F1 inicia pré-temporada esvaziada e rodeada de dúvidas, questionamentos e problemas
Com novos motores e mudanças aerodinâmicas, equipes enfrentam desafios nos testes de pré-temporada em Montmeló
O novo regulamento da Fórmula 1 tem causado preocupações nas equipes neste início de ano. Com novos motores e uma revolução aerodinâmica, as escuderias poderão fazer mais testes do que o normal, mas os desafios são tão grandes que estão tirando a noite de sono de engenheiros, chefes e pilotos.
Nesta segunda-feira, no Circuito de Montmeló, na Catalunha, começam os testes de pré-temporada. Neste chamado shakedown de cinco dias, em apenas três as equipes poderão levar seus carros à pista. Ainda haverá outras duas semanas de atividades prévias. Entre 11 e 13 de fevereiro e 18 e 20 do mesmo mês, as equipes se reúnem em Sakhir, no Bahrein.
De antemão, foi avisado à Fórmula 1 que a Williams optou por não participar dos testes de Barcelona. De acordo com a equipe de Grove, houve atrasos no projeto do carro de 2026 e a equipe buscará agilizar os processos para alcançar o seu maior potencial.
A Aston Martin e a McLaren, por exemplo, informaram que não estarão nas pistas no primeiro dia. "Queremos ter o máximo de tempo possível para o desenvolvimento do carro. Então, começaremos no segundo ou terceiro dia", explicou o chefe dos atuais campeões do mundo, Andrea Stella.
Os fãs de Fórmula 1 terão pouca ou nenhuma pista do que de fato ocorrerá na temporada 2026 nos testes de Barcelona. A grande questão envolvendo os novos carros está relacionada à confiabilidade dos motores.
No novo regulamento, os motores a combustão e elétricos serão responsáveis por partes praticamente iguais da potência total. A simplificação da composição do motor elétrico atraiu novos fornecedores para a Fórmula 1. A categoria salta de quatro para seis fabricantes de motor: Ferrari, Mercedes, Ford-Red Bull, Honda e Audi em um primeiro momento, e a GM, por meio da Cadillac, se soma ao grupo em 2029.
Por causa do grande volume de dinheiro, a Fórmula 1 é um verdadeiro laboratório para o desenvolvimento de tecnologias que poderão ser aplicadas no cotidiano das montadoras e na fabricação de carros convencionais. Um sistema complexo, com amarras e pouco espaço para reaproveitamento tecnológico afastou por mais de uma década grandes marcas, como BMW e Toyota, que está cotada para voltar à categoria em breve também. Muitas, inclusive, decidiram investir na Fórmula E, de carros elétricos.
As novas regras da F1 mudaram esse jogo.
Há ainda, em meio a este cenário, uma polêmica estabelecida a partir de informações sobre o desenvolvimento dos motores da Mercedes. Fornecedoras rivais contestam junto à FIA uma brecha encontrada pelos alemães no regulamento. As regras preveem que os motores devem ter uma taxa de compressão - que é a razão entre os volumes totais do cilindro e da câmara de combustão - de 16:1. Especula-se que a Mercedes conseguiria elevar essa razão para 18:1 durante o uso dos motores (aquecidos), momento em que, segundo o regulamento, não há fiscalização, que é feita com as unidades de potência em temperatura ambiente.
Uma das teorias aponta que a Mercedes usa como truque materiais de ligas metálicas com coeficientes de dilatação térmica distintos. Com temperatura elevada, o pistão se dilataria diminuindo o volume de folga e ampliando a taxa de compressão. Essa mudança geraria um ganho de até 10cv de potência, o que representa de dois a três décimos de segundo por volta. A Red Bull também teria conseguido desenvolver sistema semelhante, enquanto Honda, Audi e Ferrari estão revoltadas, mas não puderem reverter, até o momento, o quadro junto à FIA.
O fã de automobilismo deve ficar de olho no número de voltas que cada equipe conseguirá dar em Montmeló. Esse pode ser um sinal importante sobre a satisfação no planejamento do carro e de seus componentes. Tempo de volta, velocidade máxima e afins podem ser ignorados neste primeiro momento. Somente no segundo treino, no Bahrein, é que as coisas podem - não devem - ficar mais claras. Até a presente data, porém, há todos os indicativos para que se inicie uma nova era com os mesmos reis dos últimos 18 campeonatos.