Taxas dos DIs caem após ata do Copom reforçar expectativa de corte da Selic em março
As taxas dos DIs fecharam a terça-feira com baixas, na contramão do avanço dos rendimentos dos Treasuries na maior parte do dia, após a ata do último encontro do Copom ter reforçado a expectativa de corte de juros pelo Banco Central em março.
Declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não definiu quem serão os dois novos diretores do Banco Central contribuíram para o movimento.
Em uma sessão de forte alta do Ibovespa e queda do dólar, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,655% no fim da tarde, em baixa de 6 pontos-base ante o ajuste de 12,718% da véspera. A taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,355%, com recuo de 6 pontos-base ante o ajuste de 13,417%.
Na ata, divulgada antes da abertura do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central defendeu que a magnitude e a duração do ciclo de cortes da Selic serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às análises.
"Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços ainda dificultam a identificação de tendências claras", disse o BC, reafirmando o compromisso com a meta de inflação de 3%.
Ao discutir a calibração dos juros, o BC destacou a melhora na inflação corrente e disse que as expectativas de mercado estão "menos distantes" da meta.
Na semana passada, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano, indicando a intenção de iniciar o ciclo de cortes em março. Entre os investidores, a principal dúvida é se o primeiro corte será de 25 ou de 50 pontos-base.
Na B3, as opções de Copom precificavam na última sexta-feira -- dado mais recente -- 50,00% de probabilidade de corte de 50 pontos-base da taxa básica em março, 34,00% de chance de redução de 25 pontos e 7,00% de possibilidade de redução de 75 pontos-base.
"A ata confirmou a expectativa de corte de juros para março. Ela cita a preocupação com o fiscal, o mercado de trabalho, e contextualiza os desafios (do BC), apesar da possibilidade de corte de juros", avaliou o analista Matheus Spiess, da Empiricus Research. "Isso é importante para mostrar que o corte de juros não será imprudente."
Em reação, as taxas dos DIs cederam desde o início do dia, em movimento que foi favorecido por declarações de Haddad à BandNews. O ministro disse que levou à consideração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva os nomes dos economistas Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para assumirem as duas diretorias vagas do Banco Central -- a de Política Econômica e a de Organização do Sistema Financeiro e Resolução.
O nome de Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, já vinha circulando nos últimos dias. Economista heterodoxo com graduação e mestrado pela PUC-SP e doutorado pela Unicamp, Mello desagradou em um primeiro momento o mercado, que vê risco de uma guinada "dovish" (suave na política monetária) no BC.
"É paradoxal, mas se quer cortar juros, você precisa ter um BC que esteja disposto a subir juros quando necessário, porque ter a confiança do mercado faz parte do trabalho", comentou Spiess.
Já Cavalcanti, que é membro do Trinity College da Universidade de Cambridge e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), foi sugerido por Haddad para a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro.
De acordo com o ministro, porém, Lula não fez nenhum convite até o momento.
"Eu imaginei, pelas conversas que tive com essas duas figuras, que eles poderiam ser nomes a serem apreciados pelo presidente do Banco Central e o presidente Lula. Tem três meses que isso foi feito, de lá para cá não voltamos a conversar", disse Haddad.
O forte avanço do Ibovespa, em mais um dia de fluxo estrangeiro para o Brasil, e a queda do dólar também contribuíram para o recuo da curva a termo.
O movimento ocorreu a despeito do avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior durante boa parte do dia, com investidores atentos aos desdobramentos da paralisação parcial do governo norte-americano. No fim da tarde, os yields já exibiam leves baixas.
Às 16h35, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 1 ponto-base, a 4,268%.
(Edição de Pedro Fonseca)