Tensão no Oriente Médio impulsiona petróleo e mantém mercados em alerta
Commodity subiu mais de 4% no último pregão
Os bombardeios americanos atingiram estruturas ligadas às ameaças à navegação no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Em resposta, o Irã voltou a ameaçar fechar completamente a passagem, reacendendo temores sobre interrupções no fluxo da commodity.
Os mercados globais iniciam a quinta-feira (9) tentando recuperar parte das perdas da véspera, mas continuam tendo o petróleo como principal termômetro de risco. Após o segundo dia consecutivo de ataques dos Estados Unidos contra o Irã, investidores monitoram os próximos movimentos diplomáticos e militares para avaliar se a ofensiva abrirá espaço para negociações ou ampliará o risco de um conflito regional com potencial de afetar a oferta global de energia.
Os bombardeios americanos atingiram estruturas ligadas às ameaças à navegação no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Em resposta, o Irã voltou a ameaçar fechar completamente a passagem, reacendendo temores sobre interrupções no fluxo da commodity.
O cenário mantém elevada a volatilidade do mercado de energia. O petróleo Brent para setembro sobe 0,97%, a US$ 78,78 por barril, enquanto o WTI para agosto avança 0,87%, para US$ 74,16. Para a Capital Economics, os preços devem permanecer sensíveis a qualquer deterioração adicional do quadro geopolítico.
As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também seguem no radar dos investidores. Durante a cúpula da Otan, o republicano afirmou que o cessar-fogo "acabou", voltou a ameaçar novas ofensivas militares e disse que representantes iranianos procuraram Washington para discutir um possível acordo, informação que não foi confirmada por Teerã.
A valorização da commodity também começa a produzir efeitos sobre a política de combustíveis no Brasil. Segundo informações do Broadcast, o governo passou a reavaliar o cronograma para retirar a subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina e considera prolongar o subsídio ao diesel diante da nova alta das cotações internacionais.
Atualmente, o auxílio ao diesel permanece em R$ 1,12 por litro, e a Petrobras já recebeu R$ 4,7 bilhões para participar do programa. Caso o petróleo continue avançando, fontes do governo avaliam que o processo de redução do benefício poderá ser novamente revisto.
Ao mesmo tempo, cresce a defasagem dos preços internos: segundo a Abicom, o diesel vendido pela estatal está 35% abaixo da paridade internacional, enquanto a gasolina apresenta defasagem de 24%, reforçando as expectativas de novos reajustes caso o petróleo siga pressionado.
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