Atacante da Série A entra na mira do MP por manipulação e lavagem de dinheiro
Um atacante do futebol brasileiro virou alvo de uma investigação do Ministério Público por suspeita de envolvimento em um esquema de manipulação de apostas esportivas.
O futebol brasileiro voltou a ser atingido por uma investigação envolvendo a integridade das apostas esportivas. O atacante Ênio, de 24 anos, revelado pelo Botafogo e atualmente defendendo a Chapecoense, emprestado pelo Juventude, é citado na chamada Operação Totonero, conduzida pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS).
Segundo o MP, a apuração aponta indícios de fraude e manipulação de competição esportiva, além de lavagem de bens, direitos e valores. A investigação indica que o jogador teria ocultado cerca de R$ 1,9 milhão provenientes de empresas ligadas ao mercado de apostas. Por envolver partidas realizadas em diferentes estados, o material reunido será compartilhado com a Polícia Federal.
O foco da apuração está em dois cartões amarelos recebidos por Ênio durante o Campeonato Brasileiro de 2025, quando atuava pelo Juventude. Em ambos os casos, operadoras de apostas relataram volume anormal de apostas direcionadas especificamente à punição disciplinar do atleta. No duelo contra o Vitória, o cartão foi aplicado após reclamação aos 36 minutos do primeiro tempo. Já diante do Fortaleza, Ênio foi advertido aos 39 minutos da etapa inicial após uma entrada por trás em Lucas Sasha.
A defesa do jogador contesta a divulgação do caso. Em nota, o advogado Mozart Rodrigues Castello afirma que não há denúncia formal nem imputação criminal contra o atleta até o momento, destacando que o procedimento ainda está em fase preliminar. O advogado também critica o que classifica como quebra de sigilo, alegando que a exposição pública causa prejuízos à imagem do jogador. A defesa reforça o princípio da presunção de inocência e afirma que Ênio está colaborando com as autoridades.
Revelado pelo Botafogo, Ênio integrou o elenco campeão da Série B em 2021 e teve passagem pelo futebol europeu, defendendo o RWD Molenbeek, da Bélgica. No Brasil, destacou-se pelo Amazonas antes de ser contratado pelo Juventude. Mesmo com a investigação iniciada em maio de 2025, o atleta concluiu a última temporada em atividade. Em 2026, disputou três partidas pelo Campeonato Catarinense antes do avanço da apuração.
A Operação Totonero recebe esse nome em referência ao escândalo que abalou o futebol italiano nos anos 1980 e tem como objetivo investigar a cooptação de jogadores para manipulação de eventos específicos das partidas, como cartões, faltas e escanteios, prática que voltou a preocupar autoridades e entidades esportivas no Brasil.