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Marisa não atinge metas do 4º trimestre de 2023 e tem de repensar posicionamento

Empresa teve prejuízo de R$ 101 milhões no período; receita líquida cai 41%

23 abr 2024 - 21h12
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Após adiar por duas vezes a divulgação do balanço do 4º trimestre, a varejista Marisa apresentou nesta terça-feira, 23, seus resultados - aquém do esperado. A empresa não atingiu os objetivos traçados para o período e agora tem de repensar suas estratégias. "O não atingimento de metas no quarto trimestre de 2023 nos fez repensar posicionamento de mercado (a companhia decidiu voltar seu posicionamento para o varejo popular)", disse Andrea Menezes, indicada à presidência do Conselho de Administração da Marisa.

A Marisa Lojas apresentou prejuízo líquido ajustado de R$ 101,3 milhões no quarto trimestre de 2023, queda de 51,8% ante o prejuízo de R$ 210,1 milhões registrado no mesmo período de 2022, impactados pelos desafios impostos pela reestruturação em 2023, informou a empresa.

A receita líquida do varejo caiu 41,4% no período de outubro a dezembro na comparação anual e totalizou R$ 409,384 milhões. Já a receita líquida consolidada foi de R$ 417,413 milhões no período, o que representa um recuo de 43,5% ante igual etapa de 2022.

A dívida líquida da companhia foi reduzida em 55,9%, ou em R$ 91,8 milhões entre dezembro de 2022 e dezembro de 2023, totalizando uma dívida de R$ 72,4 milhões no encerramento do ano, segundo a empresa, devido à amortização de passivos diante do recebimento do empréstimo contratado com o Banco BTG Pactual.

Empresa tenta se reposicionar para atender classe média
Empresa tenta se reposicionar para atender classe média
Foto: DANIEL TEIXEIRA / ESTADÃO / Estadão

Andrea Menezes, que atualmente é membro do conselho, afirmou que a dificuldade em recompor estoque era a explicação para as vendas baixas, mas que, dessa vez, o Conselho se debruçou para buscar uma resposta mais profunda. Foi observado que em lojas fechadas no último ano pela Marisa, concorrentes de varejo popular abriram lojas com receita superior ao que a companhia vinha realizando.

O novo CEO da empresa, Edson Garcia, foi escolhido com o mandato de reposicionar a empresa para o público de mais baixa renda. "Marisa visa público 'C2', mas estava posicionada para classes 'B' e 'C1'", afirma o executivo.

Andrea Menezes diz que a empresa usou todo o seu capital de giro em um ano em que houve uma "puxada de freio" dos bancos para com as varejistas na concessão de crédito. Ela lembra que a empresa comunicou ao mercado que estuda alterações em sua estrutura de capital, com apoio da família fundadora do negócio, os Goldbarb, que prometeram colocar R$ 195 milhões nesse processo.

Apesar de ter reduzido o prejuízo líquido ajustado em 51,8% frente ao quarto trimestre de 2022, os resultados foram aprovados com ressalvas pela auditoria da EY. "As ressalvas da auditoria sobre discussões judiciais prejudicam a visibilidade, aumentando o risco para a companhia", comenta Hugo Queiroz, sócio diretor da L4 Capital.

Andrea diz ainda que a companhia tem duas opiniões jurídicas que baseiam a classificação de questões tributárias que estão na Justiça como "perdas possíveis" e não "prováveis".

O assunto surgiu de uma das únicas perguntas da teleconferência esvaziada da varejista. Um dos investidores questionou o fato de o balanço do quarto trimestre de 2023 ter sido aprovado com ressalvas pela auditoria da EY.

"Nosso auditor tem visão contábil sobre os processos diferente da nossa e acredita que eles deveriam ser provisionados", afirma Menezes. Ela pontuou ainda que essa ressalva faz parte do balanço da empresa desde 2022.

Estadão
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