GP de Miami pode virar mais uma corrida noturna na F1?
Temendo imprevisibilidade do clima nessa época do ano, Miami estuda a possibilidade de virar corrida noturna. Europa é empecilho
A Fórmula 1 acaba de realizar sua segunda edição de um Grande Prêmio em Miami. A etapa na Flórida tem sido realizada em maio, na primavera norte-americana. A edição de 2022 ficou marcada pelo forte calor, que foi cruel com carros e pilotos. A corrida que acabou ainda nesse domingo não sofreu do mesmo mal, mas o risco de tempestade – ainda que não concretizado – pairou no ar.
A imprevisibilidade do clima é um tema sensível para os organizadores. Mudar o horário para que a corrida aconteça a noite pode ser uma forma de evitar, ao menos, o calor extremo.
“Tivemos algumas discussões sobre a possibilidade de fazer isso”, afirmou Tom Garfinkel, gestor da etapa americana, segundo a Autosport. “Nessa época do não, o clima é um tanto imprevisível. Esse ano foi tudo bem, a brisa ajudou bastante, mas ano passado estava muito quente.”
No entanto, a decisão vai muito além da instalação de potentes pontos de iluminação. O fuso horário em relação à Europa é o X da questão: “Há muitos fatores envolvidos, com a própria F1, televisão e tudo mais. Temos que pesar tudo isso, mas certamente estamos com a mente aberta para a possibilidade”, relata Garfinkel.
O problema é: Miami dista 5 horas da Inglaterra, a base da Fórmula 1. Do jeito que é hoje, o GP de Miami tem sua largada às 21h30 de domingo em Londres e 22h30 em outros pontos da Europa ocidental. Horário considerado nobre. Mudar para a noite significaria jogar a corrida para a madrugada europeia.
O GP de Las Vegas, também no Estados Unidos, será realizado no sábado a noite, mas o fuso de 8 a 9 horas em relação a Europa permite que a corrida seja na manhã de domingo no velho continente, um horário mais “aceitável” pelo público. Para os europeus, não seria algo tão diferente dos horários dos GPs de Austrália, Japão e China, por exemplo.
O martelo será batido apenas com o ok da Fórmula 1 e da Liberty Media, mas não sem avaliações mais detalhadas. “Não estamos em uma posição de tomar uma decisão agora”, destaca o gestor. “Ainda vamos ter discussões sobre fazermos isso e como seria”.
Seja qual for a decisão tomada, ela será um indicativo do que a Liberty e a categoria querem para o GP de Miami e para a F1 como um todo. A etapa da Flórida, moldada ao gosto do público americano, será transmitida na TV priorizando o público americano e virando as costas para a Europa, ou se manterá no horário nobre da grade europeia mesmo com o risco de temperaturas extremas? O tempo dirá.