Diretor do BC diz à PF que créditos vendidos pelo Banco Master ao BRB eram inexistentes
Segundo Ailton de Aquino Santos, BC teve 'certeza' da inexistência de créditos após reunião com representante de empresas que negociaram com o Master
BRASÍLIA - O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, afirmou, durante depoimento à Polícia Federal no dia 30 de dezembro do ano passado, que os créditos vendidos pelo Banco Master ao BRB, originados de duas empresas, não existiam. Aquino não é investigado no caso.
O trecho do depoimento, que ocorreu no Supremo Tribunal Federal, foi divulgado em vídeo pelo portal Poder360.
Aquino é o diretor que recomendou o voto pela liquidação do banco para a diretoria colegiada do Banco Central. Na audiência do STF, ele prestou depoimento, mas foi liberado da acareação.
O Master comprou carteiras de créditos consignados das empresas Tirreno e Cartos e revendeu esses ativos para o Banco de Brasília (BRB). Os créditos, porém, eram inexistentes e fraudados, segundo as investigações da Polícia Federal
Aquino relatou que se reuniu com um representante das duas empresas, chamado "André", e que ele citou vários números ao ser perguntado sobre qual o valor dos créditos gerados pelas companhias. Depois dessa reunião, segundo o diretor, o BC teve "certeza" da inexistência dos créditos.
"Depois de uma hora de inquirição, os valores iam subindo, alguns diretores da Cartos falavam 'eu nunca ouvi falar da Tirreno', ao fim e ao cabo o André respondeu: 'não foi 200, não foi 300, nós geramos R$ 6,2 bilhões'. Isso é impossível, do ponto de vista técnico, uma empresa gerar isso", afirmou no depoimento.
O único relacionamento da Tirreno como empresa era com o Banco Master, citou Aquino. O diretor do BC também destacou que a Cartos era "uma empresa pequena" e a Tirreno "era uma empresa desconhecida". Ele ainda relatou à PF que não foram identificados fluxos financeiros da Tirreno - TEDs, Pix ou câmbio - nas bases do Banco Central.