Juro: melhora externa reduz alívio na curva de DI
O alívio na parte longa da curva futura de juros perdeu força no início da tarde desta quarta-feira, com a melhora dos mercados internacionais, e as taxas dos contratos de DI oscilavam perto do ajuste da véspera no call das 16h. A sessão foi marcada por volume reduzido, sem indicadores macroeconômicos relevantes na pauta.
O DI janeiro de 2011 projetava 9,55% ao ano, ante 9,59% no ajuste da véspera. A taxa para janeiro de 2012 estava em 10,86%, ante 10,88% no ajuste anterior.
De acordo com profissionais do mercado, há quase um consenso de que a Selic não deve ser alterada este ano, o que mantém a curva "flat" até o vencimento janeiro de 2010.
Mas, a partir de meados do próximo ano, os DIs já embutem elevação do juro básico - refletindo tanto os sinais de retomada da economia como um ônus político e, neste caso, exigindo prêmio de risco.
Além da eleição presidencial, a eventual substituição do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também está no horizonte dos participantes do mercado, que dão como quase certa a candidatura dele a algum cargo político.
Há, contudo, a corrente no mercado que vê os sinais não tão animadores sobre a recuperação econômica, em particular da China, como fatores que justificariam a continuidade da queda dos DIs, uma vez que o mercado local não seria suficiente para compensar a debilidade da demanda externa. Para esses profissionais, a curva de DI ainte oferece prêmio.
O quadro inflacionário também divide opinião. Há os que citam o comportamento corrente dos preços, com os IGPs mostrando deflação e o IPCA em desaceleração, como argumento para a manutenção do juro nos atuais níveis, enquanto aqueles que preferem mirar os sinais de retomada da economia destacam os riscos para a inflação futura.
"É a eterna briga entre quem está tomado (comprado em taxa) e quem está dado (vendido em taxa)", resumiu o operador de uma corretora em São Paulo.
Nesta sessão, o quadro externo ajudou a manter o formato da curva de DI. A queda da manhã foi praticamente zerada depois que as bolsas de valores nos Estados Unidos e o petróleo passaram a registrar ganhos, principalmente na parte da tarde.
A curva de juros dos Treasuries sustentou o declínio, mas longe das mínimas registradas mais cedo. Pouco antes de 16h (horário de Brasília), o Treasury de 10 anos , referência de mercado, projetava juro de 3,470%, ante 3,517% na véspera.
Na quinta-feira, a cena doméstica reserva divulgações importantes, como a taxa de desemprego de julho. Também devem ser monitorado o comportamento da arrecadação federal de julho e da dívida mobiliária federal interna.
O Tesouro Nacional vendeu 500 mil LTN com vencimento em abril de 2010, à taxa máxima de 8,7390% e média de 8,7357%; e 500 mil LTN para outubro de 2010, à taxa máxima de 9,3100% e média de 9,3089%. Em contrapartida, aceitou LTN para outubro de 2009.