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Dólar reduz perdas e fecha quase estável com possibilidade de Mello no BC

3 fev 2026 - 17h53
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O dólar fechou a terça-feira próximo da estabilidade ante o real, após ter cedido quase 1% durante a sessão, influenciado por um lado pelo recuo da moeda no exterior e pelo forte fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira, mas por outro pelas especulações ‌sobre o próximo diretor de Política Econômica do Banco Central.

O dólar à vista fechou o dia com leve baixa de 0,18%, aos R$5,2484. No ‌ano, a moeda acumula agora queda de 4,38%.

Às 17h37, o dólar futuro para março -- atualmente o mais líquido no Brasil -- cedia 0,47% na B3, aos R$5,2670.

A sessão foi marcada pela queda quase generalizada do dólar ante as divisas de emergentes e exportadores de commodities, como a rupia indiana, o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano.

No Brasil, o câmbio acompanhou a tendência e o dólar se manteve ‍em baixa ante o real, favorecido ainda pela entrada de recursos estrangeiros para a bolsa, que pela manhã superou os 187 mil pontos pela primeira vez na história.

Às 11h36, o dólar à vista atingiu a cotação mínima da sessão, de R$5,2071 (-0,96%), quando o Ibovespa estava próximo do pico histórico.

Durante a tarde, porém, a moeda norte-americana se recuperou, em paralelo à desaceleração do Ibovespa, ‌e na reta final chegou quase a virar para o positivo, com o mercado reagindo negativamente a ‌uma reportagem da Reuters informando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encaminha para confirmar a indicação dos economistas Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para duas diretorias do Banco Central.

Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, seria indicado para a Diretoria de Política Econômica do BC, enquanto Cavalcanti, professor da Fundação Getulio Vargas e da Universidade de Cambridge (Reino Unido), ficaria com a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.

Os dois nomes foram levados a Lula pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que pela manhã indicou em entrevista à BandNews que o presidente ainda não havia se decidido.

O nome de Mello, em especial, tem gerado apreensão desde a semana passada. Economista heterodoxo com graduação e mestrado pela PUC-SP e doutorado pela Unicamp, Mello desagradou em um primeiro momento o mercado, que vê risco de uma guinada "dovish" (suave na política monetária) no BC.

Nos últimos minutos da sessão, o dólar reagiu à reportagem da Reuters e o dólar se reaproximou da estabilidade.

Pela manhã, investidores também estiveram atentos à ata do Copom, divulgada antes da abertura. Nela o colegiado defendeu que a magnitude e a duração do ciclo de cortes da taxa Selic serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às análises.

Na semana passada, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano, indicando a intenção de iniciar o ciclo de cortes em março. Entre os investidores, a principal dúvida é se o primeiro corte será de 25 ‌ou de 50 pontos-base.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa de referência hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses.

Às 17h35, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,16%, a 97,390.

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