara o seu retorno em breve nos consoles atuais.

O resultado é um jogo que continua acessível, mas não simplório, que em certos momentos vai exigir raciocínio do jogador para seguir em frente.

Beleza que não grita

Planet of Lana II conta com belos visuais inspirados em animações do Studio Ghibli
Planet of Lana II conta com belos visuais inspirados em animações do Studio Ghibli
Foto: Reprodução

Visualmente, Planet of Lana II reafirma a identidade artística que marcou o primeiro jogo, com cenários que evocam animações europeias e o lirismo suave associado ao Studio Ghibli. A diferença está na forma como essa estética agora se permite maior variedade e contraste, alternando paisagens abertas e luminosas com espaços mais densos, sombrios e opressivos. O mundo não é apenas bonito: ele comunica estado emocional, história e passagem do tempo.

Há momentos em que o jogo convida à contemplação pura, quase como se pedisse ao jogador que desacelere e apenas observe. Em outros, o desconforto surge de maneira silenciosa, sem sustos ou exageros, criando uma melancolia constante que acompanha a jornada. Essa alternância de sensações reforça a ideia de um planeta em recuperação, marcado por cicatrizes visíveis e por uma beleza que não tenta se impor o tempo todo.

Os quebra-cabeças estão mais variados e inteligentes
Os quebra-cabeças estão mais variados e inteligentes
Foto: Reprodução

A trilha sonora segue a mesma filosofia de contenção. Discreta, emocional e pontual, ela entende quando deve guiar a experiência e quando deve simplesmente se ausentar. Em muitos trechos, o silêncio assume o protagonismo, ampliando a força das imagens e das ações. Não é ausência por limitação técnica, mas uma decisão consciente de design, que confia na sensibilidade do jogador para preencher os espaços vazios.

A aventura possui no total oito capítulos, que podem ser jogados em cerca de 6 a 8 horas, dependendo da rapidez com que os jogadores resolvem os quebra-cabeças ambientais, e sendo um pouco mais extenso que o primeiro jogo. E pelas cenas finais, acho que posso dizer que teremos um terceiro capítulo em um futuro próximo.

Considerações

Planet of Lana II - Nota 9
Planet of Lana II - Nota 9
Foto: Divulgação / Game On

Talvez o maior mérito de Planet of Lana II seja compreender que evoluir não significa apenas “ser maior”. Significa aprofundar temas, refinar a jogabilidade e aceitar que todo o seu encanto está na sutileza e delicadeza que definiu o primeiro jogo.

Não é um jogo sobre derrotar vilões épicos ou salvar o universo. É sobre caminhar por um mundo que mudou, entender o que ficou para trás e seguir em frente carregando memórias. Em um mercado cada vez mais obcecado por métricas de engajamento e conteúdo infinito, Planet of Lana II aposta no oposto: uma experiência contida, emocional e autoral.

E talvez seja exatamente por isso que ele se destaca tanto.

Planet of Lana II: Children of the Leaf chega em 5 de março para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Switch, Switch 2, Xbox One e Xbox Series.

Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Thunderful Publishing.

Fonte: Game On
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