ISA Energia tem forte alta no lucro por efeito contábil, avalia leilões com cautela
A ISA Energia registrou lucro líquido de R$ 1,9 bilhão no terceiro trimestre, impulsionado por um efeito contábil com a Axia. Sem esse impacto, o lucro pró-forma cresceu 14%, para R$ 625 milhões, refletindo novos projetos, reajustes tarifários e controle de custos. Com dívida líquida de R$ 17 bilhões e alavancagem em 3,5 vezes, a empresa avalia com cautela a participação em futuros leilões do setor elétrico e estuda o certame de baterias, apesar de divergências regulatórias com a Aneel sobre receitas.
A transmissora ISA Energia viu seu lucro líquido disparar no terceiro trimestre devido ao efeito contábil de uma transação com a Axia, mas mesmo sem esse impacto o resultado demonstra avanço da trajetória de crescimento com sustentabilidade financeira, disseram executivos da companhia à Reuters.
A companhia reportou nesta terça-feira um lucro líquido de R$1,9 bilhão, mais de três vezes o registrado no terceiro trimestre do ano passado, impulsionado pela contabilização de um descruzamento de participações societárias acertado com a Axia Energia. Excluindo esse efeito, o lucro líquido pró-forma cresceu 14%, para R$625 milhões.
O lucro operacional medido pelo Ebitda atingiu R$3,19 bilhões no período, alta de 259% no comparativo anual, enquanto o indicador pró-forma aumentou 41%, para R$1,25 bilhão.
De acordo com o CEO, Rui Chammas, o desempenho trimestral refletiu o aumento das receitas, em função da entrada em operação de novos projetos de linhas e subestações de energia e da consolidação de um novo grande ativo, além do reajuste tarifário e de controle de custos.
O executivo afirmou que a ISA Energia continua estudando participar dos próximos leilões do setor elétrico, mas está cautelosa, diante de seu atual patamar de endividamento e de um cenário ainda incerto para custo do capital para os próximos anos.
A transmissora encerrou o mês de setembro com dívida líquida de R$17 bilhões, um aumento de 20% frente ao encerramento de 2025, enquanto a companhia executa grandes investimentos para construção de novos ativos. Mas o índice de alavancagem caiu nesse mesmo período, de 3,63 vezes para 3,5 vezes, já refletindo ingressos maiores de receita.
"A dívida dos projetos aparece antes. Primeiro vem a dívida, depois vem a energização. Então, conforme as energizações vão vindo, você materializa aquilo que as pessoas esperam, o crescimento da receita, o crescimento do lucro líquido", disse Chammas.
A diretora financeira Silvia Wada classificou o endividamento da companhia como "confortável", observando que boa parte da dívida está atrelada ao IPCA, índice que também corrige a receita, o que confere um "head natural" às operações.
A ISA Energia continua crescendo a carteira de reforços e melhorias em sua rede existente de transmissão. Esses projetos, que são autorizados pela reguladora Aneel e geram receitas adicionais para a companhia, somam hoje R$7,6 bilhões em investimentos previstos para execução nos próximos anos.
Sobre leilões, a ISA identificou oportunidades "interessantes" na próxima licitação de lotes de transmissão, no início de 2027, mas ainda não tomou uma decisão sobre entrar efetivamente na disputa pelos projetos, disse o CEO.
No caso do certame de baterias -- segmento no qual a ISA já tem experiência, sendo responsável pela operação do primeiro sistema de grande escala no Brasil --, a participação da empresa também segue em estudo.
Segundo a diretora financeira, a ISA não concorda com o entendimento da Aneel de que as transmissoras podem participar do leilão, mas deverão seguir condições de seus contratos de concessão, o que implicaria reverter parte das receitas obtidas com a nova atividade para modicidade tarifária.
"Colocando modicidade tarifária, você está praticamente inviabilizando... É até contrário à busca de modicidade, porque você estaria diminuindo a competição. Mas a gente tem outro entendimento e deve trabalhar nesse tema", disse Wada.
(Edição de Roberto Samora)
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