Caso Master: entenda quem é quem no escândalo
Operação Compliance Zero apura suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo concessão de supostos créditos fictícios
A Polícia Federal (PF) deflagrou em novembro de 2025 a primeira fase da Operação Compliance Zero, que culminou na prisão do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e principal alvo da investigação. De lá para cá, o Caso Master, como ficou conhecido nas manchetes, teve desdobramentos e novos investigados.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
O banqueiro teve a prisão determinada pela Justiça Federal de Brasília e foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, enquanto tentava embarcar para o exterior. O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, também precisou prestar esclarecimentos à Polícia Federal depois de ter sido afastado do cargo.
De acordo com a corporação, os investigados são suspeitos dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro envolvendo a concessão de supostos créditos fictícios pelo Master.
Na semana passada, o BC decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, ligada ao Master. A empresa estava em Regime de Administração Especial Temporária desde novembro do ano passado, quando foi decretada a liquidação do banco de Vorcaro. Abaixo, entenda quem é quem no Caso Master.
Daniel Vorcaro
Dono do Banco Master, ele foi preso em 17 de novembro de 2025 na primeira fase da Operação Compliance Zero. Após ter sido detido pela PF, ele teve a prisão revogada e passou a usar tornozeleira eletrônica. O banqueiro é o principal investigado.
O Banco Central (BC) determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master no dia 18 de novembro de 2025, o que acabou se tornando uma das maiores intervenções bancárias da história do sistema financeiro brasileiro.
Entre as principais acusações estão irregularidades na venda de falsas carteiras de crédito consignado, fraudes bilionárias e outros crimes financeiros. Em depoimento, o empresário negou as acusações e disse que não houve fraude.
A investigação acabou indo parar no Supremo Tribunal Federal (STF) depois que a investigação encontrou o nome de um deputado federal registrado em um documento que pertencia a Vorcaro. Além da PF e do STF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) também apura o caso.
Paulo Henrique Costa
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, prestou esclarecimentos à PF presencialmente, em uma sala do STF, no dia 30 de dezembro de 2025. Ele foi afastado do cargo depois de ser envolvido na investigação.
O depoimento durou cerca de 3 horas. Assim como Vorcaro, ele é investigado por irregularidades na venda de falsas carteiras de crédito consignado do Banco Master para o BRB por R$ 12,2 bilhões.
Fabiano Campos Zettel
Cunhado de Daniel Vorcaro e um dos maiores doadores da campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Fabiano Zettel foi detido no dia 14 de janeiro quando estava no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Ele iria embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes.
O pedido de prisão preventiva de Zettel não especificou exatamente por quais crimes ele é investigado, mas a investigação aponta que ele está envolvido em crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
O STF determinou a apreensão do passaporte do empresário e a proibição de sair do país até o fim das investigações. Além de empresário, ele é advogado e pastor evangélico da Igreja da Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte (MG).
Zettel é fundador da Moriah Asset, um fundo de investimentos, e por meio da empresa, ele é sócio de marcas como Oakberry, Frutaria São Paulo e Les Cinq. Em 2022, ele foi o maior doador pessoa física das campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).
João Carlos Mansur
Fundador da Reag, João Carlos Mansur virou alvo da investigação durante a segunda fase da Operação Compliance Zero. O BC decretou a liquidação extrajudicial da Reag Investimentos no início deste mês. A investigação aponta que a Reag teria atuado como um fator relevante nas operações fraudulentas envolvendo o Banco Master.
Nelson Tanure
Assim como Zettel e Mansur, o empresário Nelson Tanure foi alvo na segunda fase da operação da PF. Ele foi detido no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando se preparava para embarcar para Curitiba (PR), e teve o celular apreendido. Sua trajetória empresarial ficou marcada pela compra e reestruturação de empresas. Entre as que o empresário possui participação estão TIM Brasil, Alliança Saúde e Docas Investimentos.

