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Esoteric Ebb encontra sua identidade ao seguir os passos de Disco Elysium

Jogo mistura investigação, rolagens de dados e fantasia medieval em uma jornada cheia de diálogos e escolhas

6 mar 2026 - 19h04
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Esoteric Ebb encontra sua identidade ao seguir os passos de Disco Elysium
Esoteric Ebb encontra sua identidade ao seguir os passos de Disco Elysium
Foto: Reprodução / Raw Fury

Nos últimos anos, algumas das experiências mais interessantes do RPG surgiram de jogos que não são exatamente sequências diretas, mas funcionam como sucessores espirituais. Em vez de continuar uma história ou universo específico, esses títulos pegam as ideias centrais de um clássico e tentam expandi-las em novas direções. Foi assim com vários projetos que nasceram da influência de jogos marcantes, principalmente quando falamos de RPGs focados em narrativa e escolhas.

Desde o lançamento de Disco Elysium, muitos desenvolvedores passaram a olhar com mais atenção para esse estilo de RPG investigativo, onde diálogos, decisões e rolagens de dados têm tanto peso quanto qualquer combate. Esoteric Ebb surge justamente dentro desse movimento, trazendo uma aventura de fantasia medieval que abraça essa estrutura e tenta adaptá-la para um novo universo, mantendo o foco na escrita, na construção de personagem e na liberdade de escolhas.

O clérigo lendário

Em Esoteric Ebb, jogamos com um clérigo investigando a misteriosa explosão de uma casa de chá em Norvik, uma cidade à beira de sua primeira eleição. Mas, por trás dessa pequena investigação, vários outros problemas começam a surgir pelo caminho, principalmente porque o nosso clérigo, que não é exatamente o tipo que todos esperam, também está tentando descobrir quem o assassinou e por que ele foi revivido.

Com isso em mente, é preciso entender que o jogo segue a linha de um CRPG inspirado em TTRPG. CRPG é a sigla para Computer Role Playing Game, um tipo de RPG pensado para computador que normalmente foca em escolhas narrativas, construção de personagem e diálogos complexos. 

Já TTRPG significa Tabletop Role Playing Game, os RPGs de mesa tradicionais, jogados com fichas de personagem, regras e rolagens de dados. Em Esoteric Ebb, essa influência aparece principalmente na forma como nossas ações dependem de testes de atributo e rolagens de dados, simulando a experiência de uma campanha de RPG de mesa dentro de um videogame.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Quando iniciamos o jogo pela primeira vez, já é notável o quanto ele bebe da fonte de Disco Elysium, e obviamente isso não é algo para reclamar, mas sim algo que empolga ao ver mais jogos se inspirando nele. Na primeira tela, antes de começar de fato, é preciso determinar uma quantidade de atributos, como força, inteligência e carisma. Cada um desses atributos tem seus prós e contras, mas o que merece destaque é a escolha do background do clérigo, que altera um pouco essa árvore de atributos. Além disso, como cada origem possui uma história própria, isso aumenta bastante o fator replay do jogo.

Esses mesmos atributos funcionam como vozes na cabeça do personagem, e boa parte dos inúmeros diálogos se baseia no nível que cada um deles possui. É comum em vários momentos que alguma escolha falhe por falta de destreza, mas, em contrapartida, ter um número maior de sabedoria pode ajudar em momentos de dúvida. Além dos próprios conselhos e orientações dos atributos, também encontramos companions ao longo da jornada, que acabam se tornando importantes com o passar do tempo.

Inclusive, é preciso destacar o quão boa é a escrita do jogo e como cada atributo se expressa de forma coerente com sua característica. Carisma merece menção especial, pois faz jus ao nome e solta comentários bem-humorados sobre várias situações. Ver a força entrando em conflito com a inteligência e nos colocando em uma encruzilhada para decidir qual delas pode estar certa, além de vários outros embates internos que acontecem durante a aventura, reforça como o jogo absorveu bem aquilo que deu certo em Disco Elysium e transportou essa ideia para um cenário de fantasia medieval.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Claro que o mundo em que o jogo se passa também contribui bastante para contar essa história. Orcs, goblins, anões e outras raças fazem parte do núcleo do universo apresentado, e com muitas delas podemos interagir para entender melhor suas opiniões sobre os acontecimentos da trama, especialmente no que diz respeito ao viés político da cidade e às diferentes visões sobre o que pode ser melhor para o reino. Conversar é essencial no jogo, tanto para aprender mais sobre o que significa ser um clérigo de verdade quanto para desbloquear novas missões, muitas delas com desfechos diferentes e que também ajudam a expandir a história principal.

Sendo um jogo com forte caráter investigativo, a exploração ocupa boa parte do tempo de jogo. Interagir com o cenário vai muito além de simplesmente conversar com NPCs. Existem várias outras ações possíveis, como abrir caixas, rezar para determinados deuses, comer maçãs espalhadas pelo cenário ou encontrar pergaminhos para aprender novas magias. 

A magia, inclusive, é algo que nosso personagem precisa aprender com o tempo, principalmente para recuperar vida, já que algumas ações podem falhar e causar dano. Caso a vida chegue a zero, tudo passa a depender da sorte nas rolagens de dados, onde temos até seis tentativas para evitar o fim definitivo da jornada.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Até é possível entrar em combate no jogo, mas é uma opção que raramente me vi querendo escolher. Nosso personagem é relativamente fraco, e muitas ações dependem da sorte ao rolar um dado d20. Até mesmo derrotar um simples zumbi pode dar errado se o número obtido for menor do que o necessário. Essa dependência da sorte acaba sendo uma via de mão dupla em alguns momentos. Existem conversas que também podem dar errado quando a rolagem falha, principalmente ao tentar flertar com algum personagem, mas nessas situações o resultado costuma ser mais cômico do que trágico.

Um ponto impossível de não elogiar é como a trilha sonora e a direção de arte acabam chamando a atenção. Mesmo sendo um jogo com visão isométrica, os cenários são bem construídos, com cores que remetem a boas fantasias medievais. A trilha sonora também surpreende, principalmente no início. Por se tratar de um cenário medieval, era de se esperar algo mais tradicional, mas em vários momentos surge uma música em estilo synthwave que, curiosamente, combina muito bem com o tom das cenas.

Por fim, tratando-se de um jogo em que leitura e diálogos são constantes, algo que pode afastar parte do público brasileiro é a ausência de localização para o nosso idioma. Alguém sem conhecimento básico de inglês dificilmente vai entender o que está acontecendo, já que desde a distribuição de pontos nos atributos do clérigo tudo é acompanhado por explicações detalhadas e contexto narrativo. Em certo sentido, essa parte acaba funcionando quase como um filtro para quem pretende mergulhar na experiência, pois não compreender o idioma utilizado já pode afastar quem não tem familiaridade com ele.

Esoteric Ebb - Nota 9
Esoteric Ebb - Nota 9
Foto: Divulgação / Game On

Esoteric Ebb está disponível para PC.

Esta análise foi feita com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Raw Fury.

Fonte: Game On
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