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Bancos querem usar compulsórios para recompor FGC e debatem proposta com BC

Fundo Garantidor de Créditos terá um custo próximo de R$ 55 bilhões com a liquidação do Master; pedido dos bancos ainda depende de negociações

30 jan 2026 - 13h47
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BRASÍLIA - Os bancos brasileiros querem usar recursos dos depósitos compulsórios para recompor o caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), afetado pelo pagamento de garantias aos investidores do Banco Master. O pedido das instituições chegou ao Banco Central, mas uma decisão ainda depende de negociações.

O FGC terá um custo próximo de R$ 55 bilhões com o episódio, considerando as garantias aos investidores do Master e Will Bank e as operações de assistência feitas ao longo de 2025. O montante representa cerca de 45% da liquidez do fundo, de R$ 122 bilhões. A informação foi publicada primeiro pelo jornal Valor Econômico e confirmada pelo Estadão/Broadcast.

Os compulsórios são uma parcela do dinheiro dos correntistas que os bancos são obrigados a manter depositada no BC. Eles são usados como uma espécie de reserva de emergência em crises, como em 2008, e somam atualmente cerca de R$ 800 bilhões — um montante que torna a preocupação com o tema mais micro do que macro.

Na prática, a solução pedida pelos bancos visa evitar que o FGC antecipe cinco anos de cobranças dos seus cerca de 250 associados para recompor o caixa após o pagamento das garantias do Master. Como mostrou o Estadão/Broadcast, o plano para reforçar a liquidez incluía tanto a antecipação quanto a cobrança de uma contribuição extraordinária mensal.

Ambos os instrumentos considerados, a antecipação e a cobrança extraordinária, estão previstos nas normas do FGC. O fundo é autorizado a cobrar antecipadamente de 12 a 60 contribuições mensais — ou seja, de um a cinco anos de contribuições — sempre que as circunstâncias indicarem que o seu patrimônio "necessita e receitas adicionais para fazer face às suas obrigações".

O impacto dessas cobranças extras tenderia a ser pequeno para o balanço dos bancos, que também poderiam repassar uma parte dos custos aos clientes, segundo uma pessoa que acompanha de perto as discussões. Mas, do ponto de vista do reforço à liquidez do FGC, a fonte dos recursos seria indiferente, já que chegaria ao caixa do fundo de qualquer forma.

Estadão
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