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Fatal Frame II Remake revive um dos jogos de terror mais marcantes do PS2

Entre aldeias abandonadas e espíritos vingativos, o clássico cult volta com visual renovado, forte atmosfera e alguns tropeços no caminho

10 mar 2026 - 15h16
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Fatal Frame II Remake revive um dos terrores mais marcantes do PS2
Fatal Frame II Remake revive um dos terrores mais marcantes do PS2
Foto: Reprodução/Koei Tecmo

Durante os anos 2000, poucos jogos conseguiram capturar o terror de forma tão inquietante quanto Fatal Frame II: Crimson Butterfly. Lançado originalmente em 2003 para PlayStation 2, o título rapidamente ganhou fama entre fãs de survival horror por apostar em algo diferente: menos ação, mais atmosfera — e uma sensação constante de vulnerabilidade.

Mais de duas décadas depois (e um remake para Wii em 2012), Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake traz essa história de volta para uma nova geração, reconstruindo um clássico cult do terror japonês com gráficos modernos e algumas ideias inéditas que aprofundam ainda mais o vínculo entre suas protagonistas.

O resultado não tenta reinventar o jogo original, mas sim preservar aquilo que o tornou memorável: um jogo de terror silencioso, psicológico e profundamente humano.

Um pesadelo construído sobre laços familiares

A trama continua sendo o coração da experiência. A história acompanha as irmãs gêmeas Mio e Mayu Amakura, que acabam entrando em uma vila abandonada conhecida como Minakami Village, um lugar marcado por rituais proibidos e espíritos vingativos. Conforme Mio procura uma forma de escapar com a irmã, ela acaba desvendando os segredos sombrios que levaram à ruína daquele lugar.

O detalhe que sempre diferenciou Fatal Frame de outros jogos de terror é justamente essa abordagem mais emocional. O horror não vem apenas dos fantasmas — mas da relação entre as duas irmãs e da culpa que as acompanha desde a infância.

O remake entende bem essa essência. A vila continua sendo quase um personagem próprio: um lugar onde cada corredor, cada casa abandonada e cada ritual esquecido parecem contar fragmentos de uma tragédia que nunca foi totalmente enterrada.

Visualmente deslumbrante

Os visuais e atmosfera sombria são um dos grandes destaques do remake
Os visuais e atmosfera sombria são um dos grandes destaques do remake
Foto: Reprodução

Visualmente, o remake impressiona pela forma como reconstrói a vila de Minakami com tecnologia moderna. Os ambientes estão muito mais detalhados, com iluminação dinâmica, sombras densas e uma direção artística que reforça a atmosfera tensa e opressiva do jogo. 

Casas abandonadas, templos esquecidos e trilhas cobertas pela vegetação ajudam a criar um cenário que parece permanentemente suspenso entre o mundo dos vivos e o dos mortos. Infelizmente, nem tudo funciona com a mesma harmonia. 

Em alguns momentos, os designs de Mio, Mayu e outros personagens parecem destoar do restante da ambientação. As expressões faciais e proporções corporais dão uma sensação um pouco artificial, criando um contraste estranho com os cenários altamente detalhados e atmosféricos — algo que pode quebrar momentaneamente a imersão em determinadas cenas.

Em comparação, Silent Hill f, que também tem como tema o Japão, consegue integrar melhor o visual de seus personagens aos cenários, criando uma unidade estética mais consistente.

Em alguns momentos, design dos personagens parecem meio artificiais
Em alguns momentos, design dos personagens parecem meio artificiais
Foto: Reprodução

Outro elemento que merece destaque - mas de maneira positiva - é o áudio. O remake utiliza som espacial em 3D, permitindo que o jogador perceba a presença de espíritos ao redor (uso de fones de ouvido é mais do que recomendado) — muitas vezes antes mesmo de vê-los.

Esse tipo de detalhe reforça uma das qualidades mais fortes da série: o terror raramente depende de sustos baratos. Em vez disso, ele surge lentamente, através da atmosfera e da sensação constante de que algo está observando você nas sombras.

Além disso, o trabalho de dublagem está muito bom. Tanto em inglês quanto em japonês, as vozes ajudam a reforçar o clima melancólico e inquietante que define a experiência. As intérpretes de Mio e Mayu conseguem transmitir com naturalidade a fragilidade, o medo e o vínculo emocional entre as duas irmãs, algo essencial para o peso dramático da história.

Terror clássico, mas com mecânicas que denunciam sua idade

Espíritos malignos são combatidos com a Câmera Obscura
Espíritos malignos são combatidos com a Câmera Obscura
Foto: Reprodução

Se por um lado o remake preserva várias essências do clássico, por outro ele também carrega alguns dos problemas de design herdados da versão original.

A movimentação das personagens, por exemplo, é meio travada em vários momentos, especialmente para jogadores acostumados com a fluidez dos survival horrors modernos. Mio se desloca pela vila de Minakami com certa rigidez e lentidão, e a resposta dos controles nem sempre acompanha a urgência das situações sobrenaturais que surgem pelo caminho.

Essa sensação se estende também aos confrontos contra os espíritos. O sistema da Camera Obscura, ainda extremamente criativo (com algumas melhorias importantes , como funções de zoom, foco e filtros), continua sendo o coração da experiência — afinal, poucos jogos conseguem transformar o simples ato de fotografar em um combate tão tenso. No entanto, depois de algumas horas, fica evidente que o gameplay pode se tornar repetitivo.

Grande parte das batalhas segue um padrão muito semelhante: esperar o fantasma se aproximar, enquadrar o momento certo e disparar a fotografia no instante ideal. O sistema ainda funciona e cria momentos de tensão genuína, mas a variedade de situações e comportamentos dos inimigos nem sempre acompanha o ritmo da campanha.

A nova mecânica de segurar a mão acrescenta um toque humano e ajuda a recuperar recursos
A nova mecânica de segurar a mão acrescenta um toque humano e ajuda a recuperar recursos
Foto: Reprodução

Uma das novidades do remake é a mecânica de “Segurar a Mão”, que permite a Mio segurar a mão de Mayu enquanto exploram a vila.

Além de ser um gesto simbólico, a mecânica também tem função prática. Segurar a mão da irmã ajuda a recuperar recursos importantes, como saúde e energia espiritual, além de reforçar a conexão emocional entre as duas personagens.

Pode parecer um detalhe pequeno, mas ele muda sutilmente o ritmo da experiência. Em vez de simplesmente acompanhar um NPC, o jogador passa a sentir o peso da responsabilidade de proteger alguém vulnerável — algo que intensifica ainda mais a atmosfera do jogo.

Um detalhe que pesa para jogadores brasileiros

Infelizmente, remake não possui localização em português, o que deve afastar alguns jogadores
Infelizmente, remake não possui localização em português, o que deve afastar alguns jogadores
Foto: Reprodução

Um ponto que chama atenção é a ausência de localização em português do Brasil. Fatal Frame sempre foi uma série muito dependente de narrativa ambiental. Documentos espalhados pela vila, diários esquecidos e registros antigos ajudam a reconstruir a história trágica de Minakami e seus habitantes, e de entender os rituais que deram origem aos espíritos que assombram o lugar.

Sem legendas em português, parte dessa experiência pode se perder para uma parcela do público brasileiro. Isso acaba sendo especialmente frustrante porque a história — e os pequenos detalhes escondidos nos textos — são justamente o que torna o universo de Fatal Frame tão fascinante.

Em um momento em que cada vez mais jogos chegam ao Brasil com localização completa, a ausência de tradução em um lançamento desse porte acaba soando como uma oportunidade perdida de aproximar novos jogadores da série.

Considerações

Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake - Nota 8
Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake - Nota 8
Foto: Divulgação / Game On

Mesmo com alguns tropeços, Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake continua sendo uma experiência única dentro do gênero survival horror e do terror japonês. Sua atmosfera opressiva, o uso criativo da câmera como arma e a relação trágica entre Mio e Mayu ainda conseguem criar momentos de terror que poucos jogos modernos conseguem reproduzir.

Para quem jogou o original, este remake serve como uma forma elegante de revisitar um dos survival horrors mais marcantes da era PS2. Para quem nunca entrou em Minakami Village antes, talvez seja a oportunidade perfeita para descobrir por que Crimson Butterfly ainda é lembrado como um dos jogos mais assustadores já feitos.

Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake estará disponível em 12 de março para PC, PlayStation 5, Switch 2 e Xbox Series.

Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Koei Tecmo.

Fonte: Game On
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