O que é o Grupo Fictor, que tentou comprar o Banco Master e agora pediu recuperação judicial
Grupo de participações e gestão de empresas foi criado em 2007 e, desde o ano passado, patrocina o Palmeiras e a Confederação Brasileira de Atletismo; empresa atribui dificuldades financeiras à liquidação do Master
O Grupo Fictor, com dívida de R$ 4 bilhões, pediu recuperação judicial atribuindo dificuldades financeiras à liquidação do Banco Master, ocorrida após tentativa de aquisição da instituição em 2025.
O Grupo Fictor protocolou no domingo, 1º, um pedido de recuperação judicial para as empresas Fictor Holding e Fictor Invest. O valor total da dívida é de R$ 4 bilhões.
Em 17 de novembro do ano passado, a Fictor afirmou ter fechado um acordo para a aquisição do Banco Master, em conjunto com um consórcio formado por investidores dos Emirados Árabes Unidos. No dia seguinte, o banco foi liquidado pelo Banco Central (BC).
A companhia é um grupo de participações e gestão de empresas com foco na indústria alimentícia, em serviços financeiros e em infraestrutura. Ela foi fundada em 2007 como uma empresa de soluções tecnológicas.
Em 2013, a Fictor realizou sua primeira operação de private equity, modalidade de investimento na qual investidores adquirem participação em empresas privadas - não listadas em bolsa - com alto potencial de crescimento. Cinco anos depois, o grupo ingressou no mercado de trading de commodities do agronegócio.
Em 2022, a Fictor Holding criou uma joint venture com a One Off Investment, que viria a se tornar a Fictor Invest. Naquele ano, a companhia expandiu suas operações e passou a ter 10 empresas sob gestão.
Já em 2023, o grupo entrou no setor de energia com a fundação da Fictor Energia. Em 2024, passou a ofertar serviços de tecnologia financeira, adquirência e crédito por meio da FictorPay, mesmo ano em que a Fictor Alimentos foi listada na B3 e começou a negociar sob o ticker FICT3. Em 2025, a companhia anunciou a abertura de escritórios fora do Brasil.
Em março do ano passado, a empresa se tornou patrocinadora do Palmeiras, em um acordo de R$ 25 milhões por temporada, que pode chegar a R$ 30 milhões, a depender de bônus por metas atingidas, com duração de três anos, prorrogáveis por mais um. A marca do grupo passou a ser estampada na frente e nas costas dos uniformes das categorias de base e nas costas do time principal, tanto no masculino quanto no feminino.
Duas semanas antes de anunciar a compra do Master, a Fictor também firmou patrocínio com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), com investimentos de R$ 21 milhões até março de 2029.
No pedido de recuperação judicial protocolado no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), a Fictor solicitou a suspensão e o bloqueio das cobranças das dívidas por um prazo de 180 dias para a Fictor Holding e a Fictor Invest. As demais subsidiárias não foram incluídas no pedido e devem continuar operando normalmente.
Em comunicado, o grupo afirmou que pretende quitar todas as dívidas sem deságio - ou seja, sem negociar abatimentos nos valores, apenas os prazos de pagamento. "A medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável", escreveu a companhia.
A Fictor atribuiu suas dificuldades financeiras à liquidação do Master. Segundo a empresa, com o anúncio do BC um dia após sua oferta pela instituição, "a reputação do grupo foi atingida por especulações de mercado, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding".
Antes mesmo do pedido de recuperação judicial, o TJ-SP já havia determinado o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões da Fictor.