Supermercados europeus são atingidos por novo ataque cibernético a refrigeradores
Incidente chega um mês após ataque na França em que hackers assumiram o controle de unidades de refrigeração em centenas de mercados
Supermercados de diversos países europeus, como Bélgica, Luxemburgo, Suécia e Estônia, sofreram ataques cibernéticos que alteraram os sistemas de refrigeração, elevando temperaturas e causando prejuízos; as autoridades investigam os responsáveis.
A Ahold Delhaize e a Colruyt informaram nesta segunda-feira, 2, que um incidente digital ocorrido durante a madrugada afetou geladeiras e freezers em dezenas de lojas na Bélgica e em Luxemburgo. As redes de supermercados suecas ICA e Coop também relataram picos de temperatura semelhantes, com uma loja atribuindo o problema a um ataque cibernético.
Os incidentes chegam um mês após um ataque na França, no qual a polícia informou que hackers assumiram o controle de unidades de refrigeração em centenas de supermercados, elevando as temperaturas a até 50 graus Celsius e causando incêndios e perdas de alimentos.
A Ahold também relatou um incidente de segurança cibernética à polícia holandesa no mês passado, após detectar atividades suspeitas em sua infraestrutura.
Sarah De Meester, uma porta-voz da Delhaize, contou que a rede de supermercados Delhaize percebeu que, nesta segunda, havia aumentos de temperatura nos sistemas de refrigeração. A empresa está investigando o incidente.
Stephan Moelans, presidente-executivo da empresa belga de refrigeração Sabcobel, que opera os sistemas da Delhaize, disse à agência de notícias Belga que o incidente foi um ataque cibernético, no qual os evaporadores das unidades foram colocados no modo de degelo. O escritório de Moelans se recusou a comentar quando contatado pela Reuters.
Um porta-voz do Colruyt Group, que opera as lojas Spar na Bélgica por meio de um sistema de franquia, afirmou que cinco lojas tiveram seus sistemas de refrigeração atacados.
De geladeiras e sistemas de aquecimento a câmeras de segurança e redes de alarme, uma gama cada vez maior de dispositivos — que antes eram em grande parte mecânicos — agora pode ser monitorada e controlada remotamente, criando novas oportunidades para os cibercriminosos.
As autoridades não indicaram quem poderia estar por trás dos incidentes do mês passado. Não houve reivindicações de responsabilidade.
Lojas suecas também foram afetadas
O chefe do centro nacional de segurança cibernética da Suécia, John Billow, disse à Reuters que a instituição estava investigando vários incidentes relacionados a sistemas de refrigeração em supermercados por toda a Suécia.
Uma loja sueca da rede ICA informou nas redes sociais que a temperatura de seus refrigeradores e freezers havia sido "hackeada" durante a madrugada e ajustada para 50 graus Celsius. Mais tarde, informou que a loja já havia reaberto.
Em uma loja da rede ICA Baronen, em Estocolmo, um aviso informava que todos os freezers da loja estavam avariados devido a um ataque cibernético. O gerente de vendas da loja disse que o ataque ocorreu às 2h da manhã e foi percebido às 5h30 da manhã.
"Estamos cientes de que um número limitado de lojas foi afetado por um incidente durante a madrugada, o que causou impacto em seus sistemas de refrigeração e congelamento", afirmou um porta-voz da ICA, empresa de capital fechado, por email.
O grupo varejista de alimentos Coop, de capital fechado, informou ao jornal sueco Aftonbladet que seis de suas lojas haviam sido afetadas por incidentes semelhantes. A empresa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
"Nas últimas semanas, identificamos que temos um número considerável de dispositivos de tecnologia operacional expostos na Suécia, e deixamos claro que é necessário atualizá-los ou aplicar patches", disse Billow, do centro de segurança cibernética.
Uma rede de supermercados da Estônia também foi afetada, com as temperaturas ajustadas para 50 graus, informou a fornecedora de tecnologia Kitman Coldtech à emissora pública ERR.
"Isso é muito recente, aconteceu esta manhã", disse o presidente-executivo da Kitman, Jann Mutso, à ERR. Ele se recusou a revelar o nome da rede de supermercados afetada.
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