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Falha de segurança revelada por IA provoca "apagão" em sites ao redor do mundo

21 out 2026 - 19h37
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Resumo
Vulnerabilidades críticas ocultas há anos no PHP, linguagem que sustenta cerca de 75% da web, foram descobertas por inteligência artificial e provocaram um apagão preventivo em sites governamentais e empresariais pelo mundo. As falhas permitem acesso a dados e execução remota de códigos sem autenticação. Com o vazamento dos detalhes técnicos, especialistas alertam para uma onda iminente de ciberataques impulsionados por IA, gerando uma corrida global para atualizar servidores vulneráveis.

Páginas ficaram fora do ar após IA expor vulnerabilidades críticas em software amplamente utilizado na internet. Falhas podem ser exploradas facilmente por hackers.Sites governamentais e empresariais na Europa e em outras partes do mundo ficaram fora do ar nesta quarta-feira (21/10) após a divulgação de vulnerabilidades críticas no PHP, uma linguagem de programação amplamente utilizada, o que levou administradores de sistemas em todo o planeta a correr para proteger suas plataformas.

As falhas permaneceram ocultas por anos e foram descobertas com o uso de inteligência artificial. Os desenvolvedores do PHP divulgaram correções urgentes e alertaram usuários ao redor do mundo para que atualizem seus sistemas imediatamente.

Órgãos governamentais de vários países europeus optaram por retirar seus sites do ar como medida preventiva, pois empresas de tecnologia alertaram que as vulnerabilidades já estavam sendo exploradas por alguns hackers.

Como a correção agora é pública e ferramentas de IA conseguem reproduzir e analisar a falha com relativa facilidade, especialistas esperam uma onda de invasões por parte de criminosos tentando agir antes que as atualizações sejam implementadas.

"Esse problema afeta a maior parte da internet", afirmou Tiffany Farriss, diretora-executiva interina da Associação Drupal, à agência de notícias Reuters. "Todos os servidores que utilizam qualquer versão do PHP lançada nos últimos 20 anos estarão vulneráveis."

Qual é o risco?

Agências de segurança cibernética em diversos países recomendaram que usuários do PHP atualizem imediatamente seus sistemas ou retirem os sites do ar até que as correções sejam aplicadas.

A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) alertou que a falha poderia permitir a hackers "acesso direto" a sistemas de dados ou bancos de dados em servidores.

Segundo a empresa de cibersegurança Wiz, as vulnerabilidades podem permitir que um invasor execute código remotamente sem necessidade de autenticação prévia e, em um dos casos, obtenha acesso a informações sensíveis armazenadas na memória dos servidores.

O que é PHP?

Criado no início dos anos 1990 e originalmente denominado "Personal Home Page", o PHP é uma linguagem utilizada para executar sites. Trata-se de um software gratuito e de código aberto mantido por voluntários.

Quando um visitante acessa uma página, um servidor com PHP processa e monta o conteúdo antes de enviá-lo ao navegador.

A linguagem sustenta grande parte da web pública — cerca de 75% dos sites cuja linguagem de programação pode ser identificada, segundo a plataforma W3Techs.

Ela é utilizada em plataformas como WordPress, Drupal, Joomla e Magento. Por isso, qualquer vulnerabilidade crítica pode gerar consequências amplas.

Sua enorme presença na web preocupa especialistas.

Dados da empresa de inteligência para internet Censys indicam que cerca de 1,5 milhão dos 2,6 milhões de servidores identificados utilizam versões do PHP para as quais ainda não há correção disponível.

Quais países tiraram seus sites do ar?

A agência nacional de cibersegurança da Holanda suspendeu seu próprio site por precaução, assim como diversas outras organizações, incluindo o Porto de Roterdã, o portal governamental Overheid.nl, a federação nacional de futebol KNVB, os sites dos cinco maiores partidos políticos do país e vários hospitais.

Na Dinamarca, a empresa municipal de TI Kombit informou ter suspendido vários serviços, incluindo a plataforma nacional de comunicação escolar.

A interrupção foi ainda mais ampla na Finlândia. A fornecedora estatal de serviços de TI Valtori informou que serviços públicos de rede do governo foram colocados offline "como medida de precaução".

Já o Ministério do Interior da França informou que colocou todos os seus sites em manutenção preventiva.

Na Alemanha, diversas prefeituras, órgãos públicos, polícia, universidades e hospitais retiraram seus sites do ar.

Sites de órgãos públicos também saíram do ar na Espanha, na Bélgica e no Reino Unido.

A enciclopédia online Wikipedia informou que retirou alguns sistemas do ar até que eles pudessem ser atualizados com segurança, enquanto o Internet Archive também ficou temporariamente indisponível para lidar com a situação.

Até líderes mundiais se manifestaram sobre o tema. O primeiro-ministro dos Países Baixos afirmou acompanhar a situação de perto. Já a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, publicou na rede X uma mensagem orientando proprietários de sites a verificar se utilizam PHP e a se preparar para instalar a atualização.

Em nota, a Casa Branca informou que tomou conhecimento da falha na sexta-feira. "Essa descoberta demonstra exatamente por que a liderança americana em IA é tão importante", afirmou.

A Automattic, responsável pelo WordPress.com, afirmou que usuários de suas soluções hospedadas e da plataforma Tumblr não foram afetados pela falha. Os riscos são maiores para pequenos sites administrados por indivíduos ou organizações com poucos recursos técnicos, especialmente aqueles hospedados em serviços compartilhados, nos quais os clientes não controlam diretamente os servidores.

IA impulsiona corrida hacker

Lukasz Olejnik, pesquisador associado do King's College London, afirmou que campanhas de invasão auxiliadas por IA, que se multiplicaram nas últimas semanas, podem causar grandes danos a servidores que não forem atualizados.

"A escala é enorme e, com a IA, a exploração pode acontecer instantaneamente", disse ele à Reuters.

Para Costin Raiu, cofundador da empresa de pesquisa e resposta a incidentes de cibersegurança TLP:Black, a IA está impulsionando uma "corrida pela exploração" de falhas de segurança do tipo.

À Reuters, Raiu disse que o próximo passo pode ser o "comprometimento em massa de cada servidor vulnerável da internet".

A vulnerabilidade no PHP foi descoberta com auxílio da IA, segundo relatos independentes de duas empresas de cibersegurança.

A Calif informou em um blog que identificou as falhas em 1º de agosto com ajuda de um grande modelo de linguagem e que trabalha na correção desde então.

A Wiz, empresa de segurança cibernética pertencente à Alphabet, dona do Google, afirmou ter feito a mesma descoberta utilizando sua ferramenta autônoma Wiz Atlas, além dos modelos Gemini 4 Argon, do Google, e GPT-5.6 Sol, da OpenAI.

Segundo a Wiz, as vulnerabilidades permaneceram escondidas por mais de uma década no código do PHP e seriam extremamente difíceis de serem exploradas manualmente por hackers.

Calif e Wiz disseram que notificaram a equipe do PHP sobre a descoberta, que foi mantida sob segredo até que o problema fosse resolvido. Mas os detalhes da falha acabaram sendo vazados na terça-feira, um dia antes da divulgação prevista da atualização de segurança do PHP.

ra (Reuters, AFP, EFE)

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