França: McDonald's anuncia que também não comprará produtos do Mercosul, apesar de acordo com UE
A rede de fast food McDonald's anunciou que também pretende boicotar o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Com a decisão, a gigante norte-americana se junta às principais redes francesas de supermercados, que também se posicionaram contra o tratado econômico.
Em um comunicado oficial publicado pelo jornal francês Le Figaro, a empresa afirma que pretende continuar abastecendo-se apenas com produtos da França e da Europa, e que não irá comprar de fornecedores dos países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), apesar do acordo entre o bloco sul-americano e a UE.
O McDonald's "não tem planos de alterar seus locais de abastecimento", localizados principalmente no território francês e europeu em geral, diz a nota enviada ao periódico nesta quinta-feira (29). A França é o país com o maior número de restaurantes da rede de fast food no continente e o quarto no mundo, com 1.517 estabelecimentos.
A decisão do McDonald's se soma ao anúncio dos principais distribuidores franceses, que afirmaram há alguns dias que carnes e aves provenientes da América do Sul não estarão em suas prateleiras. Do Carrefour ao Leclerc, por exemplo, os supermercados disseram rejeitar o tratado UE-Mercosul em nome da "soberania alimentar".
Agricultores também se opõem
A oposição não está apenas entre as grandes redes. Os agricultores europeus, por sua vez, também estão preocupados com a redução das tarifas sobre produtos agrícolas que implica este acordo. Desde que o tratado foi firmado, grupos representantes do setor vêm organizando inumeros protestos na França e em outros países do bloco.
Eles se queixam principalmmente da presença nas importações de pesticidas proibidos na UE, o que, na opinião deles, constitui uma "concorrência desleal". Como resposta a essa demanda, o McDonald's assinou milhares de contratos plurianuais com agricultores franceses.
"O trigo do pão dos hambúrgueres, as batatas das batatas fritas ou o frango dos nuggets são 100% franceses e são transformados em fábricas do país, por exemplo", garante a empresa norte-americana, que desde a sua chegada à França, nos anos 1970, teve de lutar contra as acusações de imperialismo e comida de baixa qualidade.
Negociado desde 1999 e assinado no último dia 17, o acordo com o Mercosul foi apoiado pela maioria dos Estados-membros da União Europeia - a França se opôs. Este tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, englobando mais de 700 milhões de consumidores e cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.